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A soirée no CCB sobre as sufragistas

A propósito do filme «As Sufragistas» a NOS organizou uma exibição no CCB e uma visualização do filme, com um debate onde apenas estavam representados PS e PSD e com a presença das seguintes «ilustres»:

Maria de Belém Roseira e Manuela Gonzaga, São José Lapa, Maria Rueff, Barbara Guimarães, Jessica Athayde, Raquel Strada, Rita Ferro Rodrigues, Iva Domingues, Silvia Rizzo, Mónica Jardim, Leonor Poeiras, Ana Marques, Catarina Morazzo, Alberta Marques Fernandes, Raquel Prates, Ana Rocha e Anabela Teixeira.

Com excepção de São José Lapa (pelo seu património de intervenção, mesmo que muitas vezes discorde de algumas das opções), pergunto-me, com tristeza e alguma angústia, que evento é este. O movimento sufragista fez-se com luta, com resistência, com coragem. Sendo este filme essencialmente sobre o movimento sufragista inglês, a luta das mulheres pelo direito ao voto, pela igualdade, sendo na sua natureza um movimento burguês, cruzou-se muitas vezes com a luta pela redução do horário de trabalho, pelo aumento dos salários, pelas reivindicações operárias e acabou por estar na origem do Dia Internacional da Mulher em 1910 (consagrado em 1911).

Alice Paul foi presa, torturada, fez greve de fome.

Ines Millholand morreu num comício pelo direito ao voto.

Em Lisboa, faz-se uma soirée em que partidos (do PSD era a Teresa Leal Coelho, por deus… e Isabel Moreira, que vou escusar-me a qualquer comentário) que destroem os direitos das mulheres e mulheres que nunca se envolveram politicamente em qualquer luta.

Sinto vergonha e sinto-me apoucada por transformarem momentos históricos de transformação do mundo em eventos sociais, à imagem da desvalorização e tentativa de obnubilação da raíz história do Dia Internacional da Mulher (com as flores, os strippers, os poemas, a sublimação da imagem/corpo).

É fazer exactamente o contrário do movimento sufragista, dos movimentos de luta pelos direitos das mulheres.

E pergunto-me, o que passará na cabeça destas «personalidades» quando se atrevem (sim, é mesmo um atrevimento) a dar a cara por um momento histórico que provavelmente desconhecem e em relação ao qual nada fizeram, no seu tempo de vida, para dar continuidade?

E não, não estou a ser sobranceira. Não é preciso ser pobre, operária, estar presa ou fazer greve de fome. Mas é preciso ter consciência de classe e lutar. E estas, nunca caminharam ao nosso lado.