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PàF, PuM e Costa, o rei sol

Da figura sisuda e altiva, de homem que parece vestir a pele da cega e, digo eu para este contexto, insensível justiça, do paternalista que dizia ao povo, a quem por determinação constitucional deveria caber o poder político, entre breves e poupados sorrisos, para não ser piegas, ou que, secundado por membros do seu governo, falava de emigração como vantagem competitiva ou de desemprego como oportunidade, da pessoa que chegou a afirmar, quase sem pestanejar, “Que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal”, como se lhe coubesse a ele ditar os interesses de Portugal e aos que elegem coisa nenhuma, já pouco resta. Passos Coelho agora já não oferece enxadas a quem o desafia, ouve e diz “pois, pois” aparentando interesse, olha para o recibo da pensão de um homem e até simula espanto, fala de regras fiscais que determinam cortes como se não tivesse sido seu autor, abranda caminhadas e pára para ouvir as “pieguices” das pessoas anteriormente julgadas como incapazes para decidir o que convinha ao país, não encolhe os ombros, não vá a populaça achar que ele é o verdugo que os castiga e ignora, e até, causando assombro nas massas, dobra-se para beijar velhinhas num lar, exibe um crucifixo, do qual diz não se conseguir separar, e afirma que tem fé nas pessoas. Uma fé súbita que até suscitou do seu correligionário e antigo apoiante, Ângelo Correia, a piadola “nunca é tarde para se converter”.

Mas Passos Coelho é orgulhoso e não pode dar, pelo menos inteiramente, o dito por não dito e lá vai dizendo que valeu a pena o sacrifício, que não se pode deitar tudo a perder e entregar o país nas mãos de outros, a coligação PàF, nome de sonoridade, no mínimo, palerma, pior seria PuM (Portugal, uma Miséria), igualmente palerma mas um pouco mais certa, é, segundo esta espécie de moderno aspirante a messias, a única que está apta a governar. Deixam no ar a ideia de melhorias vindouras, de um Portugal resiliente. Contudo, apesar dos milhares de vezes em que, de todas as partes do dito arco da governabilidade, presidente da República incluído, ouvimos sonoros apelos ao consenso, a PàF, pasme-se, quer governar sozinha, reclama a maioria absoluta dos votos, a maioria absoluta dos resultados, a maioria absoluta do poder. A fé nos portugueses resume-se à fé nos portugueses que votam PàF. E lá volta à baila a estimadíssima estabilidade governativa, algo que, aos democratíssimos olhos dos pafs, mas também de outro ocupante do tal arco, o PS, é incompatível com o tal consenso.

Bem tenta o PS disfarçar a sua sede absolutista e António Costa até vai dizendo que sabe lançar pontes e unir o país, que “um governo de maioria absoluta pelo qual o líder dos socialistas se tem batido não representaria um menor esforço de concertação”, mas não deixa de dizer, pela boca de dirigentes seus que votar CDU ou BE é como votar na direita. Curiosamente, o Livre fica de fora desta conversa. E lá voltamos nós ao doce e todavia perigoso mundo das aparências, Costa como político bonacheirão, sábio e sensato. Mas a oportuna, ou inoportuna dependendo de quem beneficia, memória mostra-nos que o Gandhi da Mouraria foi ministro, durante anos, foi odiado pelo povo, individualmente e por atacado junto com o seu governo de José Sócrates, é responsável por despedimentos, pela degradação de serviços públicos, responsável pela liquidação de direitos, responsável por cortes nos rendimentos e responsável por privatizações, e foi, até há pouco tempo, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, deste modo responsável pela degradação dos serviços municipais, sobretudo no que respeita à recolha de lixo e saneamento, responsável pelo estado das ruas da cidade capital, responsável pelo aumento das rendas municipais, responsável pelo estado do património municipal, responsável pela falta de fiscalização das actividades comerciais. António Costa é o homem que compra apoios em troca de favores, é o homem que quis ver o PCP fora dos órgãos da Área Metropolitana de Lisboa, é o homem que disse que o PCP e o BE são meros partidos de protesto, é o homem que, no dia das eleições autárquicas, disse, sem o mínimo pudor, que os presidentes das Juntas de Freguesia de Lisboa, eleitos pelo PS, eram os seus representantes nas freguesias, assim de chofre, sem se lembrar que a representação faz-se por eleição e não por nomeação, que o tempo dos poderes locais nomeados já lá vai, que é ao povo da freguesia que o presidente da Junta deve representar perante o presidente da Câmara e não o contrário. Olho para Costa e vejo-o ostentando uma farta cabeleira barroca, rechonchudo e vestido de brocados e folhos, qual iluminado do séc. XVIII, qual rei sol. A campanha do PS é Costa, Costa, Costa, mas isso o jornal Expresso não consegue ver.

Temem os mui responsáveis, sérios, preocupados e detentores da credencial, passada pela divina entidade do capital, que os atesta como aptos a governar, não a incapacidade para se entenderem nas mui responsáveis, sérias e preocupadas opções políticas que pretendem para o país, mas a reacção dos piegas, alvos de fé mas inaptos para definir os interesses do país. Já o duro Ulrich nos veio dizer que o que é preciso é estabilidade, receia que um governo com todo o arco do poder dentro dele deixe demasiada gente de fora, que quando chegue a hora do “aguenta, aguenta” essa gente olhe à sua volta e veja quem são os únicos que estão com ela do lado de fora. O capital teme que os “líderes da oposição” sejam os comunistas, que o ciclo do ora-agora-governo-eu-ora-agora-governas-tu seja rompido.

Leva a Luta até ao Voto: Rescaldo de 2015

Aproximam-se as eleições legislativas para eleger os 230 deputados da Assembleia da República. Pareceu-me um momento oportuno para recordar as lutas de trabalhadores realizadas em 2015 até à data, às quais haveria que juntar outras tantas lutas, como as dos utentes, das populações locais, os estudantes, lesados do BES, em defesa dos serviços públicos e contra as privatizações, pela Água Pública, em Defesa da Cultura, etc., todas reflectindo um protesto generalizado contra as políticas de direita, contra a vaga de austeridade ordenada pela Troika e praticada pelo Governo, e exigindo e propondo alternativas. Várias destas lutas tiveram sucessos em matéria salarial, readmissão de trabalhadores, atrasando processos de privatização (alguns casos são referidos abaixo, mas uma longa lista elaborada pela União dos Sindicatos de Setúbal, e que concluiu que este ano os trabalhadores receberam mais de um milhão de euros fruto da sua luta, está disponível aqui).

São vastos e variados os motivos para ter lutado, assim como os motivos para agora traduzir essa luta num voto por uma ruptura com essa mesma política de direita, votando em quem sempre esteve ao lado dos trabalhadores e populações nas suas lutas, tanto à porta do local de trabalho e descendo avenidas, como na Assembleia da República confrontando os responsáveis pelas suas políticas e apresentando propostas que defendam os seus interesses e direitos. Porque é uma coligação de pessoas que estão na política para servir os trabalhadores; porque os seus deputados são dos que mais trabalham dentro e fora do hemiciclo, produzindo propostas e contactando os portugueses; porque têm propostas concretas de governação segundo uma política patriótica e de esquerda, de defesa da soberania e desenvolvimento nacional, com uma concepção de Estado que verdadeiramente traduz os princípios da Constituição e os valores de Abril, o meu voto é claro, inequívoco e recomenda-se: Voto CDU.

JANEIRO

  • Luta dos trabalhadores da Hotelaria no Porto e na Madeira, com greve ao período em torno da passagem de ano.
  • Trabalhadores da Administração Local manifestaram-se em Lisboa (6/Jan) e no Porto (5/Jan). Na última semana de Janeiro, realizaram sucessivos protestos à porta do Ministério das Finanças, exigindo a publicação dos acordos colectivos que consagram a semana de trabalho de 35 horas e condenando a política do Governo e as medidas inscritas no Orçamento do Estado.
  • Tribunal de Relação do Porto considera (10/Jan) que foi ilegal o despedimento de um sindicalista e trabalhador da ACP que fez greve ao trabalho suplementar (neste caso concreto, o apelo a justa causa envolveu a trabalhadora ter faltado 13 minutos).
  • Concentração junto à Presidência do Conselho de Ministros, dos trabalhadores das cantinas do ISEG, do Instituto Superior Técnico e da Faculdade de Ciências, que trabalhavam contratados pela Solnave até 31 de Dezembro, exigindo intervenção do Governo de modo a impedir o desemprego de 40 pessoas.
  • As cinco trabalhadoras da cantina do Hospital de Fafe processaram a Santa Casa da Misericórdia de Fafe (19/Jan), por esta se recusar a assumir os seus contratos de trabalho, bem como de outras sete trabalhadoras da limpeza, todas contratadas através de empresas de prestação de serviços e, desde 2 de Janeiro, impedidas de exercer as suas funções.
  • Manifestação dos trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (20/Jan) para exigir um aumento salarial imediato de 3,7 por cento, com um mínimo de 50 euros (salários estão congelados desde 2009). 
  • Continuação da luta dos trabalhadores da TAP, CP Carga, EMEF, Metro de Lisboa contra a privatização destas empresas.
  • Greve (13-15/Jan) dos sete auxiliares de terra da Soflusa, pelo fim do trabalho precário neste sector e pela contratação de trabalhadores cuja falta tem sido colmatada com recurso a empresas de trabalho temporário.
  • Protesto dos trabalhadores da Prégaia (21-/Jan), bloqueando saída de camiões carregados, exigindo garantias de que o produto de qualquer venda será destinado ao pagamento de salários em atraso, desde Novembro ou Outubro, e dos subsídios de férias e de Natal.
  • A Soturim, proprietária do Hotel da Horta, foi condenada a indemnizar 15 trabalhadores em mais de 120 mil euros, porque o tribunal considerou ilícito o despedimento colectivo efectuado após o encerramento da unidade hoteleira
  • Greve às horas extraordinárias na Carris (27/Jan-1/Mar), pela reposição do pagamento do trabalho extraordinário e pelo cumprimento do Acordo de Empresa, contra as medidas do Código do Trabalho e do Orçamento do Estado que visam o rendimento dos trabalhadores e pelo aumento real dos salários.
  • Concentração de reformados do Metropolitano de Lisboa (27/Jan) na Estação do Marquês de Pombal, para exigir a reposição dos complementos de reforma que não recebem há um ano, e que representavam entre 40 e 60 por cento dos seus rendimentos. 
  • Manifestação nacional dos trabalhadores da Administração Pública (30/Jan), pela reposição imediata das 35 horas como duração máxima da semana de trabalho na AP. Recorde-se que o Tribunal Constitucional não reprovou a aplicação das 40 horas que o Governo quis impor, uma vez que por contratação colectiva ou lei especial, o horário poderia ser reduzido. O Governo porém tem impedido a publicação dos acordos (ACEP) já celebrados que repõem as 35 horas.

