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CDU, a força dos trabalhadores e do povo

Imaginem alguém que nada contra a corrente. Imaginem-se a correr em terra batida contra alguém que vai num tapete rolante. Imaginem uma equipa que joga sempre fora com um árbitro comprado pelo adversário que leva vários golos de avanço e que tem um altifalante que o elogia durante 90 minutos. Esse altifalante são os jornais, rádios e televisões. É assim qualquer campanha em que participa a CDU. Seja por omissão, desvalorização ou manipulação, os candidatos e os programas desta candidatura estão sempre arredados no último lugar da agenda mediática.

Geralmente, os resultados eleitorais da CDU são construídos a esforço pela sua capacidade colectiva. Pela sua ligação aos trabalhadores e ao povo. É gente que sabe o que é trabalhar, que sabe o que é andar de transportes, que sabe o que é receber miseravelmente, que sabe o que é estar no desemprego, que sabe o que é não ter dinheiro para pagar as propinas, que sabe o que é não ter dinheiro para dar uma vida melhor aos filhos. Mas é também gente que sabe que a nossa miséria enche os bolsos de alguém. Que esse alguém é quem decide quem vai ser o próximo director do Expresso, que esse alguém é quem decide que partido deve o altifalante apoiar, que esse alguém é quem decide que empresa vai ser administrada por aquele ministro ou autarca que lhe adjudicou determinada obra ou que aprovou determinada lei favorável ao seu negócio.

Esse alguém sabe que a CDU é a porta-voz dos que resistem e lutam pela democratização social, económica, política e cultural das nossas cidades, vilas e aldeias. É por isso que domingo é mais uma jornada de luta. Para que possamos construir, como diria o Zeca, cidades sem muros nem ameias, gente igual por dentro, gente igual por fora.

O «crime» de Clemente Alves


Segundo quase todos os jornais, Clemente Alves, vereador da CDU na Câmara Municipal de Cascais, cometeu hoje um crime, casuisticamente inserido na secção noticiosa homónima e de cujo auto constam: «manifestação ilegal», «partir para a agressão» contra um agente e «impedir o trabalho das máquinas». Há, à partida, um problema óbvio nestas notícias: em Portugal não há manifestações ilegais (não é uma questão de opinião). Outra questão se impõe: se os jornalistas que escreveram estas peças (quase todas iguais porque roubadas umas às outras) não estavam lá, como é que souberam o que aconteceu?

A resposta certa é: «não sabem». Limitaram-se a pedir a versão do PSD de Cascais e a contrastá-la com a da polícia que, coincidente mente, é a mesma. Melhor trabalho teriam feito se tivessem perguntado a quem lá esteve o que realmente se passou. E até podiam deixar a notícia na secção «crime», porque é, de facto, de um crime que se trata.



Vamos aos factos:


1 – A Câmara Municipal de Cascais (CMC), gestão PSD, pôs clandestinamente em marcha a construção de um gigantesco parque de estacionamento de 350 lugares (pagos) numa área protegida, integrada no Plano Director Municipal como «Reserva Ecológica» destruindo leitos e cursos de água.

2 – A população, que há muito reivindica um espaço verde para estes terrenos, não foi tida, nem achada, nem consultada nem tão pouco avisada, como obriga a lei: a CMC não afixou sequer o necessário aviso de obra.

3 – O PCP, a CDU e Clemente Alves, que há muito vêm denunciando os vários atentados ambientais cometidos pela CMC, estiveram hoje em protesto pacífico na Quinta da Carreira. Há dezenas de testemunhas que contrariam a versão da polícia e garantem que foi a PSP que injustificadamente empurrou vários manifestantes e deteve Clemente Alves.

Ou seja, o vereador e candidato da CDU foi detido por protestar contra uma obra ilegal que lesa o meio-ambiente. Num país em que só por condão do dinheiro e da influência não é ainda mais comum ver titulares de cargos públicos detidos por suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais ou fraude fiscal, haja vereadores detidos por defender, não os seus interesses, mas os interesses da população, haja gente que dê o corpo ao manifesto para impedir mais um crime ambiental. Haja coragem. Haja CDU.

