Autor: Alexandre Hoffmann

Carta ao meu Partido

Ora então aqui estamos, que mesmo de mil mortes anunciadas não te roubaram nunca a vida, nem tampouco um só ano de todos os teus cem. Que por entre as marés da história das histórias todas, bastará tão somente entre as vagas, um só camarada chamar camarada a outro, que tu sempre viverás.

Como de outra forma poderia ser, que se há tanto passado em ti, meu Partido, és ainda a juventude do mundo e a esperança de futuro. Que é tua argamassa a foice da ceifeira eterna e o martelo do operário resiliente, a que se juntou de braço dado, em fundação, a pena do intelectual, que todos foram muitos para te alevantar, que todos somos poucos para te continuar.

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Afeganistão – Um filme Americano

O levantar do pano

O triunfo da revolução Saur pelos comunistas do Partido Democrático Popular do Afeganistão em 1978, seguida pela Revolução iraniana, ocorrida em 1979, onde os Estados Unidos perdem uma importante base para o combate à URSS na guerra fria, acarretam consequências para a política imperialista ocidental. O Afeganistão torna-se assim prioridade para Estados Unidos e os seus famintos cães-de-fila ocidentais, alheios à condição humana do povo afegão, tudo em nome de um anticomunismo primário. Estudado o cenário geopolítico à altura, o aliado de circunstância são um grupo radical islamita, os mujahidins, precursor dos hoje conhecidos talibãs.

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Somos da terra

Se é daqui que vos escrevo, se é debaixo deste sol de calor efémero que faz por aquecer a pedra do socalco que sustenta a vinha, se é daqui que vejo os rostos enrobustecidos à conta dos ventos nortenhos, de séculos de idade, que rasgam a paisagem duriense; rostos porém ternos, que miram ainda o rio serpenteando lá em baixo, como se olha um filho, endeusando-o, é então sobre este Douro também que me apresento ao Manifesto74.

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