FEVEREIRO

  • Greve de uma hora (4/Fev) dos trabalhadores dos centros de contacto da PT, contra os despedimentos e a precariedade.
  • Greve dos trabalhadores da Granitos de Maceira – Alpalhão (4/Fev)para exigir o pagamento de três meses de salário e de quinze de subsídios de férias e de Natal que há oito anos não lhes são pagos. 
  • Protesto (9/Fev) de professores e alunos exigindo que o Ministério da Educação e Ciência pague os montantes devidos às escolas de ensino artístico, algumas em risco de fechar portas
  • Greve (9-13/Fev) dos trabalhadores da Escola Profissional Beira Aguieira, pelo pagamento de salários em atraso. Docentes, formadores e pessoal não docente nada recebiam desde o início do ano lectivo, representando cinco salários.
  • Greve (6/Fev) dos trabalhadores do Hotel Estação, em Braga, após o patronato ter proibido uma reunião convocada pelo Sindicato da Hotelaria do Norte, para discutir o que fazer, onde há salários em atraso, que se arrastam há cerca de três anos e meio totalizando seis meses, embora o hotel esteja a laborar com uma boa taxa de ocupação. Os trabalhadores também estão a ser obrigados a realizar tarefas que não são as suas, como fora de forçá-los a se despedirem.
  • Tribunal de Trabalho de Coimbra determinou (6/Fev) que trabalhadora indevidamente despedida pela SUCH vai voltar ao seu posto de trabalho, dando razão à queixa apresentada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Hoteleira, Turismo Restaurantes e Similares do Centro. A empresa que presta os serviço nos Hospitais Universitários de Coimbra vinha «abusando do recurso a contratos sucessivos» quando o que estava em causa era a «ocupação de um posto de trabalho efectivo». 
  • Protesto de docentes do ensino superior (10/Fev), em Coimbra, para exigir que o Governo cumpra a directiva comunitária que estabelece limites ao recurso à contratação a termo e alargue o período de transição do regime precário para o vínculo sem termo.
  • Dois dias de greve no início de Fevereiro, dos trabalhadores da Lourilimpeza pelo pagamento dos salários de Dezembro e Janeiro, bem como do subsídio de Natal. 
  • Concentração dos trabalhadores da Efacec (11/Fev) para reivindicarem um aumento salarial mínimo de 50 euros, face à injustiça da empresa comprar carros novos para os quadros superiores, distribuir quantias elevadas em prémios para alguns, ao mesmo tempo que nega o aumento dos salários aos trabalhadores que produzem, criam a riqueza e desenvolvem a empresa. 
  • Dois dias de greve e uma manifestação frente ao Ministério da Saúde (12-13/Fev) dos Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica para reivindicarem a defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e direitos laborais. 
  • Concentração dos cerca de 20 trabalhadores da Amorin Cork (12/Fev) para exigir a readmissão na unidade de Corroios. A empresa encerrou a unidade no passado mês de Outubro,  propondo aos trabalhadores a transferência para Santa Maria da Feira ou a rescisão dos contratos, mas passados cinco meses mantinha a unidade em Corroios a funcionar recorrendo à contratação de novos trabalhadores e a trabalho extraordinário para satisfazer necessidades de produção.
  • Greve dos trabalhadores da Companhia Nacional de Refractários, situada na Abrigada, Alenquer (18/Fev) para forçar a administração a discutir o caderno reivindicativo.
  • Greve dos trabalhadores da Transportes Sul do Tejo (TST) (12/Fev) contra os salários de miséria, as irregularidades na aplicação dos «tempos de disponibilidade», as deficientes condições de trabalho, incluindo o estado degradado dos veículos prejudicando trabalhadores e utentes, e o incumprimento do Acordo de Empresa no que respeita ao pagamento do trabalho extraordinário.
  • Concentração dos cerca de cem trabalhadores da Beiralã (19/Fev) à porta da fábrica têxtil, em Seia, pelo pagamento de cerca de três milhões de euros, resultante do incumprimento do acordo, firmado no processo de viabilização da Beiralã, em 2009, para liquidação dos salários em atraso na altura, só tendo sido paga metade da primeira prestação. Em vez de reunir com os trabalhadores, o administrador chamou a GNR, que se prestou a defender o incumpridor, carregando sobre os lesados para libertar o acesso à empresa.
  • Greve (20/Fev) dos trabalhadores não docentes dos estabelecimentos de educação e ensino da rede pública contra a degradação da qualidade da Escola Pública, contra o processo de municipalização que o Governo quer implementar, e pela resolução da falta de pessoal e a proliferação da precariedade e da sazonalidade laboral.
  • Manifestação nacional dos trabalhadores da CP, da Refer, da EMEF e da CP Carga (26/Fev) contra a liquidação/privatização da EMEF e da CP Carga, a destruição da Refer na fusão com a Estradas de Portugal, contra a entrega a privados dos serviços lucrativos da CP, contra o roubo das concessões de transportes, pela ferrovia, pelos ferroviários, por Portugal.
  • Greve dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa (24, 27/Fev) em defesa do Metro como empresa pública, ao serviço dos utentes, e pelos postos de trabalho.
  • Greve dos trabalhadores da fábrica da BA Vidro na Amadora (24/Fev),  maior empresa do sector do vidro de embalagem em Portugal e teve lucros de 70 milhões de euros no ano passado. Os trabalhadores reclamam a restituição dos dias de compensação (e a correspondente reposição do subsídio de refeição), pelo pagamento do trabalho suplementar e em dias feriados segundo a contratação colectiva (como aconteceu até Agosto de 2012) e a negociação do Acordo de Empresa, consagrando os direitos conquistados. 

MARÇO

  • Protestos durante a 1ª quinzena de Março dos trabalhadores da Hotelaria em Lisboa, frente a hotéis do distrito (incluindo hotéis Ritz, Marriott, Roma, Palácio, Vila Galé Estoril, Corinthia, Éden, Sheraton e Praia Mar), para exigir aumentos salariais e o pagamento dos feriados pelo valor previstos no contrato colectivo.
  • Trabalhador da Bosch Car Multimedia, que não aceitou a injustiça de ser intermitentemente despedido e contratado com vínculo precário, reocupou o seu posto de trabalho, com vínculo efectivo (9/Mar) após do Tribunal de Trabalho de Braga e do Tribunal da Relação do Porto. A multinacional foi condenada a pagar as prestações, salários e subsídios relativos aos cerca de dois anos passados desde a contestação do despedimento.
  • Greve de dois períodos de duas horas por dia (12-17/Mar) dos trabalhadores da Abrigada – Companhia Nacional de Refractários, em defesa do seu caderno reivindicativo. 
  • Jornada Nacional de Luta (7/Mar) da CGTP, para «derrotar a política de direita e o Governo PSD/CDS-PP», com concentrações por todo o país (ver).
  • Greve nacional dos trabalhadores da Administração Pública (13/Mar), em defesa das funções sociais do Estado.
  • Greves parciais dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa (16, 18/Mar). 
  • Concentração dos trabalhadores da Transportes Sul do Tejo (16/Mar). Foi conseguida a reposição do pagamento do trabalho extraordinário, mas não houve resposta ao aumento salarial e ao fim do «tempo de disponibilidade» para reduzir a remuneração.
  • Na sequência das greves realizadas em 2010 e 2012 foi alcançada com o pagamento de muitos milhares de euros aos trabalhadores da Petrogal.
  • Duas greves de uma hora na fábrica da Visteon, em Palmela, resultaram nos compromissos de um aumento salarial de 1,2 por cento, de dez dias por ano para assistência à família, sem perda de remuneração, e pagamento de trabalho nocturno e diuturnidades.
  • «Caravana pelos serviços públicos de resíduos» percorre o país na 2ª quinzena de Março, contra a privatização da Empresa Geral do Fomento.
  • Greve na BA Vidro (21-23/Mar) de modo a que todos os trabalhadores dos centros de Avintes, Marinha Grande e Venda Nova sejam abrangidos nos diferentes regimes horários.
  • A convocação de greves dos trabalhadores da LBC Tanquipor (27,30,31/Mar, 1-2/Abr) devido à falta de resposta patronal ao caderno reivindicativo, foi suspensa porque a administração aceitou retomar as negociações salariais.
  • Concentração nacional dos trabalhadores das empresas de vigilância privada (20/Mar) pela revisão do contrato colectivo e a sua defesa da ameaça patronal de caducidade, bem como aumentos salariais e o pagamento do trabalho suplementar sem cortes.
  • Dois dias de greve dos guardas prisionais (24-25/Mar), que desde dia 2 faziam greve aos turnos da noite e aos fins-de-semana, com uma adesão de cerca de 80 por cento. Os protestos devem-se à não aplicação do estatuto profissional que entrou em vigor há mais de um ano, nomeadamente quanto a regulamentação do horário de trabalho, progressões nas carreiras e novos níveis remuneratórios.
  • Greve, por duas horas diárias, dos trabalhadores da Dyrup, em Sacavém, (27, 30 e 31/Mar) por aumentos salariais dignos e contra a proposta patronal de apenas 0,5 por cento nos salários, com um «prémio» de 200 euros. 
  • Manifestação de trabalhadores do sector têxtil (27/Mar) em Famalicão, na altura da visita do Presidente da República à empresa, contra o continuado ataque aos direitos e aos salários, e ao contrato colectivo de trabalho.
  • Concentração popular (27/Mar) em solidariedade para com os 44 trabalhadores da Empresa Litográfica do Sul, em Vila Real de Santo António, apoiando a exigência de pagamento dos salários e garantia dos postos de trabalho.
  • Manifestação Nacional dos Jovens Trabalhadores (28/Mar) sob o lema «Juventude em Marcha – Trabalho com Direitos! Contra a precariedade e exploração».
  • Início de uma série de greves de uma hora, a 30/Mar, na Jado Ibéria, em Nogueira (Braga), por aumentos salariais dignos e um subsídio de refeição de valor igual ao que a empresa paga aos designados «trabalhadores indirectos».
  • Luta pelo pagamento de salários devidos a cerca de 30 trabalhadores do Clube Praia da Rocha (Portimão), com realização de um «buzinão» na cidade (31(Mar). Após duas semanas de vigília e várias acções de solidariedade, chegou-se a um acordo para pagamento da dívida aos ex-trabalhadores do Clube Praia da Rocha.