A luta é o caminho!

Há muitas décadas atrás, o povo venezuelano levantou-se e derrubou o seu ditador. Depois de algumas transformações democráticas, o poder político ficou refém dos três partidos que representavam os interesses da oligarquia e dos Estados Unidos. No mesmo ano em que o fascismo foi derrotado, as três forças partidárias – AD, Copei e URD – reuniram-se em Punto Fijo e assinaram um pacto com esse nome. O puntofijismo foi o denominador comum que fez convergir esses três partidos em torno da exclusão do Partido Comunista da Venezuela e da partilha do poder num regime de alternância ao sabor das urnas e do sistema mediático.

Em Portugal, o processo revolucionário que impôs a derrota ao fascismo e que produziu grandes transformações no país foi travado desde cedo por PS, PSD e CDS-PP. O poder político é refém há quase 40 anos por forças que representam os interesses dos grandes grupos económicos e financeiros e das potências europeias. Não houve um pacto assinado. Mas é certo e todas estas organizações se gabam de terem evitado um ruptura com o modelo capitalista. Há quase 40 anos que no jogo da alternância dividem os cargos nos grandes bancos e empresas, submetem o Estado ao interesse privado e vendem a soberania nacional.

A espiral neoliberal que atingiu a Venezuela nos anos 80 e 90 devia ser familiar ao povo português. Sob as políticas impostas pelo FMI à pátria de Simón Bolívar, a miséria alastrou nas grandes cidades e deu-se o Caracazo. A explosão popular foi esmagada pelo exército e foram assassinados milhares de venezuelanos. Três anos depois, dando corpo à revolta, Hugo Chávez comandou um golpe para derrubar o governo. Foi derrotado e encarcerado. Quando saiu da prisão, anos depois, era um herói. O levantamento popular de 1989 e o golpe militar de 1992 foram julgados nas eleições presidenciais de 1998 em que o povo sentenciou e aclamou Hugo Chávez como presidente da República.

Neste processo, o partido venezuelano Acción Democrática (AD), membro da Internacional Socialista e partido irmão do Partido Socialista, foi declarado morto pelos trabalhadores e pelo povo. Durante décadas, um partido que se dizia de esquerda praticava políticas de direita, representava os interesses dos grandes grupos económicos e aprovava as directrizes do FMI e dos Estados Unidos. Convenhamos, o destino das cópias é desaparecerem em detrimento do original. Na Grécia, o PASOK colapsou sob o peso do seu historial de traição. No Estado espanhol, o PSOE não consegue assumir-se como a alternativa ao PP apesar da tragédia social com que se debatem os povos que vivem do outro lado da fronteira.

Portanto, Portugal não é excepção. O PS mais do que o PSD e o CDS-PP precisa de recorrer à mentira. Principalmente, para esconder que é a direita que se diz de esquerda. Apesar da perda de votos da coligação Portugal à Frente, o PS já não é o de outros tempos e não conseguiu alcançar a dianteira. O descrédito de se ter aliado aos partidos do actual governo para assinar o memorando com o FMI, a UE e o BCE roubou-lhe potenciais votos e deputados. Não espanta, pois, que importantes figuras deste partido insistam num acordo para viabilizar Passos Coelho e Paulo Portas. Os mesmos que antes das eleições diziam que votar na CDU ou no BE era dar força à direita são os que equacionam estender a passadeira vermelha aos que nos trucidaram nos últimos quatro anos.

O resultado da CDU solidifica a presença dos comunistas e dos verdes na Assembleia da República. Em momento algum se pode falar de derrota sobre um partido que resistiu a 48 anos de fascismo e que conseguiu mais votos e mais um mandato. Abrem-se perspectivas para que a luta nos locais de trabalho e nas ruas possa abrir mais brechas no próximo governo. Durante quatro anos, as sucessivas acções de protesto, das mais pequenas às maiores, apesar do muro de indiferença, arrogância e autoritarismo, evitaram maiores recuos. É, pois, hora de voltar a fazer das nossas avenidas enchentes de dignidade. É esse o elemento central e decisivo para a derrota da hecatombe social que mais do que estar condicionado pela agenda eleitoral deve estar orientado para a ruptura.

