Os bois e os nomes

As cenas vistas em Brasília, depois de uma marcha de fascistas devidamente enquadrada pelas autoridades policiais, são o resultado da ascensão e reorganização da extrema-direita, a sua normalização, e falsas equivalências entre extrema-direita e tudo o que não seja extrema-direita. Convém recordar que Lula não é comunista, não é um radical de esquerda e será no máximo, e com muito boa vontade, um social-democrata progressista. Mas é um antifascista pelo que, de acordo com a lógica dominante atual, é um radical tão mau como os fascistas, mesmo tendo gente de direita no governo recém-nomeado. O sucedido merece um olhar, ainda que breve, sobre as várias dimensões da questão brasileira, que se estende a outros países um pouco por todo o mundo.

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Tarot Grátis

Se as ferramentas e os conceitos marxistas de análise e ciência política, social e histórica vos são distantes, é então fácil crer que os comunistas fazem futurologia da boa: “esta maioria absoluta deixa o PS com condições de levar mais longe o seu compromisso com a política de direita e manter a sua opção de subordinação aos grandes interesses económicos que dominam o país“, alertou o PCP após o resultado das últimas legislativas.

Assim, a turbulência moral, ética e com implicações, alegadamente, jurídicas e criminais do governo, em simultâneo com a promoção da política de empobrecimento geral do país, das famílias e dos trabalhadores, são questões de fundamento ideológico e frequentemente coligidas pelas classes governantes socialistas, mas que não constituem propriamente elementos novos face àquilo que caracteriza a governação burguesa, independentemente da sua proveniência do espectro político.

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Uma Espiral de Aldrabice

Dez demissões em nove meses. Uma maioria absoluta provadamente «fortíssima». Um PS abalado aqui e ali pelas movimentações tectónicas de «casos e casinhos» que, afinal, são qualquer coisa mais do que pareciam e diziam ser de início os seus responsáveis políticos, e muito particularmente, António Costa. Só que o problema fundamental não é, porém, a mudança de nomes ou de figuras neste ou naquele posto, por mais sucessivas que sejam tais alterações de gabinete. O problema é a espiral de aldrabice, o hábito especial que este governo tem de mentir sobre todo e qualquer assunto. O problema é o mal que, com a mentira, este governo está de facto a fazer ao país.

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25 de Novembro, o dia em que temos de fazer tudo de novo

As tentativas de reescrever a história por parte da extrema-direita não são uma novidade nem em Portugal, nem na Europa. São o caminho que tem vindo a ser trilhado com a conivência daquilo a que se chama, nos dias de hoje, valores ocidentais.

As tentativas da direita e extrema-direita em relevar o 25 de novembro, não são menos do que procurar descredibilizar a Revolução de Abril e as suas conquistas, que tanto custam a engolir aos herdeiros do fascismo. A referência a Jaime Neves, em particular, que na noite de 24 para 25 de Abril se furtou à missão que lhe tinha sido confiada pelos militares revoltosos, por motivos mais mundanos, como é público, é um insulto nojento à memória das vítimas dos massacres de Wiryamu, Chawola e Juwau, no distrito de Tete, em Moçambique, a 16 de dezembro de 1972.

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Fausto: Para lá do que é eterno

Foto de Egídio Santos, captada na Festa do Avante! de 2015.

A 26 de Novembro de 1948, nascia-nos Fausto Bordalo Dias a bordo do navio Pátria, em pleno Oceano Atlântico, em alto-mar, por cima das águas. E parece que não podia ser de outra maneira. A 19 de Novembro de 2022, o seu disco-epopeia Por este rio acima, inspirado nas viagens de Fernão Mendes Pinto, completava 40 anos de pimenta e maravilha. Foi na amplitude de uma Aula Magna transbordante de emoções que centenas de navegantes se reuniram para os celebrar, como quem celebra o aniversário de um melhor amigo comum. No dia 20, voltariam outros tantos a navegar rumo ao edifício da Reitoria da Universidade de Lisboa, já que a primeira data esgotara num piscar de olhos. Também não podia ser de outra maneira.

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