ABRIL

  • Greve dos trabalhadores do Bingo do Ginásio Clube do Sul (1/Abr) pelo pagamento de salários em atraso. 
  • Greve na Renault Cacia (1/Abr) em apoio à reivindicação de aumentos salariais, que não ocorreram em 2014, apesar dos bons resultados da empresa, e de fim do abuso de trabalho precário. 
  • Nova greve de 24 horas (2/Abr) no refeitório da TAP, pelo justo pagamento do trabalho suplementar e em dias feriados, bem como o cumprimento da contratação colectiva.
  • Greves em empresas de transporte rodoviário de mercadorias, Patinter com sede em Mangualde, ZAS Transportes e Logística, em Modivas, e no Grupo Transportes Nogueira, em Vila Nova de Famalicão, exigido o cumprimento de diversas matérias do contrato colectivo, para além da reivindicação de aumentos salariais – os quais há mais de dez anos não ocorrem na Patinter e na ZAS.
  • Nova greve na BA Vidro (4/Abr).
  • Jornada Nacional de Luta e Protesto dos reformados, pensionistas e idosos (11/Abr)
  • Dia de luta nacional do sector ferroviário (16/Abr), por ocasião do 40º aniversário da nacionalização da CP. 
  • Greve dos trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (17/Abr) pela exigência de aumento dos salários, o descongelamento das progressões, a implementação das 35 horas de trabalho semanal e investimentos nos equipamentos da acção social da SCML.
  • Nova vaga de greves dos guardas prisionais (16-19, 23-25/Abr e 27/Abr a 1/Maio)
  • Greve dos trabalhadores de Hotelaria da RA da Madeira (18-19/Abr), durante a Festa da Flor, pelo cumprimento do contracto colectivo.  
  • Marcha contra as privatizações dos transportes (22/Abr) em particular da Carris e do Metropolitano de Lisboa, em curso, e da Transtejo e Soflusa, em preparação.
  • Manifestação nacional de trabalhadores da Administração Local (22/Abr) em Lisboapara exigir a redução dos impostos (particularmente, a sobretaxa extraordinária no IRS), o aumento geral dos salários (colocando o salário mínimo em 540 euros), a generalização da semana de 35 horas de trabalho e a publicação dos acordos ACEP que a consagram.
  • Manifestação dos trabalhadores da Manutenção Militar (24/Abr) contra a extinção da instituição e sua substituição por uma MM-EPE, ameaçando 120 postos de trabalho e pondo em causa o serviço prestado ao Exército pela Manutenção Militar há mais de um século.
  • Celebração do 25 de Abril e defesa dos valores da Revolução.
  • Greve parcial os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa (28/Abr)
  • Depois de os trabalhadores da Confeitaria Real, em Vila Real de Santo António, realizarem uma concentração (28/Abr) «o patrão assumiu que irá tomar as medidas necessárias para corrigir os erros, respeitando os direitos consagrados no contrato colectivo de trabalho»,
  • Greves dos trabalhadores de cantinas hospitalares nos hospitais da Figueira da Foz e da Covilhã e no refeitório da Soporcel (27); Maternidade Bissaya Barreto, no Hospital Pediátrico de Coimbra e nos Covões (29). 
  • Greve duas horas por turno (27-30/Abr) dos trabalhadores da Flexipol, na Devesa Velha (S. João da Madeira) por aumentos salariais justos. 
  • Concentração de professores e outros trabalhadores de estabelecimentos particulares e cooperativos de ensino artístico especializado (30/Abr), reclamando uma solução urgente face à falta de financiamento que impede o pagamento de salários.
  • Greve dos trabalhadores da cantina da RTP Porto (30/Abr) em luta pelo pagamento sem cortes do trabalho nos feriados, por aumentos salariais que não ocorrem há cinco anos, contra os ritmos de trabalho intensos e a falta de pessoal.

MAIO

  • Grande jornada de luta e celebração no dia 1º de Maio.
  • Greve dos trabalhadores dos hipermercados e supermercados (1/Maio), por aumentos salariais e contra a ofensiva patronal
  • Greves dos trabalhadores de cantinas hospitalares hospitais de Leiria, Alcobaça, Pombal, Caldas da Rainha, Feira, Aveiro e Cantanhede (4 e 5/Maio).
  • Nova greve na BA Vidro (3-4/Maio), na Venda Nova e na Marinha Grande, porque o diálogo com a administração foi infrutífero, pelo pagamento do trabalho suplementar e em dias feriados, a reposição dos dias de «compensação do horário» e a defesa das 35 horas semanais, o subsídio de refeição nestes dias e a negociação do acordo de empresa.
  • Greve dos trabalhadores do empreendimento turístico Parque da Floresta, em Vila do Bispo, contra o processo pouco transparente de recuperação da empresa Golf Santo António, gestora do empreendimento.
  • Um trabalhador da Lusosider (6/Maio)que tinha sido despedido, no termo do contrato a prazo, retomou o seu posto após ter contestado a decisão da empresa e ver a sua razão ser confirmada pelo Tribunal da Relação de Lisboa. 
  • Greve dos trabalhadores das empresas do Grupo Transportes Nogueira (7-11/Maio) para que sejam cumpridos o contrato colectivo de trabalho e a lei.
  • Greve no STCP (11/Maio) pela defesa do seu carácter público, pela reposição do número de trabalhadores necessários para garantir a oferta programada e acabar de vez com a sistemática supressão diária de dezenas de carreiras.
  • Nova greve na Renault Cacia (11/Maio) exigindo aumentos salariais e o fim da precariedade. 
  • Greve na Carris, CarrisBus e CarrisTur (14/Maio), unindo todos os trabalhadores «na defesa de uma só Carris pública»
  • Greve do pessoal do Serviço Nacional de Saúde (15/Maio) pela reposição das 35 horas semanais, a contratação de trabalhadores necessários nos serviços, aumentos salariais anuais e o fim dos cortes, a regulamentação do subsídio de risco, a recusa da entrega de hospitais a Misericórdias, o combate à extinção e a desvalorização das carreiras específicas da saúde e a exigência de criação da carreira de técnico auxiliar de saúde (e também de técnico de emergência do INEM), a valorização da carreira dos técnicos de diagnóstico e terapêutica (considerando-os técnicos superiores), no quadro da luta por um SNS geral, universal e gratuito.
  • Greve parciais nos fins-de semana  na Atlantic Ferries, a empresa do Grupo Sonae que explora a travessia fluvial do Sado, por melhorias salariais. Face à luta a administração acabou por reconhecer que há dinheiro para aumentar salários.
  • Greve na CNB/Camac, em Santo Tirso, (15-22/Maio) para exigir o pagamento dos salários de Abril e do subsídio de Natal de 2014. Face à luta a administração prometeu liquidar os salários.
  • Paralisações na Petrogal, nas refinarias de Sines (19-22), Porto (21-23) e restantes empresas a 22, pela defesa dos seus direitos e melhor distribuição da riqueza, face aos enormes lucros do grupo e a abundante remuneração dos conselhos de administração, enquanto continuam a recusar aumentar os salários dos trabalhadores e persistem em pretender aniquilar direitos conquistados.
  • Greve dos trabalhadores da Eurospuma (20-21/Maio) cujos salários não são actualizados há mais de dez anos, e a intenção da administração deixar de aplicar o contrato colectivo de trabalho das indústrias químicas, para retirar direitos aos trabalhadores
  • Marcha contra as privatizações de empresas de transportes (21/Maio), em Lisboa. O «Apelo» da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans/CGTP-IN) dirigido «aos trabalhadores, aos utentes e aos cidadãos», apelava a «uma forte jornada de luta contra a liquidação/privatização da TAP, da EMEF e da CP Carga; contra a subconcessão/privatização do Metropolitano de Lisboa, Carris, Transtejo, Soflusa, STCP e Metro do Porto; contra a entrega a privados dos serviços lucrativos da CP; contra a destruição da Refer na fusão com a Estradas de Portugal; contra o roubo dos direitos dos reformados; pela reposição da contratação colectiva nas empresas do sector; por um serviço público ao serviço dos cidadãos; pelo transporte público, pelos trabalhadores, pelos utentes, por Portugal».
  • Greves de uma hora por turno (22-23/Maio e 29/30/Maio) na Preh, em Trofa. Aproveitando os favores dos governos, passou de oito milhões de euros de lucros anuais, antes de 2011, para os actuais 14 milhões, mantendo o número de 750 trabalhadores. Estes rejeitaram o miserável aumento de um por cento.
  • Série de greves de uma hora trabalhadores da Automóveis Citroen (Grupo PSA) por um aumento real dos salários e pela efectiva negociação das suas reivindicações. 
  • Greve dos trabalhadores da Euroresinas (27/Maio-1/Jun) fábrica de resinas sintéticas da Sonae Indústria, em Sines, por aumentos salariais e melhor distribuição da riqueza produzida pelos trabalhadores; progressão nas carreiras; fim da discriminação salarial; aplicação do seguro de saúde igual para todos; e direitos iguais nas férias e subsídio de alimentação. Os trabalhadores decidiram suspender luta em Junho para dar abertura à negociação por parte da empresa.
  • Greve de quatro dias na Flexipol (29-22/Maio) perante os lucros da empresa e os aumentos chorudos atribuídos a alguns, enquanto para o pessoal da produção, que já tem os salários mais baixos, a proposta patronal está em 1,5 por cento.
  • Greve dos trabalhadores do refeitório do Hospital de Santa Maria (29/Maio), concessionado à Eurest, contra o despedimento colectivo de 48 funcionários.

