Não nos encostam à parede. Queremos casas para viver!
Do ponto de vista histórico, a burguesia perante as profundas crises económicas e sociais, que caracterizam a dinâmica de funcionamento do sistema capitalista, encontram no fascismo uma barreira tolerável, um mal menor do seu prisma, às movimentações populares e reivindicativas que ameaçam a sua ordem social.
Depois do fim da União Soviética, tentaram convenceram-nos de que a história havia acabado. Restava-nos o capitalismo para o resto da nossa existência enquanto humanidade. Como uma doença silenciosa, fizeram-nos acreditar que os sindicatos eram nossos inimigos, que as colectividades eram algo fora de moda e que os partidos comunistas estavam ultrapassados. Fomos domesticados e as cidades foram higienizadas. Passámos a gostar de ruas cheias de anúncios publicitários, das praças vazias e do silêncio.
A anunciada abstenção do PS ao Orçamento do Estado para 2027, quando ainda não se conhece o documento final, é, resumidamente, a subscrição da ação política deste governo (PSD/CDS) e, pior, o esvaziamento da discussão orçamental e do poder conferido à Assembleia da República.
Não precisamos de recuar muito no tempo para recordar Durão Barroso anunciando aos portugueses que a liberalização dos preços dos combustíveis ia baixar os preços da gasolina e do gasóleo. Da mesma forma, não precisamos fazer um grande esforço para relembrar que tal nunca aconteceu. Na verdade, o preço dos combustíveis desde a liberalização em 2002 até hoje só parou de subir nos tempos da epidemia de COVID, retomando a escalada logo a seguir.
As canções folk norte-americanas funcionam como documentos históricos. Guardam a imensa e insubmissa capacidade de trazer até nós o seu contexto -guardam secas, mortes, deslocações, greves – mas também uma espécie de espaço afectivo colectivo, vivo – guardam obstinação, resistência, esperança.
Estas canções não dizem apenas do seu presente. Persistem nelas artefactos do passado e, em simultâneo, qualquer coisa ainda disponível no futuro; de voz em voz, terra em terra, são uma espécie de construção incessante de cartografia oral viva, aberta a todos os trabalhadores e apta a orientar-nos, ainda hoje, perante (e através) das complexidades do tempo, dos sistemas de organização social e da própria condição humana.
Trabalho, educação e a reconfiguração do poder de classe