O bom 25

Nacional

Com o 25 que se aproxima acendem-se as luzes literais e metafóricas, utilizando-se a tradição da troca de prendas como alegoria para a velha caridade, nas TVs e nas rádios a publicidade às prendas ideais para os mais próximos surgem acompanhadas de outras prenditas para os um pouco menos próximos, porque o consumismo não pode parar e sempre ajuda, a esmola, a mitigar a culpa que sentimos ao nos apercebermos, perto deste 25, que mais de um terço das crianças não têm uma alimentação digna quanto mais a preocupação de um novo brinquedo.

Porque toca a todos e estamos perto do 25, multiplicamo-nos em chamadas de valor acrescentado enquanto a “sociedade civil” se articula para nos entreter com concertos e iniciativas onde se passa a ideia que juntos podemos mitigar o flagelo da pobreza e para isso basta pegar no telefone. Pelo caminho da chamada ainda se geram impostos e receitas privadas, uns para pagar a dívida, outros para distribuir pelos accionistas que, coitadinhos, também merecem um feliz 25.

Relativamente perto, outras iniciativas se fazem ouvir, concorrendo mesmo ferozmente em audiências, onde banqueiros fazem o seu desfile deste 25, fazendo a caridade de se explicarem aos pobrezinhos porque empobrecem cada vez mais. Falam do dinheiro e do poder como da família e morrem de tédio por terem de se explicar à plebe, mesmo enquanto ensaiam lamentos, porque “as desculpas” pressupõe culpa e isso não mora em nenhuma das milhares de casas e contas recheadas que detêm.

Um pouco mais longe, pelo menos assim parece, a boa e velha europa comemora este 25 exortando as hostes com promessas de prosperidade enquanto anuncia mais das mesma políticas que nos trouxeram aqui. Assegurado pelas alternâncias governativas, o fantoche principal é despido lentamente pelos documentos que mostram as legalidades que permitem milhares de empresas a não pagarem um centavo de impostos. Biliões (estou a falar dos com 12 zeros) de euros de lucros passam intocáveis no selectivo crivo de uma europa rendida ao capital enquanto espalha aos quatro ventos que não há dinheiro para manter a europa social e que a prosperidade social é uma ilusão que tivemos colectivamente por um curto período e de que estes nos vão salvar rapidamente com mais uma dose da sua realidade sem alternativas.

É por tudo isto que prefiro o meu 25, a forja onde colectivamente pudemos sonhar e começar a concretizar um país onde fosse a pobreza a ilusão. Neste nosso 25 a caridade não tem lugar porque temos a solidariedade social e avançamos na rua em massa porque sabemos que a pobreza infantil não é uma inevitabilidade. No grande 25 cumpre-se o direito a uma vida digna para todos, com direito ao trabalho, boa alimentação, um tecto condigno, educação, saúde e liberdade. Com o bom 25 celebra-se a possibilidade de tomarmos o destino das nossas vidas nas nossas mãos! O bom 25 é o de abril!