JUNHO

  • Greve dos enfermeiros (4-5/Jun) pela melhoria das condições de trabalho, pelo limite máximo de 35 horas semanais, e em defesa da melhoria dos cuidados de enfermagem.
  • Greve dos trabalhadores das cerâmicas Abrigada (Alenquer), Rauschert (S. Domingos de Rana) e Cobert Telhas (Torres Vedras) (4/Jun) pela reposição do feriado roubado, pela reposição do feriado roubado, pela defesa dos direitos consagrados no contrato colectivo e pelas reivindicações apresentadas às empresas.
  • Ocupação simbólica da sede do Metropolitano de Lisboa (4/Jun), onde estavam reunidos os administradores, em acumulação de funções, desta empresa, da Carris, da Transtejo e da Soflusa, para exigir a marcação da uma reunião com a administração, há muito solicitada.
  • Greve na fábrica de travões do Grupo CBI (antiga Robert Bosch), em Abrantes (5/Jun) para exigir aumentos salariais e o fim das arbitrariedades no pagamento do trabalho extraordinário.
  • Greve de 48 horas (8-9/Jun) dos trabalhadores da Covibus na Covilhã. O pessoal daquela transportadora do grupo espanhol Avanza reclama aumento dos salários (inferiores a 600 euros) e do subsídio de refeição e a integração permanente nos quadros de alguns trabalhadores que têm estado com sucessivos contratos a prazo. 
  • Greve dos trabalhadores da Eurest no refeitório da Autoeuropa (11-12/Jun) pela negociação salarial; há seis anos que os salários não são actualizados.
  • Nova greve dos trabalhadores da Eurospuma, em Guetim (17/Jun) e desde a fábrica até à Câmara Municipal de Espinho. 
  • Greve dos trabalhadores da Panrico no feriado de 10 de Junho e dia 29, para exigir que a empresa pague o trabalho suplementar de acordo com o que estipula o contrato colectivo de trabalho da pastelaria e confeitaria,
  • Greves do sector dos transportes: CP Carga (17/Jun), Metropolitano de Lisboa (18 e 26/Jun), SPdH (19/Jun)
  • Greves de duas horas dos trabalhadores da Logística do Continente (Grupo Sonae) na Maia (17-/Jun), para exigirem aumentos salariais de 30 euros por mês e de cinco por cento no subsídio de refeição.
  • Greve de médicos do IPO do Porto (18-19/Jun) em protesto contra a ilegalidade que os obriga a trabalhar «pelo menos 30 horas seguidas».
  • Jornada de luta dos trabalhadores dos sectores da Agricultura, Alimentação, Bebidas, Tabacos, Hotelaria e Turismo (18/Jun), com concentrações em Lisboa e Funchal, pelo aumento imediato dos salários, contra a caducidade dos contratos colectivos e pela efectivação do direito à negociação, posto em causa por associações patronais e empresas.
  • Greve ao trabalho suplementar dos os trabalhadores a Logística do LIDL, na Marateca (Palmela), por aumentos dos salários e também por horários que permitam conciliar a vida profissional com a vida pessoal e familiar. 
  • Greve às diligências dos guardas prisionais (17-19/Jun)
  • Greve dos trabalhadores da Preh Portugal, na Trofa (19-/Jun) provocando a paragem da produção, para insistirem na exigência de aumentos salariais superiores ao valor de um por cento, aplicado em Abril. 
  • Manifestação Nacional de Professores (20/Jun) em defesa da profissão docente e da escola pública.
  • Nova greve dos trabalhadores da Camac (25/Jun) para exigir o pagamento de salários e subsídios em atraso, tendo fechado os portões das instalações a cadeado para impedir a entrada e saída de mercadorias.
  • Jornada nacional de luta dos trabalhadores da Administração Pública (26/Jun) com concentração frente à Assembleia da República)

JULHO

  • Vigílias e greves dos trabalhadores dos transportes (8/Jul) contra as privatizações, na EMEF (greves de duas horas nos dias 8,10, 13 e 15), Metropolitano de Lisboa, Carris, SPdH, e CP Carga (16). Ferroviários no activo e reformados concentraram-se em Lisboa no dia 16.
  • Novas greves na BA Vidro (11-14/Jul), nas fábricas de Avintes (Vila Nova de Gaia), Marinha Grande e Venda Nova (Amadora).
  • Greve dos trabalhadores do hotel Palácio Hotel, propriedade da Sonae Turismo (15/Jul) a única unidade de cinco estrelas que não actualiza salários há quatro anos, mantendo a tabela salarial mínima, o que representa cerca de 600 euros para a maioria do pessoal.
  • Concentração de trabalhadores frente à AR (22/Jul), convocada pela CGTP-IN, para dizer «basta» à política de exploração e empobrecimento.
  • A luta dos trabalhadores da Lisnave, Lisnave Yards, Gaslimpo, Tecor e Rebocalis levou a aumentos salariais de 2%, com efeitos retroactivos a Janeiro deste ano, incluindo aumentos do subsídio de férias e trabalho suplementar, 
  • Após o início de nova greve dos trabalhadores da Euroespuma (15/Jul) a administração recebeu os trabalhadores e comprometeu-se a iniciar negociações.
  • Greve parcial dos trabalhadores da Bosch Car Multimedia, em Braga (17/Jul) para exigir resposta positiva ao caderno reivindicativo entregue em Fevereiro, exigindo um aumento salarial de um euro por dia e um salário mínimo base de 600 euros para os trabalhadores com contrato a termo ou temporário. 
  • Greve dos trabalhadores da OTIS Elevadores (24/Jul) para reclamar aumentos salariais de 60 euros para todos os trabalhadores.
  • Greves de duas horas dos trabalhadores da Logística do Continente, na Maia (28-/Jul), para reivindicarem aumentos salariais, que não ocorrem há cerca de cinco anos.
  • No 2º dia de greve dos trabalhadores da Chronopost, em Valongo (29-30/Jul) a unidade de intervenção da GNR impediu a legal actuação do piquete. Em causa está o cálculo dos subsídios de férias e de Natal, contando as prestações complementares (trabalho suplementar, trabalho nocturno), uma compensação pelo acréscimo de encargos com transportes depois da mudança para instalações a cerca de quatro quilómetros, e a remuneração do trabalho suplementar sem os cortes impostos desde 2012.  
  • «Marcha dos Recibos» dos trabalhadores da SPdH, com greve parcial (31/Jul) por melhores salários, fim dos abusos na organização dos horários de trabalho e à proliferação da precariedade.

AGOSTO

  • Greves dos enfermeiros de um dia em cada uma das cinco ARS, durante 1ª quinzena, porque o Ministério da Saúde não está a cumprir o protocolo negocial que assinou há dois meses.
  • Greve dos funcionários do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras com funções não policiais (13-14/Ag) reivindicando melhores condições de trabalho. 
  • Greve dos trabalhadores da Naveprinter, na Maia (14/Ag) porque a administração recusou negociar as reivindicações apresentadas, entre as quais um aumento salarial de 50 euros. 
  • Greve dos trabalhadores de cantinas em hospitais e outros locais de trabalho (15/Ag), em protesto contra a violação do contrato colectivo no que diz respeito ao pagamento do trabalho prestado em dias feriados.
  • Greve dos trabalhadores do serviço fluvial da MoveAveiro (ferry entre São Jacinto e o Forte da Barra, na Gafanha da Nazaré) (19-24/Ag), contra cortes salariais de 100 a 300 euros e pelo reconhecimento da antiguidade na transição para a Câmara de Aveiro.
  • Greve dos trabalhadores dos Empreendimentos Turísticos Montebelo (Grupo Visabeira) (21/Ag) para contestar a decisão patronal de alterar a convenção colectiva que vigora há anos na empresa, o que impõe aos trabalhadores perda das diuturnidades, da majoração das férias, do subsídio de alimentação nas férias, do feriado do Carnaval e da progressão automática na carreira, entre outros direitos.
  • Greve dos trabalhadores da SPdH (29-39/Set) por uma revisão salarial e em «solidariedade para com os nossos colegas contratados e subcontratados».