Luzes, Sombras e «Ganhar Sempre»

O cenário pouco depois das projecções não podia ser mais ameaçador. Marco António Costa e Nuno Melo, de braços no ar, reaparecidos, saídos do buraco onde estavam há semanas, davam vivas à coligação. Na TVI estava Miguel Relvas, o doutor, outra aparição, ufano, de peito cheio e sem vergonha na cara, a dar lições de política e de moral. Perguntassem-me por acaso, há um ano, se veria como possível este cenário e estes figurantes, de semblante vitorioso, numas próximas legislativas, por certo teria de responder algo como isto: «Não brinquem comigo. Isso seria mau demais para ser verdade.» Em boa verdade, as coisas não eram tão luminosas quanto nos pareciam fazer crer.

Os que “ganham sempre” são os banqueiros, os grandes grupos económicos e financeiros, os monopolistas, os interesses instalados, os caciques corruptos, os que são sempre poupados aos sacrifícios e que escapam sempre à justiça.

De facto, um governo que passara anos a ludibriar, a iludir, a criar artifícios, a negar realidades, não podia deixar de ser aquilo que sempre foi. Por trás do circo montado com o sempre precioso embalo da comunicação social e seus comentadores, havia uma coligação de dois partidos que tinha tido, afinal, menos votos que o PSD sozinho há quatro anos. Talvez nunca saibamos com exactidão o que seria do CDS se concorresse sozinho no continente, mas sabemos algo que a comunicação social curiosamente não está a sublinhar: na Madeira, onde concorreu sozinho, o CDS passou de 19101 votos (1 deputado) para 7536 (0 deputados), enquanto que nos Açores a hecatombe foi de 10944 votos (0 deputados) para 3654 votos (e em coligação com o PPM).

Mas se, por um lado, havia os grandes e ufanos vitoriosos, havia por outro que apontar os consequentes derrotados. Noticiou-se uma catástrofe para a CDU, futebolizou-se a coisa, como é normal, repetindo-se a todo o momento que a CDU tinha sido “ultrapassada” pelo BE, como se “a classificação”, em si mesma, tivesse relevância para o verdadeiro fundamento e objectivo desta eleição. Houve até quem afirmasse – e isso vem até na primeira página do JN – que a CDU passou “a 4ª força política”, no que só pode ser visto como assomo de ignorância e de má-fé, dado que a CDU já era a 4ª força política, sendo que, à sua “frente”, desde 2011, em vez do Bloco tinha o CDS. Então mas, afinal de contas, numas eleições que visam eleger deputados e uma assembleia, como ficou a CDU? Isso não interessa nada. Eles “ganham sempre”. O que importa é repetir, de forma acrítica e descerebrada, mesmo que em rigor nada seja dito nesse sentido, que a CDU “ganha sempre”. Dizer que “a CDU diz que ganha sempre” é a grande e verdadeira “cassete” das noites eleitorais. Quanto aos factos, aumentar o número de deputados e o número de votos, naquele que foi o melhor resultado desde há 16 anos, isso só pode ser uma clara e inequívoca “derrota” da CDU. É uma “catástrofe”. Mas não esquecer: eles “dizem que ganham sempre”, “eles ganham sempre”… e siga a rusga.

À parte estas “brincadeiras” e além de toda a espuma da noite eleitoral, a verdade é que há de facto quem “ganhe sempre” por estes dias, pelo menos enquanto PS, PSD ou CDS puderem e tiverem condições e votos para governar. Os que “ganham sempre” são os banqueiros, os grandes grupos económicos e financeiros, os monopolistas, os interesses instalados, os caciques corruptos, os que são sempre poupados aos sacrifícios e que escapam sempre à justiça. Esses sim, com PS, PSD ou CDS esses “ganham sempre”. Hoje os agiotas continuam a banquetear-se com a nossa dívida crescente. Hoje os desempregados continuam de futuro incerto e com a vida penhorada. Hoje os salários e as pensões continuam em níveis miseráveis. O país continua pior, o povo continua sacrificado.

