A vanguarda. A do povo e a do polvo.

Nacional

É sempre bom quando as coisas ficam à tona de água e se esclarecem de uma vez por todas, ou pelo menos se vão esclarecendo. François Hollande quer criar um governo transnacional para a Zona Euro. Mas um governo inclusivo e que tenha em conta a opinião dos 19 países da moeda única? Nada disso, uma “vanguarda” composta pelos “países fundadores da União Europeia: França, Alemanha, Itália, Luxemburgo, Holanda e Bélgica”.

E o que tem sido até agora a governação da União Europeia se não uma união fictícia de nações e de economias sob a capa da democracia e da solidariedade? A atitude que esta mesma UE, particularmente os países da Zona Euro, teve com o povo grego, sem quaisquer problemas políticos, éticos e morais, utilizando a chantagem e o autoritarismo como ferramentas de “diálogo”, demonstra bem que o tão exaltado espírito que os “pais fundadores” queriam dar a este polvo capitalista desgovernado e insaciável, só faz concessões quando a vida lhe corre bem. À primeira dificuldade, aos primeiros sinais de que uma das ovelhas tentam bater o pé ao pastor, o polvo irrita-se e sufoca a ovelha tresmalhada até aquele ponto limite em que mais um apertão significará a sua morte.

E depois há a palavra vanguarda. Mais uma daquelas que saídas da boca de um marxista-leninista cheira a mofo, mas que reutilizada por um social-democrata, um liberal ou um democrata-cristão, soa a novo.

Como diz o hino da CGTP-IN, também o povo tem a sua vanguarda, os operários, os trabalhadores, todos os trabalhadores. Que avance a vanguarda de Hollande, a vanguarda do capitalismo liberal. Apenas nos resta o seguinte: não ter medo das palavras e assumir a luta de classes dentro da União Europeia, e vencê-la.

E o polvo? O que lhe acontecerá no dia em que a primeira ovelha se deixar morrer nos seus tentáculos? E depois outra, e outra. O que acontecerá quando o polvo se vir rodeado de ovelhas mortas e sem mais nada para se alimentar?