SETEMBRO

  • Greves parciais dos trabalhadores dos transportes, na Transtejo (7-8/Set), na Soflusa (14-15/Set),  e Carristur (12/Set) contra os processos de subconcessão/privatização e pelo cumprimento dos acordos de empresa.
  • Novas greves de duas horas por turno dos trabalhadores da Logística do Continente (Grupo Sonae), na Maia (19-22/Set) por aumentos salariais, congelados há cinco anos.
  • Greve dos guardas prisionais do Estabelecimento Prisional do Funchal (11-20/Set) a exigir a substituição do director e outro responsável em comissão de serviço, devido à instabilidade gerada.
  • Novas greves na BA Vidro (19-22/Set) porque a administração rompeu as negociações do Acordo de Empresa e recusa repor os direitos contratuais que retirou ao pessoal.
  • Greves de enfermeiros no Hospital de Guimarães e na Unidade Local de Saúde do Alto Minho (hospitais de Viana do Castelo e Ponte de Lima, 13 centros de saúde, unidades de convalescença de Valença e Arcos de Valdevez) (25-30/Set), pela harmonização salarial.

Esta resenha dá seguimento a compilações feitas em anos anteriores (ver 2006200720082009, 2010, 201120122013, 2014). É elaborada a partir de uma recolha de notícias do jornal Avante! e sítios sindicais. É portanto incompleta, mas já dá ideia da intensidade da luta.

isto continua assim…

Aqui está uma boa imagem do que tem sido esta campanha eleitoral no sistema mediático. Quarta-feira antes do Domingo eleitoral, a SicNotícias entendeu fazer um debate convidando apenas representantes de PSD, PS, CDS e BE. Claro, mais uma vez um representante da CDU ou alguém desta área política ficou de fora.

Já aqui foi escrito e descrito com um forte exemplo, larguíssimos meses antes do início da campanha eleitoral, o que se fazia, porque se fazia, quais os objectivos e interesses, os responsáveis, os promotores e outros cúmplices deste tipo de discriminação, que sendo diária, em período eleitoral se agudiza e agrava com naturais e desejadas consequências eleitorais. Rigorosamente, ontem foi  só mais um momento a somar a tantos outros.
Mas que fique claro, ainda há gente séria a trabalhar na comunicação social, mesmo durante esta campanha eleitoral, sendo que neste blogue também já se citou um bom exemplo de um bom trabalho.

Há quem diga, num exercício de desilusão e frustração, que não vale a pena a denúncia, porque sempre foi assim, porque já se sabe, porque tudo fica na mesma…mas é importante não desistir. Porque é uma denúncia que comporta uma expressão do confronto político e ideológico, clarificando papéis e alianças. Não por acaso ao caso estão na imagem 3 ex-ministros de PSD, PS e CDS e um dirigente BE. Não foi por acaso que foi a CDU a única força parlamentar excluída.

Cinco aspectos têm que ficar desde já, salvo posterior aprofundamento, limpidamente claros:

1. A comunicação social dominante é hoje dominada, quer do ponto de vista económico quer facticamente nas opções editoriais, pelo grande poder económico nacional e estrangeiro, pelo Estado(e aqui por quem o dirige politicamente e ideologicamente) e pela igreja católica, sendo claro que serão sujeitos de simpatia dessa mesma comunicação social dominada os que sejam do agrado dos seus detentores que nomeiam, põem e dispõem nas chefias de redacção e direcção editorial os mais prestáveis para os mais miseráveis serviços;

2. Não é possível que nenhum democrata deixe de se sentir revoltado com os sucessivos episódios de rocambolescos e mal-disfarçados, quer sob a forma de notícia, quer em comentário(nas sondagens até as contas passaram a ser de sumir), episódios de discriminação da CDU;

3. É uma insídia para o Estado de Direito, o absoluto achincalhamento diário da Constituição da República e da vasta legislação sobre o sector, nomeadamente sobre a sua actuação em período de campanha eleitoral, bem como os silêncios comprometidos ou comprometedores(agora escolha o leitor) de quem tem por função cumprir e fazer cumprir a Constituição, mas também o alheamento ou abstenção da Entidade Reguladora da Comunicação e da própria Comissão Nacional de Eleições;

4. Não é expectável que os resultados eleitorais não sejam contaminados por aquilo que tem sido as preferências políticas e ideológicas dos poderes editoriais da comunicação social dominante;

5. Que fique claro a tudo e todos, quem não vive da comunicação social não morre pela comunicação social;

Continuamos na luta!

“Útil é não nos deixarmos enganar pela enésima vez” por Joana Manuel

No meio cultural e artístico há uma esperançazinha transversal de que, mesmo que não ganhe a alternativa mas apenas a alternância, ou seja, se tivermos um governo PS depois das eleições legislativas do próximo domingo, regresse no meio do nevoeiro essa saudosa entidade que levava por nome “Ministério da Cultura”.

Como todos sabemos, a Cultura foi um dos primeiros sectores a ver os seus ramos serem podados às cegas, numa lógica perfeitamente antidemocrática que se pode resumir numa citação directa do anterior secretário de Estado, Francisco José Viegas — o qual teve a sensatez de ficar doente a meio da legislatura e assim retirar com pés de lã o seu nome e o seu rosto das políticas inenarráveis que têm sido aplicadas nos últimos anos. E dizia o anterior secretário de Estado em reunião com uma estrutura artística no início da legislatura que agora termina: “mas que parte de ‘não há dinheiro’ é que não entendem?”.

Continuamos, na CDU, a responder a essa pergunta. Que parte de “não há dinheiro” é que não entendemos?

A parte BPN. A parte Velho Novo Banco.

A parte financiamento de turmas do ensino particular mesmo quando há oferta da escola pública na proximidade dos colégios, que é como quem diz, desvie-se as verbas do ensino público para o privado, todos pagamos, alguns aproveitam.

A parte só para o Banif foram 3 milhões de euros por dia enquanto se quadruplicava o preço das taxas moderadoras. A parte pagamos em juros de uma dívida obscura praticamente o mesmo que gastamos no Serviço Nacional de Saúde. A parte a facturação dos hospitais privados mais do que duplicou na última década, notícia de ontem.

A parte a TAP pode ser oferecida e nós a vermos.

A parte a EDP pode ser privatizada ao mesmo tempo que as pessoas passam a pagar 23% de IVA sobre o seu direito básico a ter electricidade em casa. A parte lucros da EDP aumentam 4% em 2014, para 1040 milhões de euros.

Que parte de “não há dinheiro” é que não entendemos? Todas estas partes. Ou melhor, entendemos: são mentiras. Não são “inverdades”, não são opiniões. São mentiras.

Na última edição do Expresso, Nicolau Santos escreveu este pedaço de prosa delicioso: “Por cá, alguém que não conhecesse o país suporia que foi o PS que esteve no Governo nos últimos quatro anos. Da direita à esquerda só se discute o PS, o programa do PS, as promessas do PS, os cortes na segurança social do PS, o acordo da troika que o PS assinou, o plano secreto que o PS tem para se aliar à CDU e ao BE para não deixar o centro-direita governar. A coligação Portugal à Frente acusa o PS de criar instabilidade e insegurança, a CDU e o BE acusam o PS de subscrever as políticas da direita.”

Mas meu caro Nicolau Santos, a CDU não só acusa, a CDU fundamenta a acusação.

Este caminho foi efectivamente aberto pelo PS — sim, já sabemos, se os tivéssemos deixado fazer o PEC27 havíamos de ter evitado a vinda da troika —, este caminho foi aberto pelo PS com os cortes nos salários e na função pública, na saúde, na educação, nos apoios sociais, com a precarização e a desvalorização do trabalho, as privatizações, e por aí fora e por aí fora e por aí fora.

E também na Cultura. Gabriela Canavilhas — ministra — cortou um quarto do financiamento no apoio às artes ao mesmo tempo que dizia que a verba enterrada no Novo Museu dos Coches não lhe dizia respeito. Ora se um ministro não tem peso dentro de um governo para reclamar o que está na sua área de acção, então bem pode ser apenas um secretário.

E é por isto que fugindo à tendência do sebastianismo institucional, o regresso da instituição “Ministério da Cultura” é coisa que nos alegra, com certeza que nos alegra. Mas moderadamente. Por vários motivos.

Porque tínhamos Ministério da Cultura quando começou a senda do cortar, como quem amputa membros saudáveis mas diz que é pelo bem do paciente.

Porque temos Ministério das Finanças, e o resultado é aquele que tão bem conhecemos.

Porque temos Ministério da Educação, com um ministro que sabe bem que 1+1=2 e por isso não é por incompetência que corta no Ensino Público para investir no Ensino Privado; que esvazia a escola pública como instrumento para ultrapassar desigualdades, como terreno de formação, experimentação e aprendizagem para a liberdade e a cidadania, e a transforma num centro de burocracia e de instilação da cultura do exame nacional — como se uma criança quebrada na quarta classe viesse mais tarde a ser um membro mais válido da sociedade só pelo facto de saber inglês suficiente para passar num exame.

Porque temos um ministério que já foi do Trabalho e que, agora que não há emprego senão uma fraca imitação precária, se chama “do Emprego”. Aliás, este tem, de entre todos, a minha designação preferida: Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social. E o resultado é a mascarada dos números do desemprego, o resultado é mais de um quarto dos portugueses no limiar da pobreza, o resultado são os reformados mais pobres da Europa e os jovens mais precários da história da nossa democracia.

Porque temos um Ministério da Agricultura e do Mar que liberaliza a plantação de eucaliptos e reza por chuva.

E falando em rezar, porque temos um vice irrevogável que em campanha vai visitar os estaleiros de Viana — que são um dos maiores símbolos da política de saque a que temos estado submetidos — e faz uma prece a Santa Luzia para que ilumine os trabalhadores e os leve a votar na PAF, no PSD/CDS. Cito Pacheco Pereira esta semana no Público: “Portas visitou-os com os patrões ao lado e grande cópia de jornalistas e câmaras, com o habitual chapéu de função, desta vez um capacete, batendo com os pés no chão de metal, como se fosse um general dum exército de ocupação. Mas quem é que quer saber?”