Da parte da CDU, o que dizíamos antes, repetimos agora. Não há qualquer solução nem resposta aos problemas ou anseios de quem sofre nos partidos que nos trouxeram até aqui. Não há nada de positivo a esperar de PS, PSD e/ou CDS. Só a luta coerente do povo e dos trabalhadores, uma luta que tem de ser mais persistente, mais presente, mais comprometida, mais militante pode fazer frente ao situacionismo da desgraça e só uma mudança efectiva pode conduzir à construção de um país mais justo e mais próspero. Para esta grande luta que hoje, como sempre, continua, podem contar com a CDU.

Não é propaganda, é literatura, estúpido

Esta história é verdadeira, mas eu preferia que não fosse. Aconteceu esta manhã no trabalho, mas eu preferia ter ficado na cama. Já estão a ver, pela feição de pôr a história breve ou pela melancolia sáfara com que já me quis esquivar, que isto não pode ser propaganda. A propaganda é sempre optimista, mas às vezes o coração não deixa e precisamos da literatura. Olhem, senhores da CNE, se duvidas restarem, a protagonista nem sequer é comunista, mas eu suspeito que é só porque não sabe que o é.

Quando piquei o ponto ela estava parada entre o rés-do-chão e o primeiro andar, a meio das escadas, agarrada obliquamente ao corrimão como se atravessasse a corrente do rio agarrada a uma corda. Ainda não tinha vestido a farda. Trocámos os bons dias a que obriga a conveniência social, mas quando eu passei, ela ficou lá, no mesmo sítio, a descansar. Trocámos mais um olhar e ela abanou a cabeça com uma leve expressão de constrangimento.

Só a vi outra vez, horas depois, quando subi as escadas para ir buscar um café. Estava a limpar as mesas e parecia tão mas tão cansada que não tive coragem de lhe disse nada. O que é que se diz a uma mulher que podia ser nossa mãe, que está doente e que tem que limpar a mesa onde comemos? Não se diz nada, tem-se vergonha.

Foi ela que falou primeiro. Quis-se justificar: explicou-me que o problema era só ali as escadas, que de resto fazia o trabalho todo com uma perna às costas, que não custava nada, que fora só desta vez, não fosse eu denunciar ao patrão que a senhora das limpezas parou um bocadinho a meio das escadas. É assim que estamos. Senti mais vergonha.

Acho que só teve a certeza de que podia falar comigo quando eu disse que achava que «eles» podiam pôr ali um elevador. Não sei se podiam, na verdade, mas ela animou-se. Enquanto bebia o café, contou-me, a traço largo, uma história que já deve ter contado a muita gente: que a junta médica disse que ela estava boa para trabalhar, que o marido está acamado e a filha que ainda estuda, quer ir para turismo.

Eu ouvi tudo e não disse quase nada. Disse-me que isto nunca esteve assim tão mau, que já não sabe de onde é que lhe cortam o salário, mas que quando teve que escolher entre comprar comida e pagar a propina da filha é que percebeu que estamos a «voltar ao antigamente». Também me disse, e eu ouvi, sem saber o que dizer porque não sou nem advogado nem rico nem posso bater em ninguém, que às vezes sai do trabalho e chora, porque, e repetiu, já teve de escolher entre comer e pagar a propina da filha. E depois disse-me isto, sem me conhecer, sem hesitações, sem uma pontinha de medo nos olhos, sem sequer adivinhar que o meu coração está abaixo e à esquerda. Disse-me que desta vez vai «votar no Jerónimo» porque, «apesar de tudo, ainda sabe pensar».

15 falácias para não votar CDU

Volvidos 39 anos de retrocessos sociais marcados pela continuada aleivosia de três partidos (PS, PSD e CDS-PP) que se alternam, ufanos, no poder, muitos portugueses parecem presos, na hora de votar, a velhos preconceitos. Extraordinariamente, mesmo diante de uma força política diferente e com décadas de provas dadas, há quem aposte por castigar a austeridade do PS votando no PSD, para, no acto eleitoral seguinte, punir o PSD votando no PS, (que desta vez é que vai ser diferente, não é?). A má notícia é que as arreigadas (mas espúrias) crendices sobre a exequibilidade política da CDU têm vaticinado o país a prosseguir o mesmo caminho de pobreza e injustiça. A boa notícia é que os argumentos de quem se recusa apaixonadamente a ver o óbvio são, regra geral, fáceis de compilar e desmontar.


