Transformar agressores em vítimas: A caça aos antifascistas em França

Não é assim que a história está a ser contada pelos órgãos de comunicação social mas há cinco dias um elemento fascista, Quentin Deranque, acabou morto, em Lyon, depois de uma tentativa de boicote contra uma conferência de esquerda. De seguida, a presidente do parlamento francês, Yael Braun-Pivet, proibiu a entrada no edifício de Jacques-Elie Favrot assessor parlamentar de Raphael Arnault, deputado da França Insubmissa, para quem o próprio governo pede também a perda de mandato, apenas porque no passado militaram na Jeune Garde, organização antifascista acusada agora de matar Deranque. 

Entretanto, grupos neonazis anunciam caçadas contra os “vermelhos”. No domingo, em Lyon, vários fascistas atacaram com barras de ferro membros do comité de solidariedade com a Palestina. Sucedem-se os ataques contra espaços de esquerda, com a sede da França Insubmissa, em Paris, a ser alvo de uma ameaça de bomba esta quarta-feira, num contexto em que a extrema-direita pede a proibição deste partido que, integrado na Nova Frente Popular, ficou à frente nas últimas eleições legislativas. A narrativa agora é a de que a “extrema-esquerda violenta” atacou “jovens católicos pacíficos”.

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Trump, ouve bem: nós defenderemos Cuba

Como se contra Cuba não bastassem 66 anos de bloqueio económico, uma invasão e dezenas de atentados terroristas, a Casa Branca agora quer cometer um genocídio. Meço bem a palavra: genocídio. Proibir a entrada de combustível na ilha é deixar hospitais sem electricidade, paralisar a agricultura, impedir o transporte de alimentos e medicamentos e destruir o turismo e a economia da ilha. É tentar matar milhões de pessoas. É um cerco medieval perverso, cruel e ilegal.

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OCDE: Que trabalhem os velhos

Acaba de ser divulgado o pomposamente chamado “Economic Survey Portugal 2026”, um relatório de análise económica da OCDE sobre Portugal. Claro que estes relatórios não se cingem nunca aos números e aos factos, deixando as interpretações para a liberdade de cada um; trazem antes consigo um bom conjunto de «explicações», considerações subjectivas e parciais, que visam influenciar as decisões de quem governa. E são essas explicações, claro, que constituem «notícia». Sendo a OCDE um organismo instrumental que visa alimentar e promover a economia de mercado dentro da UE, é fácil perceber a quem serve e que reais objectivos visa. Deste último «relatório», emana um apelo extraordinariamente contundente e bastante claro por tão desavergonhado: para melhorar a vida da população e da economia, que trabalhem os velhos.

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Não podem raptar Bolivar. Não podem capturar Chávez. Não podem matar a revolução.

Vejam como o imperialismo faz o que quer: um país arroga-se o direito de decidir que presidentes derrubar e sequestrar. Vejam a hipocrisia: a UE dos valores e do direito internacional, diz-nos que afinal até pode ser porque nem gostava de Maduro. Vejam o cinismo: todos os partidos sociais-democratas e liberais, do BE ao PS, que, durante anos, reproduziram a narrativa mentirosa do imperialismo sobre o malvado regime de Maduro, vêm agora carpir lágrimas de crocodilo pela morte do mítico “Direito Internacional”.

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O «doce pastel de nata»: quem o faz e quem o come

«Doce como um pastel de nata». Foi com esta metáfora gastronómica que a revista The Economist se referiu recentemente à economia portuguesa, atribuindo-lhe o «melhor desempenho em 2025 entre 36 países maioritariamente desenvolvidos». O artigo é um mundo de elogios em catadupa: uma «combinação de crescimento do PIB acima da média europeia», a «inflação perfeitamente controlada» e uma óptima «valorização do mercado accionista», entre os factores que mais se destacam no famoso «desempenho» que coloca Portugal no top 40 do «sucesso económico» mundial. Resumindo e concluindo: isto está óptimo, uma maravilha. Só não disseram é para quem.

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A burla da burca

Fotografia Renata Giraldi

É já antiga a tradição política em Portugal de nas épocas de discussão orçamental e outras reformas virem a plenário iniciativas legislativas de pouca relevância e que entretenham a opinião pública, os romanos chamavam-lhe pão e circo e o método atualizado produz efeitos similares, pois que numa semana de tão importantes e negativos desenvolvimentos para o país e os trabalhadores o mediatismo caiu na proibição do uso da burca.

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O custo da dignidade é o ódio dos oportunistas.

O que os mói e corrói não é apenas o facto de a CDU não ter estendido a passadeira vermelha ao PS para a CML, como fizeram os outros ditos de esquerda em bloco e livre.

O que os irrita, não é sectarismo, nem ortodoxia, nem mesmo o facto de o candidato da CDU ser, de longe, o único na corrida do trabalho, honestidade e competência, deixando os concorrentes a correr em sentido contrário ao da meta.

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