Porque votarei em Edgar Silva para Presidente da República?

Nacional

O país parece não se dar conta disso mas daqui por duas semanas terá lugar a eleição do novo presidente da República, aquele que – independentemente do resultado – libertará Portugal da vergonha de ter como presidente o ser que actualmente exerce a dita função institucional. É possível que o apuramento dos resultados de dia 24 determine a necessidade de realização de uma “segunda volta”, entre o candidato mais votado (se não conseguir 50% + 1 voto no dia 24) e o segundo mais votado. É aliás um cenário pelo qual torço, e para o qual procurarei contribuir.



No dia 24 voto em Edgar Silva. Faço-o por razões diversas, de entre as quais a menos determinante é o facto de sermos os dois – eu e o Edgar – militantes da mesma ideia (e da mesma força) política. Edgar Silva tem uma biografia rica e cheia de lutas com as quais me identifico profundamente. Como padre católico bateu-se contra o dogma e a autoridade da hierarquia da igreja romana na Ilha da Madeira; esteve literalmente ao lado dos mais pobres e marginalizados (tanto na Madeira como em Lisboa, onde viveu no famoso bairro da Curraleira), exercendo um sacerdócio que o aproximou do exemplo das mais interessantes e progressistas figuras históricas da Igreja; foi o principal defensor dos chamados “miúdos das caixinhas”, no Funchal, o que aliás lhe valeu perseguição e até detenções. Depois abandonou o sacerdócio e já como eleito da CDU assumiu-se como uma das principais vozes de oposição ao absolutismo do PSD/Madeira.

Edgar Silva não se apresenta a estas eleições sem compromissos nem programa. Afirma a Constituição da República como o seu programa e o seu compromisso com o povo. Creio mesmo que será o único candidato que poderá afirmar, sem hesitações nem gaguez, que uma vez eleito se baterá pelo efectivo cumprimento daquilo que a Constituição determina. Sem leituras “largas” nem “criativas”, que enterraram a escola pública, o serviço nacional de saúde, o sistema de segurança social e as mais diversas funções do Estado em caricaturas daquilo que não apenas a Constituição exige mas também da realidade de que o povo e o país precisam.

Para mim, votar em Edgar Silva é contribuir para dois objectivos fundamentais: por um lado dar força a um projecto político congruente com a Constituição da República, por outro procurar afastar a hipótese (real e que devemos encarar como muito possível) da eleição de Marcelo Rebelo de Sousa numa primeira-volta, com todas as consequências negativas que isso representaria para Portugal.

Edgar Silva tem sido o mais atacado dos candidatos às eleições de dia 24. Praticamente ignorado nos noticiários, e confrontado por incompreensíveis perguntas sobre a Coreia do Norte em entrevistas e debates, luta com meios desproporcionais contra campanhas cujo verdadeiro “financiamento” é invisível (porque dispor de horas de notícias nas televisões e primeiras páginas inteiras de jornais nacionais é, em boa verdade, campanha gratuita para os candidatos do status quo – Marcelo Rebelo de Sousa e Maria de Belém, fundamentalmente). É também por isso que considero que votar em Edgar Silva assume uma dimensão de resistência contra a tentativa de afunilamento mediático em curso. Porque numas eleições transformadas em evento de entretenimento, brilham os figurões do regime e as figurinhas sem conteúdo.

[imagem]