1- «Os políticos são todos iguais»

Quem diz isto está secretamente a pensar nos três partidos em que andou a votar este tempo todo. É normal que depois de percorrer a cruzinhas os três partidos dos patrões, se descubra que têm ‘todos’ a vocação de reduzir salários, aumentar a carga de trabalho e cortar direitos. Por outro lado, aos 25 homens mais ricos do país que, no ano transacto, viram a sua fortuna aumentar para 14 mil milhões de euros num ano, convém que se acredite que «é tudo a mesma merda». Mas não é, como também não é igual taxar ou não taxar as grandes fortunas; como não é igual aumentar ou não aumentar o salário mínimo. É na prática e não em juramentos que se vê de que é feita cada força política. Ninguém, em honestidade, pode afirmar que os últimos governos têm defendido os interesses dos trabalhadores. Por outro lado, ninguém é capaz de dar sequer um exemplo de uma traição da CDU aos interesses de quem trabalha. Logo, iguais não são.


2 – «Já sei que não vão ganhar»

Se acreditamos que existe alternativa ao empobrecimento e à austeridade, é porque acreditamos que é possível uma alternativa política. Não serão nunca os mesmos partidos políticos que nos puseram no buraco a tirar-nos dele. O nosso voto pode ser justificado pelas propostas de cada partido, pela nossa experiência enquanto eleitores, mas nunca por empresas privadas de sondagens com amostras de 300 pessoas nem por comentadores pagos para pensarem por nós e que escondem, dentro de anafadas carteiras sob os seus rabos prolixos, o cartão de militante do PS/PSD/CDS-PP. Mais ainda, ao contrário da mentira amplamente difundida na comunicação social, nestas eleições não vamos eleger um primeiro-ministro, mas deputados que se candidatam por cada círculo eleitoral. Já basta do Sócrates, do Passos Coelho, do Armando Vara, do Cavaco Silva, do Duarte Lima, do Paulo Portas e do Dias Loureiro.


3 – «Mais vale votar no PS para não ganhar o PSD»

Votar útil no PS é como assinar um cheque em branco que termina sempre em arresto de bens. E se dúvidas sobrassem, veja-se a sintomática a recusa de António Costa em comprometer-se com um aumento do salário mínimo nacional: se o PS ganhar as eleições, atira o assunto para cima da mesa da improfícua «concertação social» e faz figas que os patrões decidam subir os salários. Se não o fizerem, é lá com eles. Querer que o PS ganhe para não ganhar o PSD é querer levar um pontapé na canela para não levar um murro no estômago. Foi o PS que criou as taxas moderadoras nos hospitais, as propinas nas universidades, os recibos verdes e metade de todos os cortes aos direitos dos trabalhadores desde 1975.


4 – «São um partido de protesto»

Ao longo dos últimos 39 anos, todos os governos têm contribuído para a destruição do país. Neste quadro, os partidos que se recusaram a juntar-se à pilhagem a troco de poleiro e tachos não são «de protesto», são de classe e de gente séria. A CDU tem um programa de governo detalhado, com respostas concretas para os problemas do país. PCP e PEV concorrem a estas eleições com um projecto que valoriza o trabalho e os trabalhadores, afirmando o papel social do Estado na economia e restituindo o governo e os serviços públicos ao serviço de quem trabalha. É um programa corajoso para taxar as grandes fortunas e devolver aos trabalhadores o que foi roubado, recuperando a necessária soberania nacional e exigindo a renegociação de uma dívida que, nestes moldes, é impagável.