Nós, na CDU, queremos saber. Este mesmo Portas que num debate televisivo chamou “imposto” à inflacção, denunciando o que um imposto é para si e para os seus companheiros de ideologia: uma forma de saque aos cidadãos, em vez de um mecanismo de distribuição de riqueza, de fortalecimento do Estado como instituição que serve as populações e lhes garante direitos e serviços inalienáveis em democracia.

Ideologia. Por muito que tentem convencer-nos do contrário, é ideologia. Do primeiro corte à última reza a Santa Luzia.

E é por isso que dizemos, aos decididos e aos indecisos: útil é não nos deixarmos enganar mais uma vez. Útil é não nos deixarmos enganar pela enésima vez. Útil é votar na Coligação Democrática Unitária. Votar útil é votar CDU.

Em 1932, com 75 anos, uma quase cega Clara Zetkin discursou na abertura da primeira sessão do parlamento alemão depois da vitória eleitoral do Partido Nazi. Subiu à tribuna na sua qualidade de deputada mais velha do Reichstag, sob pateada geral, e disse-nos, também a nós, os de hoje, entre tanto mais, o seguinte:

“Para o governo, os que precisam de ajuda social e os que a ela têm direito são os grandes agrários endividados, os industriais falidos, os tubarões da finança, os armadores, os especuladores e os traficantes sem escrúpulos. Toda a sua política fiscal, aduaneira e comercial consiste em tirar às largas camadas do povo trabalhador para dar a pequenos grupos de favorecidos e agravar a crise, restringindo ainda mais o consumo, as importações e as exportações.

(…)
Não é o Estado que detém a economia, é a economia que detém o Estado.
(…)

Esta decadência deve-se, inteiramente, à social-democracia reformista, que se coloca, em teoria e na prática, no terreno podre da ordem social vigente. A política do governo Papen-Schleicher não é mais do que a continuação aberta da política do governo Brüning, tolerada pelos sociais-democratas, precedida ela própria pela política de coligação da social-democracia que lhe tinha aberto a via.”

A “terceira via”, atrevo-me a acrescentar. Em 1932.

Deixa-nos um pouco tontos, esta sensação de que estamos sempre a voltar ao princípio, sempre em círculos, num movimento vicioso. E estes círculos são traiçoeiros, é verdade, alimentam-se de si mesmos, é verdade, mas podem ser quebrados. Como qualquer ciclo vicioso, podem ser quebrados. Devem ser quebrados. E este é o momento para os quebrar. Este é o momento para romper. Romper com a alternância, romper com a resignação. E recomeçar a construir. Com a CDU. Para uma verdadeira alternativa, para encontrarmos soluções para um Portugal com futuro, mas primeiro que tudo para o Presente do nosso país. Para o nosso Presente.

Viva a CDU!

*Autora Convidada
Joana Manuel, actriz, candidata da CDU pelo Circulo Eleitoral de Lisboa
Intervenção proferida no Jantar-Comício realizado na Voz do Operário, 29 de Setembro

Uma cara, um discurso, uma empatia

João Gobern redigiu uma reportagem sobre um dia da campanha da CDU no Norte do país. O texto que abaixo se transcreve é um exemplo de um bom trabalho!
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“Jerónimo de Sousa e a CDU não morrem de amores por trípticos, como o famigerado “uma maioria, um governo, um presidente”. Ainda gostam menos da troika, presume-se. Mas um dia em três andamentos – um encontro, uma ação de rua, um comício – reforça a ideia de três missões eleitorais: resistir, desmistificar e crescer.

“Na terceira volta de um dia dividido em três momentos e por dois distritos (Porto e Aveiro), mantendo-se na sala sobrelotada da Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira a mesma temperatura ambiente antes garantida pelo sol, que brilhou para todos nós, e pelo entusiasmo militante, lembro-me do título de um filme. Contava a vida de Thomas More (1478-1535), que gostava de pensar pela sua própria cabeça e acabou por perdê-la, diante do libidinoso poder de Henrique VIII. O filme chamava-se, na língua original, A Man for all Seasons. O que, em tradução literal (que dá jeito, como se verá), poderia desaguar em algo de parecido com “Um Homem para Todas as Estações”, salientando o oposto de qualquer alusão camaleónica, sublinhando, isso sim, a ideia de alguém que dispensava diferentes máscaras para se afeiçoar a distintos ambientes.

Foi assim que vi e li Jerónimo de Sousa, igual, uno e indivisível (passe a expressão), num “encontro com artistas, intelectuais e quadros técnicos”, depois no contacto direto com a população de Gondomar e, por fim, a jogar em casa no comício da Feira: sempre o mesmo homem, sem inflexões no discurso, sem constrangimentos, sem cosmética. À saída do comício, que, de acordo com alguns jornalistas “residentes” da campanha da CDU, lhe terá rendido a melhor intervenção de toda a campanha, até pela introdução do humor na abordagem aos adversários, cruzamo-nos pela terceira vez. Sinto-o naturalmente cansado (pudera…) depois do empolgamento alguns minutos antes, mas bem-disposto, com a certeza dos pontos marcados em três frentes. O mesmo homem para todas as ocasiões, característica ou qualidade que não se distribui a outros dos que, por estes dias, dão a volta a Portugal, os que variam o modelo consoante as audiências. Aqui, com maior ou menor inspiração nas intervenções, a ausência de surpresas – e, muitas vezes, dos soundbytes que estão como a fast food para o jornalismo, “enchendo” mais do que alimentando – vale uma contrapartida na constância das palavras.

A cara

Quando Jerónimo de Sousa chega à Cooperativa Árvore, já os apoiantes da CDU aguardam o secretário–geral comunista gozando o sol resistente do outono, ou resguardando-se da sua intensidade. Percebo rapidamente um deslize indumentário: entre mais de uma centena de presenças, só há três gravatas – a do veterano presidente da direção da Árvore, Amândio Fernandes Secca, a do ex-deputado Honório Novo (chamado a mestre-de-cerimónias) e a minha. Falta de prática, sem drama de maior. O líder da CDU entra, faz questão de percorrer um a um os pequenos grupos em que, sem ordem de trabalhos, se discutem os calores da política, as dúvidas quanto ao futuro que se desenhará a partir de segunda-feira, os refugiados e a fragmentação europeia, os méritos persistentes das atividades da Árvore, mas também o prolongamento estival e o futebol de fim de semana. Já se ouviram desabafos: “É pena que, nestas coisas, só venham aqueles que não precisam de ser convencidos. Isto devia chegar aos que andam indecisos ou aos que, aparentemente, desistiram de participar.” De acordo, mas não é esse um problema transversal à maioria dos momentos de campanha dos partidos e coligações que dificilmente chegarão ao governo?

Nem neste ambiente, faltam os momentos para a fotografia, no sentido literal, com pedidos de selfie ao disponível deputado, e no sentido figurado: Jerónimo de Sousa pega ao colo numa criança que lhe arranca uma gargalhada franca, quando lhe confessa que, quando for grande, quer ser primeiro-ministro. Algo a que, sejamos realistas, o próprio político não aspira. Vinho branco e vinho do Porto regam o encontro, temperado por umas tapas que se distribuem sem privilégios, a cada um de acordo com as respetivas “necessidades”.

A partir das escolhas do “convidado de honra”, Pedro Estorninho, do Teatro Ensaio, lê poemas de Vinicius de Moraes (O Operário em Construção, obviamente) e Manuel da Fonseca. Mas até a dimensão dos poetas se encolhe momentaneamente quando Jerónimo de Sousa agradece aos artistas e intelectuais “os momentos de alento” nos tempos difíceis. Denuncia a “mercantilização da cultura, subordinada pela economia”. Indigna-se com os cortes, 75%, não menos do que isso, nos apoios públicos às Artes. Revolta–se com o desprezo a que os governantes (os de hoje e os de ontem, que o Partido Socialista acaba sempre empurrado para a moldura do arco) trataram a ciência a investigação. Aponta a emigração de quadros como um mal de dimensão ainda imprevisível. E propõe, olhando as parcelas contempladas no Orçamento, um evidente reforço nas verbas tocantes à Cultura: dotar este setor de 1% do total. Acrescenta a nota do dia, com referência direta a António Costa, disposto a trocar um Ministério da Cultura por um “governo da Cultura”, percebendo-se que não vê aqui mais do que uma fanfarronada inconsequente.

Pelo meio da intervenção, específica, cirúrgica, ficam as grandes linhas de força que voltarão a ouvir-se pelo dia fora: a promessa de uma política “patriótica de esquerda”, para a qual se torna imprescindível a “desmistificação” do voto útil; a ideia de que o reforço da votação na coligação dos comunistas com os ecologistas carrega mais e maiores garantias à obstaculização das “políticas de direita”, venham elas dos partidos atualmente no poder ou do PS. Quer dizer: nesta primeira realização, fica claro o objetivo de fixar apoios e eleitores. Entre os presentes e os que, segundo Honório Novo, não quiseram deixar de explicar as ausências e de enviar mensagens de saudação e de solidariedade, casos do arquiteto Siza Vieira e do historiador Manuel Loft. Primeiro passo: cumprido.

O discurso

O fim de tarde continua a fintar ventos, nevoeiros ou friagens. Do alto de um palanque que permite a toda a gente que se distribui por um jardim ver o secretário-geral e o cabeça de lista da CDU pelo distrito do Porto, Jorge Machado, fazem-se os discursos, depois de percorridas, com mobilização assinalável, as ruas de Gondomar. Há um cuidado natural desta coligação em somar o local ao geral, daí o destaque para a presença do candidato do distrito, que se encarrega de desfilar aquilo que entende como os atropelos da governação na sua área da influência. Ainda que o quadro se repita, um pouco por toda a parte: as machadadas no Serviço Nacional de Saúde, o encerramento de escolas, a subida do desemprego. Ora se o retrato apresentado equivale ao do país, acaba por ter um impacto forte nas populações o zoom sobre os problemas que enfrentam em casa e perto dela. No caso concreto, a escala em Gondomar também funciona como prémio à militância dos habitantes de São Pedro da Cova cuja terra, mesmo unificada em freguesia com Fânzeres, de acordo com a reforma administrativa de 2013, manteve uma maioria CDU – um sinal daquilo a que os comunistas e seus aliados gostam de chamar “política de proximidade”.

