1% da população tem mais riqueza acumulada do que os restantes 99%

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Há quem diga que aquela coisa dos 99% é uma treta, que é um número exagerado. Foi divulgado o relatório anual da OXFAM – organização não-governamental britânica – dois dias antes do Fórum Económico Mundial de Davos (FEM), e eis alguns dos números e dados que nos chegam:

– 1% da população tem mais riqueza acumulada do que os restantes 99%;

– a OXFAM previa que atingíssemos estes números em 2016, eles foram atingidos em 2015;

– em 2015, 62 pessoas tinham acumulado tanta riqueza como os 50% da população mais pobre – há cinco anos a correspondência era de 388 pessoas para os mesmos 50%;


– desde o início do séc.XXI, que os 50% mais pobres beneficiaram de apenas 1% do aumento total da riqueza;

– desde o início do séc. XXI que os 1% mais ricos beneficiaram de 50% do aumento total da riqueza;

– a OXFAM sugere acabar com os paraísos fiscais;

– 30% da riqueza de África está em paraísos fiscais;

– isto representa uma perda de 14 mil milhões de dólares/ano em impostos;

– este montante chegaria para assegurar cuidados de saúde a 4 milhões de crianças em risco e para contratar professores para todo o continente;

– 9 em 10 empresas que são “sócios estratégicos” do FEM, estão presentes em pelo menos um paraíso fiscal.

“No ano passado, vários economistas contestaram a metodologia utilizada pela Oxfam, com a ONG a defender o método utilizado no estudo de forma simples: o cálculo do património líquido, ou seja, os activos detidos menos dívida.”


No fim de semana, no seu programa da Antena 1, “O Amor É…” – que recomendo vivamente, já agora -, o psicólogo Júlio Machado Vaz dizia que o modelo económico em que seria possível redistribuir a riqueza através dos rendimentos dos mais ricos, se tinha esgotado completamente, e dizia que não é preciso ser marxista para perceber o aumento exponencial das desigualdades sociais. 

Até posso aceitar que não seja preciso ser marxista para fazer a análise e tirar esta conclusão, mas parece-me que de uma vez por todas se comecem a corrigir estas desigualdades, parece-me que a única solução é ser marxista. Pelo menos um bocadinho…

Fontes: aqui e aqui