5 – «É preciso um partido novo com ideias modernas»

A conclusão de que falta mais um partido modernaço é um clube esotérico a que se chega por quatro vias, a saber: a) através de boas intenções e desconhecimento dos partidos que já existem; b) pelos preconceitos expostos nesta lista; c) num concurso para ser o Paulo Portas do António Costa (sim, estou a olhar para ti, Rui Tavares); d) por meio de uma devastadora vaidade extrema e de um desejo burlesco e traiçoeiro de um dia ser chefe (p.f. não digam ao Gil Garcia onde eu moro). A crença de que são precisos novos partidos é fruto da incapacidade de compreender que em política a forma é sempre acessória do conteúdo. A prova provada é que no fim, os «novos partidos» soem acabar com «velhos problemas»: a fazer copy paste das propostas dos outros e à bulha para ver quem é que fica com o mítico mandato de Lisboa.


6 – «Se saíssemos do Euro estávamos perdidos»

A CDU, o PCP e o PEV foram as únicas forças políticas portuguesas que se opuseram inequivocamente à entrada de Portugal na moeda única, alertando para as devastadores consequências económicas que o presente se encarregou de comprovar. Cada vez mais, o euro é sinónimo de estagnação, recessão, desinvestimento, desemprego, endividamento, descontrolo orçamental, precariedade, redução dos salários e aumento da exploração. Porque aceitar cegamente a chantagem do euro só beneficia o chantagista, a CDU propõe que se estude e prepare a saída da moeda única de forma a garantir que essa solução, cada dia mais inevitável, possa ser gerida por um governo que proteja os interesses dos trabalhadores. Aqueles que, irresponsavelmente e diante do drama da Grécia, se benzem quando ouvem falar de uma saída do euro, preparam-se já para ser os carrascos de uma saída precipitada, e talvez forçada, que serviria para agudizar ainda mais a exploração.


7 – «Eu voto nos mais pequenos»

O problema não é a dimensão dos partidos, é o que eles defendem e quem eles representam socialmente. Votar num partido só porque ele é pequeno é o mesmo que ir uma farmácia e beber «só um bocadinho» de um frasco escolhido aleatoriamente.


8 – «O capital fugia do país»

Se a CDU fosse governo no dia quatro de Outubro, homens como Américo Amorim, Belmiro de Azevedo ou Soares dos Santos não ficariam, certamente, divertidos com a notícia, mas mesmo assim não tirariam o dinheiro. Porquê? Primeiro porque mesmo em menor escala, continuariam, a médio prazo, a conseguir grandes lucros. Por outro lado, porque parte do capital é extremamente difícil de deslocalizar: sobreiros, hipermercados, fábricas e aparelhos empresariais que só valem fortunas se bem implantados e com mercados estabelecidos. Finalmente, o Estado é soberano para nacionalizar, confiscar, expropriar ou deter quaisquer capitais indispensáveis ao interesse nacional.


9 – «Não é possível na UE»

Este é um argumento verdadeiro mas que esconde uma falácia. Efectivamente, é muito provável que não fosse possível construir um país mais justo dentro das amarras e imposições de uma União Europeia controlada por potências estrangeiras que não estão interessadas no bem-estar dos trabalhadores portugueses. Mas, nesse caso, a escolha não é só entre a soberania e a UE, é entre a possibilidade de uma vida melhor e a sentença a que nos votou a UE: sermos uma estância turística de mão-de-obra barata, sem fábricas, sem pescas, sem agricultura, com poucos serviços públicos e muitos miseráveis. Nesse caso, a CDU escolhe um país livre, soberano e ao serviço dos trabalhadores.


10 – «Vocês gostam de ditaduras»

O PCP não se limita a defender, no seu programa, uma democracia mais plural, participativa e verdadeira, tem um projecto e um modelo concretos de democracia: a Constituição da República Portuguesa. Essa democracia por que luta a CDU não se extingue nas urnas de voto, estendendo-se ao acesso à saúde, à cultura e à educação, traduzindo-se na liberdade de intervir e de mudar. Mais ainda, não há partido em Portugal com credenciais democráticas superiores às do PCP: foi ele que durante quase meio século arriscou tudo para derrubar a ditadura fascista; Enquanto os militantes comunistas se dispunham a perder a liberdade e a vida no combate pela democracia, uma geração inteira de futuros Presidentes da República, comentadores, ministros e vendedores de banha da cobra aninhavam-se nas instituições fascistas afiançando estar «integrados no regime».