Outra forma de a praticar permite a Jerónimo de Sousa um exercício em que se mostra exímio, porque nunca se desliga de uma autenticidade que impede até votantes de outras forças políticas de algum comentário desagradável ou, sequer, de lhe negarem um aperto de mão. No centro do desfile, em que alguém explica a uma apoiante mais espontânea, que tenta lançar a palavra de ordem “vota CDU, quem fica a ganhar és tu”, que há uma componente “individual e egoísta” nesse grito que não sublinha as verdadeiras vantagens de tal voto e que talvez seja melhor ficar-se pelo clássico “a CDU avança, com toda a confiança”, o secretário-geral comunista ziguezagueia no percurso, não no discurso. Não deixa abraço por dar a quem se mostra recetivo, reservando “um bacalhau” aos que parecem mais retraídos. Arrasta atrás de si os que o rodeiam, expondo-se pela imprevisibilidade dos seus passos, a comentários desagradáveis que, registe-se, não aparecem. À porta de uma loja que distribui cigarros eletrónicos, um homem lamenta-se: “Tenho mesmo pena que este gajo seja deste partido… Se fosse de outro, gosto tanto dele que lhe dava o meu voto. Mas assim…” Não há um incidente, uma provocação, uma buzinadela de descontentamento mesmo nas passagens em que o trânsito é interrompido ou retardado. Na cadência de um para arranca ao sabor da condução do líder, naquilo que poderia tornar-se o momento mais desgastante da jornada, Jerónimo de Sousa parece recarregar baterias com as pequenas conversas, com as questões que lhe saltam ao caminho, quase sempre protagonizadas pelos espoliados da vida, com as explicações que entende dar e as propostas que deixa, evitando promessas. Aos 68 anos, liderando o Partido Comunista Português há mais de uma década, este homem sabe que dificilmente chegará a um governo, a menos que a geografia política seja tingida de uma forma radicalmente diferente. Mas resiste, em nome das (suas) ideias. Pobre será a analogia, mas há um momento que me recorda uma velha anedota. “O teu casamento foi por amor ou por interesse? Só pode ser por amor, que aquilo interesse não tem nenhum…” Com Jerónimo de Sousa, se a dicotomia proposta andar entre a ambição e a convicção, a resposta surge, transparente: só pode ser convicção, que a ambição – de poder, leia-se – não passa por aqui.

A empatia

Há precisamente vinte anos, na campanha que levaria António Guterres a São Bento, tive a oportunidade de – também por um dia, em toca-e-foge com a caravana CDU, na ocasião por terras alentejanas, bem mais chegadas à causa – acompanhar Álvaro Cunhal. Se Carlos Carvalhas já era o secretário-geral comunista desde 1992,Cunhal valia muito mais do que um símbolo ou do que uma “presidência honorária”. Se todas as comparações podem tornar-se odiosas, sobretudo se as submetermos a uma qualquer valoração, há algumas que podem justificar-se – é o caso. Desses contactos fugazes (tendo conhecido Cunhal em 1985 e no cenário muito especial de um Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, realizado em Moscovo), ressaltam algumas particularidades: o autor de Até Amanhã, Camaradas, obviamente amado pelos seus correligionários, era acima de tudo respeitado. A sua palavra parecia passar como lei, mesmo que fosse largamente discutida no foro interno. Talvez em função da sua origem, de uma base intelectual imensa, até das prisões e do exílio a que foi sujeito, Cunhal não alcançava o tal grau de proximidade interpares que Jerónimo de Sousa pode facilmente reivindicar. Lembro-me bem do olhar de um, perscrutante e penetrante como conheci poucos. Com Jerónimo, sem implicações na convicção, há mais vizinhança, mais familiaridade. E os seus camaradas exultam com essa acessibilidade fraterna.

O discurso da Biblioteca de Santa Maria da Feira acaba por espelhar precisamente esta linha de atuação: às traves-mestras do que a CDU quer fazer passar, aumentando a intensidade nos últimos dias de campanha mas sobretudo reafirmando uma linha política que se orgulha do desempenho de oposição mais constante e mais coerente nos últimos quatro anos, no Parlamento mas também fora dele (lá vem outra vez a proximidade), Jerónimo acrescenta o humor. Quando compara o PS de uma determinada fase a “um peru do Natal”, cheio de si mas angustiado, condicionado pelas “abstenções violentas” diante das moções de censura da CDU. Ou quando evoca uma expressão, “felizmente caída em desuso: a do filho de pai incógnito”, que seria o memorando assinado com a troika que, afinal, não teve pai (PS) nem mãe (PSD), “Nem mesmo padrinho, que temos de deixar um espacinho para o CDS”.

Ouvem-se-lhe frases fortes, nomeadamente quando dá eco a quem acusa a CDU de estar sempre a atacar o PS: “O estranho é eles, PS, não se lembrarem que não estiveram em nenhum dos grandes combates.” Quanto a algumas propostas de António Costa, a resposta chega com ironia: não lhe chamem ataques, vejam-nos “como pedidos de esclarecimento”… Diz-se farto de, em tantos anos, andar a ver “sempre o mesmo filme, rebobinado”. E reafirma que o lugar da CDU será sempre o mesmo, diante dos desrespeitos e dos atropelos aos trabalhadores, frente às injustiças.

A sala estava cheia, ao ponto de se admitir um ligeiro erro nas expectativas – pensou-se “por baixo”. A escolha de Santa Maria da Feira esteve longe de ser aleatória: Aveiro é um dos distritos, tal como Coimbra, em que a CDU espera recuperar um deputado em tempos perdido. Coube, aliás, a Miguel Viegas, cabeça de lista pelo círculo, abraçar os problemas das terras que pretende vir a representar: pensar localmente para agir globalmente. Uma vantagem clara desta coligação: nem Tonis nem Quins, nem vedetinhas musicais de ocasião. Ouviram-se – e bem – canções de Fausto e Carlos Puebla, folclore açoriano e a Trova do Vento Que Passa. Em aparte, a coligação confirmou-se económica e ecológica: no final, foi lançado o apelo para que fossem devolvidas à estrutura as bandeirinhas que serviram para engalanar a sala e para animar as imagens recolhidas.

Jerónimo de Sousa sai da sala em passo rápido. Onze horas depois voltará a estar na rua, bem mais a sul, com a mesma cara, com muitas das mesmas palavras – sendo hoje nitidamente preconceituoso falar de uma “cassete” comunista, de tal forma foi renovado o léxico -, com todas as ideias. Por certo, também com a ambição de conseguir que pelo menos um em cada dez votantes acabe por decidir-se por esta cor política. Para fecho, a pergunta que se tornou tradicional: comprava a este homem um carro em segunda mão? Claro que sim, “com toda a confiança”. Não seria o único, reconheço. Mas também não seriam assim tantos. A ele, até o desafiava para uma converseta mais amena, mais circunstancial. Nem que fosse para abordarmos o futebol, que tanta urticária causa a quem não o percebe. Não acontece, ao que me dizem, com o secretário-geral comunista: segundo fontes geralmente bem informadas, Jerónimo de Sousa é bom de bola.”

João Gobern, Reportagem: Uma cara, um discurso uma empatia in Diário de Notícias 29/9/2015

15 falácias para não votar CDU

Volvidos 39 anos de retrocessos sociais marcados pela continuada aleivosia de três partidos (PS, PSD e CDS-PP) que se alternam, ufanos, no poder, muitos portugueses parecem presos, na hora de votar, a velhos preconceitos. Extraordinariamente, mesmo diante de uma força política diferente e com décadas de provas dadas, há quem aposte por castigar a austeridade do PS votando no PSD, para, no acto eleitoral seguinte, punir o PSD votando no PS, (que desta vez é que vai ser diferente, não é?). A má notícia é que as arreigadas (mas espúrias) crendices sobre a exequibilidade política da CDU têm vaticinado o país a prosseguir o mesmo caminho de pobreza e injustiça. A boa notícia é que os argumentos de quem se recusa apaixonadamente a ver o óbvio são, regra geral, fáceis de compilar e desmontar.


1- «Os políticos são todos iguais»

Quem diz isto está secretamente a pensar nos três partidos em que andou a votar este tempo todo. É normal que depois de percorrer a cruzinhas os três partidos dos patrões, se descubra que têm ‘todos’ a vocação de reduzir salários, aumentar a carga de trabalho e cortar direitos. Por outro lado, aos 25 homens mais ricos do país que, no ano transacto, viram a sua fortuna aumentar para 14 mil milhões de euros num ano, convém que se acredite que «é tudo a mesma merda». Mas não é, como também não é igual taxar ou não taxar as grandes fortunas; como não é igual aumentar ou não aumentar o salário mínimo. É na prática e não em juramentos que se vê de que é feita cada força política. Ninguém, em honestidade, pode afirmar que os últimos governos têm defendido os interesses dos trabalhadores. Por outro lado, ninguém é capaz de dar sequer um exemplo de uma traição da CDU aos interesses de quem trabalha. Logo, iguais não são.


