O avesso da guerra imperial contra o Irão é a guerra social contra os EUA: aquilo que por fora faz pontaria às crianças iranianas, aponta por dentro às crianças americanas. Dito de outro modo: os planos de explodir o Irão ameaçam implodir os EUA. Assumiu-o Trump, sem flores de retórica e com lixo entre os dentes, no início do mês: «Não podemos tratar das creches, do Medicare, do Medicaid [programas de saúde pública para os mais vulneráveis]. Todas essas coisas individuais… podem ser os Estados a tratar disso. Só temos de tratar duma coisa: protecção militar (…) Estamos a fazer guerras, não podemos tratar das creches». Dois dias depois, o magnata apresentou o orçamento para 2027: mais 445 mil milhões para a guerra, um aumento de 42% em relação a 2026 para uns fabulosos 1,7 biliões de dólares (quase seis vezes o PIB de Portugal). Se o avesso de um número é uma quantia negativa da mesma coisa, uma precisa ausência quantificada, uma falta que se sente, então, no forro de um orçamento para a guerra encontraremos outra guerra.
A guerra do avesso da guerra