11 – «Estivemos a consolidar as contas com sacrifícios»

Que contas são essas? O défice aumentou para 7,2%, a dívida pública cresceu para 130% do PIB (qualquer coisa como oito milhões de euros por dia) e os salários caíram, pelo menos, 10% desde que a «crise» começou. As únicas contas que, com os nossos sacrifícios, ficaram melhor consolidadas são as contas da Jerónimo Martins na Holanda e a do Cavaco no BPN. A consolidação é para as contas privadas deles, o desgoverno, a crise e a austeridade são para as nossas. Não é possível equilibrar as contas sem um aparelho produtivo forte, salários dignos, soberania económica e financeira e justiça fiscal.


12 – «Abstenção, voto nulo ou branco»

Consideremos uma amostra de 100 pessoas. Destas, 60 optam por nem ir à mesa de voto, outros dez votam em branco e cinco preferem inutilizar o voto. Ficamos com 75% de não-votos. Contudo, os outros 25% vão votar. Suponhamos então que o PS arrecada 10 votos, a PàF conta 8 votos, a CDU 4 votos e, por fim, 3 para o BE. Consequentemente, este parlamento hipotético seria formado com base nos seguintes resultados: PS – 40%; PàF – 32%; CDU – 16% e BE – 12%. Quando a CDU apresentasse, nesta assembleia, um projecto para aumentar os impostos sobre os produtos de luxo ou devolver os subsídios roubados, a imensa maioria dos deputados voltaria a fazer o que sempre faz: defender os mais ricos. Os três partidos da troika iam continuar a governar a seu bel-prazer apesar de 75% dos eleitores terem optado por deixar a decisão na caneta de apenas 25%. A nossa força está no voto consequente, no voto que não se verga perante os podres poderes instituídos. E se os não-votos equivalessem a cadeiras vazias, o resultado era o mesmo: as cadeiras ocupadas continuavam a decidir. Não votar, votar em branco ou votar nulo é não ter opinião formada sobre a nossa casa ser assaltada, é votar tacitamente nos mesmos que nos arruínam a vida.


13 – «Mas não há dinheiro»

Se o problema é receita e despesa, a CDU tem soluções: poupe-se 6,7 mil milhões de euros renegociando a dívida; tribute-se os lucros e dividendos das super-fortunas, aumentando a receita fiscal em 9,3 milhões; ataque-se evasão fiscal , arrecadando 3,5 mil milhões de euros; corte-se em 50% as contratações de serviços externos ao Estado, encaixando mais 600 milhões; renegoceie-se as Parcerias Público-Privadas e os ruinosos contratos swap. Mas, no essencial, a proposta do PCP para aumentar a receita centra-se na valorização do trabalho. Por exemplo, uma redução de cem mil desempregados permitiria um acréscimo directo de 900 milhões às receitas da segurança social, a par de um aumento da receita fiscal de 1,1 mil milhões de euros. Os partidos que dizem que não há dinheiro falam em nome de quem o tem todo guardado.


14 – «Voto na PàF para não ir para lá o PS outra vez»

Ver número 3, só que ao contrário.


15 – «Lobby gay! Quando a minha mãe me pariu isto não era assim!»

Ninguém estava a falar contigo, Marinho e Pinto.

Pedro Filipe Soares, e se te deixasses de merdas?


O que terá passado pela cabeça de Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do Bloco de Esquerda, para inaugurar, a uma semana das eleições, a deriva contra o PCP, não sou capaz de dizer, mas posso tentar adivinhar.

Em todo o caso, estou certa de que esta deriva não é acompanhada pela maioria dos activistas e apoiantes do BE, que, naturalmente, estarão bem mais preocupados em dar combate à política de direita e aos seus protagonistas e não ao PCP.