2 – «Já sei que não vão ganhar»

Se acreditamos que existe alternativa ao empobrecimento e à austeridade, é porque acreditamos que é possível uma alternativa política. Não serão nunca os mesmos partidos políticos que nos puseram no buraco a tirar-nos dele. O nosso voto pode ser justificado pelas propostas de cada partido, pela nossa experiência enquanto eleitores, mas nunca por empresas privadas de sondagens com amostras de 300 pessoas nem por comentadores pagos para pensarem por nós e que escondem, dentro de anafadas carteiras sob os seus rabos prolixos, o cartão de militante do PS/PSD/CDS-PP. Mais ainda, ao contrário da mentira amplamente difundida na comunicação social, nestas eleições não vamos eleger um primeiro-ministro, mas deputados que se candidatam por cada círculo eleitoral. Já basta do Sócrates, do Passos Coelho, do Armando Vara, do Cavaco Silva, do Duarte Lima, do Paulo Portas e do Dias Loureiro.


3 – «Mais vale votar no PS para não ganhar o PSD»

Votar útil no PS é como assinar um cheque em branco que termina sempre em arresto de bens. E se dúvidas sobrassem, veja-se a sintomática a recusa de António Costa em comprometer-se com um aumento do salário mínimo nacional: se o PS ganhar as eleições, atira o assunto para cima da mesa da improfícua «concertação social» e faz figas que os patrões decidam subir os salários. Se não o fizerem, é lá com eles. Querer que o PS ganhe para não ganhar o PSD é querer levar um pontapé na canela para não levar um murro no estômago. Foi o PS que criou as taxas moderadoras nos hospitais, as propinas nas universidades, os recibos verdes e metade de todos os cortes aos direitos dos trabalhadores desde 1975.


4 – «São um partido de protesto»

Ao longo dos últimos 39 anos, todos os governos têm contribuído para a destruição do país. Neste quadro, os partidos que se recusaram a juntar-se à pilhagem a troco de poleiro e tachos não são «de protesto», são de classe e de gente séria. A CDU tem um programa de governo detalhado, com respostas concretas para os problemas do país. PCP e PEV concorrem a estas eleições com um projecto que valoriza o trabalho e os trabalhadores, afirmando o papel social do Estado na economia e restituindo o governo e os serviços públicos ao serviço de quem trabalha. É um programa corajoso para taxar as grandes fortunas e devolver aos trabalhadores o que foi roubado, recuperando a necessária soberania nacional e exigindo a renegociação de uma dívida que, nestes moldes, é impagável.


5 – «É preciso um partido novo com ideias modernas»

A conclusão de que falta mais um partido modernaço é um clube esotérico a que se chega por quatro vias, a saber: a) através de boas intenções e desconhecimento dos partidos que já existem; b) pelos preconceitos expostos nesta lista; c) num concurso para ser o Paulo Portas do António Costa (sim, estou a olhar para ti, Rui Tavares); d) por meio de uma devastadora vaidade extrema e de um desejo burlesco e traiçoeiro de um dia ser chefe (p.f. não digam ao Gil Garcia onde eu moro). A crença de que são precisos novos partidos é fruto da incapacidade de compreender que em política a forma é sempre acessória do conteúdo. A prova provada é que no fim, os «novos partidos» soem acabar com «velhos problemas»: a fazer copy paste das propostas dos outros e à bulha para ver quem é que fica com o mítico mandato de Lisboa.


6 – «Se saíssemos do Euro estávamos perdidos»

A CDU, o PCP e o PEV foram as únicas forças políticas portuguesas que se opuseram inequivocamente à entrada de Portugal na moeda única, alertando para as devastadores consequências económicas que o presente se encarregou de comprovar. Cada vez mais, o euro é sinónimo de estagnação, recessão, desinvestimento, desemprego, endividamento, descontrolo orçamental, precariedade, redução dos salários e aumento da exploração. Porque aceitar cegamente a chantagem do euro só beneficia o chantagista, a CDU propõe que se estude e prepare a saída da moeda única de forma a garantir que essa solução, cada dia mais inevitável, possa ser gerida por um governo que proteja os interesses dos trabalhadores. Aqueles que, irresponsavelmente e diante do drama da Grécia, se benzem quando ouvem falar de uma saída do euro, preparam-se já para ser os carrascos de uma saída precipitada, e talvez forçada, que serviria para agudizar ainda mais a exploração.


7 – «Eu voto nos mais pequenos»

O problema não é a dimensão dos partidos, é o que eles defendem e quem eles representam socialmente. Votar num partido só porque ele é pequeno é o mesmo que ir uma farmácia e beber «só um bocadinho» de um frasco escolhido aleatoriamente.


8 – «O capital fugia do país»

Se a CDU fosse governo no dia quatro de Outubro, homens como Américo Amorim, Belmiro de Azevedo ou Soares dos Santos não ficariam, certamente, divertidos com a notícia, mas mesmo assim não tirariam o dinheiro. Porquê? Primeiro porque mesmo em menor escala, continuariam, a médio prazo, a conseguir grandes lucros. Por outro lado, porque parte do capital é extremamente difícil de deslocalizar: sobreiros, hipermercados, fábricas e aparelhos empresariais que só valem fortunas se bem implantados e com mercados estabelecidos. Finalmente, o Estado é soberano para nacionalizar, confiscar, expropriar ou deter quaisquer capitais indispensáveis ao interesse nacional.


9 – «Não é possível na UE»

Este é um argumento verdadeiro mas que esconde uma falácia. Efectivamente, é muito provável que não fosse possível construir um país mais justo dentro das amarras e imposições de uma União Europeia controlada por potências estrangeiras que não estão interessadas no bem-estar dos trabalhadores portugueses. Mas, nesse caso, a escolha não é só entre a soberania e a UE, é entre a possibilidade de uma vida melhor e a sentença a que nos votou a UE: sermos uma estância turística de mão-de-obra barata, sem fábricas, sem pescas, sem agricultura, com poucos serviços públicos e muitos miseráveis. Nesse caso, a CDU escolhe um país livre, soberano e ao serviço dos trabalhadores.


10 – «Vocês gostam de ditaduras»

O PCP não se limita a defender, no seu programa, uma democracia mais plural, participativa e verdadeira, tem um projecto e um modelo concretos de democracia: a Constituição da República Portuguesa. Essa democracia por que luta a CDU não se extingue nas urnas de voto, estendendo-se ao acesso à saúde, à cultura e à educação, traduzindo-se na liberdade de intervir e de mudar. Mais ainda, não há partido em Portugal com credenciais democráticas superiores às do PCP: foi ele que durante quase meio século arriscou tudo para derrubar a ditadura fascista; Enquanto os militantes comunistas se dispunham a perder a liberdade e a vida no combate pela democracia, uma geração inteira de futuros Presidentes da República, comentadores, ministros e vendedores de banha da cobra aninhavam-se nas instituições fascistas afiançando estar «integrados no regime».


11 – «Estivemos a consolidar as contas com sacrifícios»

Que contas são essas? O défice aumentou para 7,2%, a dívida pública cresceu para 130% do PIB (qualquer coisa como oito milhões de euros por dia) e os salários caíram, pelo menos, 10% desde que a «crise» começou. As únicas contas que, com os nossos sacrifícios, ficaram melhor consolidadas são as contas da Jerónimo Martins na Holanda e a do Cavaco no BPN. A consolidação é para as contas privadas deles, o desgoverno, a crise e a austeridade são para as nossas. Não é possível equilibrar as contas sem um aparelho produtivo forte, salários dignos, soberania económica e financeira e justiça fiscal.


12 – «Abstenção, voto nulo ou branco»

Consideremos uma amostra de 100 pessoas. Destas, 60 optam por nem ir à mesa de voto, outros dez votam em branco e cinco preferem inutilizar o voto. Ficamos com 75% de não-votos. Contudo, os outros 25% vão votar. Suponhamos então que o PS arrecada 10 votos, a PàF conta 8 votos, a CDU 4 votos e, por fim, 3 para o BE. Consequentemente, este parlamento hipotético seria formado com base nos seguintes resultados: PS – 40%; PàF – 32%; CDU – 16% e BE – 12%. Quando a CDU apresentasse, nesta assembleia, um projecto para aumentar os impostos sobre os produtos de luxo ou devolver os subsídios roubados, a imensa maioria dos deputados voltaria a fazer o que sempre faz: defender os mais ricos. Os três partidos da troika iam continuar a governar a seu bel-prazer apesar de 75% dos eleitores terem optado por deixar a decisão na caneta de apenas 25%. A nossa força está no voto consequente, no voto que não se verga perante os podres poderes instituídos. E se os não-votos equivalessem a cadeiras vazias, o resultado era o mesmo: as cadeiras ocupadas continuavam a decidir. Não votar, votar em branco ou votar nulo é não ter opinião formada sobre a nossa casa ser assaltada, é votar tacitamente nos mesmos que nos arruínam a vida.


13 – «Mas não há dinheiro»

Se o problema é receita e despesa, a CDU tem soluções: poupe-se 6,7 mil milhões de euros renegociando a dívida; tribute-se os lucros e dividendos das super-fortunas, aumentando a receita fiscal em 9,3 milhões; ataque-se evasão fiscal , arrecadando 3,5 mil milhões de euros; corte-se em 50% as contratações de serviços externos ao Estado, encaixando mais 600 milhões; renegoceie-se as Parcerias Público-Privadas e os ruinosos contratos swap. Mas, no essencial, a proposta do PCP para aumentar a receita centra-se na valorização do trabalho. Por exemplo, uma redução de cem mil desempregados permitiria um acréscimo directo de 900 milhões às receitas da segurança social, a par de um aumento da receita fiscal de 1,1 mil milhões de euros. Os partidos que dizem que não há dinheiro falam em nome de quem o tem todo guardado.


14 – «Voto na PàF para não ir para lá o PS outra vez»

Ver número 3, só que ao contrário.


15 – «Lobby gay! Quando a minha mãe me pariu isto não era assim!»

Ninguém estava a falar contigo, Marinho e Pinto.