Segundo o Expresso, Pedro Filipe Soares, o líder parlamentar do Bloco deu «alfinetadas» ao PCP ao lembrar que a reduzida bancada do BE na Assembleia da República precisou da assinatura de mais deputados para submeter ao Tribunal Constitucional a apreciação de um diploma sobre cortes de pensões e subsídios de férias. “Levámos a tampa do PS e levámos a tampa do PCP”, afirmou Pedro Filipe Soares.

Pois é, Pedro, já se estranhava a ausência do piquinho do BE, não era? Falta de rigor (como, por exemplo, lançar listas de apoiantes onde constam presidentes de sindicatos que já não o são), alguma desfaçatez (o assobio para o ar constante) e o contar das coisas pela metade. Pela metade não, nem por ¼, porque sobre as tampas e os erros do BE, há muito por dizer, não achas, Pedro?

Por exemplo, Pedro, podias falar da tampa que levaste do PCP mas não do PS, nem do PSD, nem do CDS, quando o BE fez aprovar, na Assembleia da Republica, o memorando da troika à Grécia e contra o povo Grego. Lembras-te, Pedro?

Também podias ter lembrado a tampa que  PCP, mas não do PS, nem do PSD, nem do CDS,  quando o BE com o seu voto apoiou a ruinosa decisão de nacionalizar os prejuízos do BPN e deixar intocáveis as empresas rentáveis do grupo que o detinha. Lembras-te, Pedro?

Também podias falar da tampa que levaste do PCP quando, com a abstenção “violenta” (que até parecia que se estava a preparar para votar a favor) do BE,o governo foi ilibado das suas responsabilidades nas conclusões da comissão de inquérito do BES, deixando o PCP sozinho no voto contra e a levar tampa de todo o lado.

Também podias falar da tampa do BE ao PCP, quando o PCP andou meses (desde 5 de Abril de 2011) sozinho a exigir a renegociação da dívida e que só alguns meses depois o Bloco passou a defender, e inicialmente de forma tímida, aquilo que designava de “reestruturação” da dívida.

Sobre o pedido de inconstitucionalidade, Pedro, sabes bem que foi uma tampa merecida. Sabes dos riscos e das consequências práticas da iniciativa em curso, e sabes bem porque foste alertado para tal – incluindo pelo PCP, Pedro! Sabes também que a iniciativa que teve o BE com o PS (ou a iniciativa de deputados do PS com o BE?), abriu as portas para que os cortes não fossem só para os trabalhadores da Administração Pública mas sim para todos os trabalhadores, ou não te lembras disto, Pedro?

Ou da tampa que levaste do PCP sobre o trabalho temporário, que o BE quis legitimar através da regulamentação e agora… pois, é tudo temporário, não é?

Tens mesmo a certeza que é destas tampas que queres falar, Pedro? Não seria melhor concentrares-te no importante, no ataque às políticas de direita? Já sabes que o PCP é consequente, independentemente das conjunturas, de epifenómenos políticos, de guerras de egos e não vai deixar de dar tampas quando essas tampas protejam os interesses de quem o PCP representa: os trabalhadores e o povo.

Vá, Pedro, deixa-te lá de merdas.

*Fotografia retirada do site Esquerda.net

Alerta antifascista… e na primeira linha o partido comunista!

Os patrões condenam, os jornais escondem, os fascistas atacam. Um grupo de neonazis atacou, esta tarde, pelo menos três pessoas, entre as quais uma que saía do comício da CDU que encheu, esta tarde, o  Coliseu dos Recreios. Quantas páginas dedicará à versão das vítimas a próxima edição do Expresso?

Foi assim durante toda a tarde: a pretexto de uma manifestação contra a «islamização», capangas fascistas percorreram impunemente as ruas de Lisboa, provocando negros, comunistas e homossexuais.

Mais, na verdade, foi sempre assim: os cabeças-rapadas só agridem e fogem porque os donos da comunicação social estão mais interessados em ver as traseiras dos autocarros a caminho de um jogo que ouvir as vozes que lutam por um país mais justo. Da mesma forma que os fascistas sempre foram a vanguarda do capital, os comunistas continuarão a ser a vanguarda dos trabalhadores.

Nenhuma rua para o fascismo, nenhum voto neutro.