Autor: Alexandre Hoffmann

As portas que o orçamento abriu

A anunciada abstenção do PS ao Orçamento do Estado para 2027, quando ainda não se conhece o documento final, é, resumidamente, a subscrição da ação política deste governo (PSD/CDS) e, pior, o esvaziamento da discussão orçamental e do poder conferido à Assembleia da República.

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O Congresso, 1957

Imagem gerada por IA

Corria o ano de 1957 quando o Partido Comunista Português realizou o seu V Congresso. À polícia política do regime não lhe passaria pela cabeça que os comunistas se juntariam a uns meros seis quilómetros do Forte de Santo António da Barra, onde o presidente do conselho, o fascista de nariz adunco, instalara a sua residência de férias, pobrezinho haveriam de o vir chamar, pedófilo só dali a dez anos quando rebentar o escândalo de Ballet Rose, sempre faz parecer que é assunto de predileção da classe dominante, hoje e amanhã.

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A burla da burca

Fotografia Renata Giraldi

É já antiga a tradição política em Portugal de nas épocas de discussão orçamental e outras reformas virem a plenário iniciativas legislativas de pouca relevância e que entretenham a opinião pública, os romanos chamavam-lhe pão e circo e o método atualizado produz efeitos similares, pois que numa semana de tão importantes e negativos desenvolvimentos para o país e os trabalhadores o mediatismo caiu na proibição do uso da burca.

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Rota de Fuga

João Porfírio; Observador

João Porfírio; Observador

Lia-se no outro dia que se João Ferreira fosse de outro partido ganharia facilmente a disputa autárquica em Lisboa, é preciso, no entanto, compreender que se João Ferreira fosse de outro partido não seria o João Ferreira, seria outro qualquer. É precisamente nessa premissa, que reconhece involuntariamente a capacidade e competência de João Ferreira e dos candidatos da CDU, que se encontram as razões para o clima hostil em relação às candidaturas da CDU, com o seu recorrente silenciamento e ocultação mediática (podíamos falar do silenciamento de António Filipe, já agora), por um lado, e o pavor que essas mesmas candidaturas imprimem nos seus adversários, por outro.

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O Tempo da Indecência

Sob a máscara do conservadorismo democrático a extrema-direita política em Portugal está implementada bem para lá das fronteiras dos partidos ou organizações populistas, esticando a sua influência ideológica para as estruturas neoliberais e social-democratas. Neste cenário, um tanto ou quanto aceleracionista, o fascismo é ressurgido e institucionalizado, os seus caciques estão em roda solta e o patronato esfrega as mãos, às aranhas só o pobre, sem saber quem o maltrata.

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If I must die

Mohammed Abed/AFP

“If I must die” é um poema de 2011, originalmente escrito em inglês, pelo escritor, poeta, professor e activista palestiniano Refaat Alareer, assassinado por Israel em 2023, num dos incontáveis bombardeamentos que têm vindo a terraplanar Gaza. O poema, que agora faz parte de uma colectânea póstuma – If I Must Die: Poetry and Prose, recuperou voz e vigor pelas mais óbvias razões, e reveste-se de uma intemporalidade trágica, porque perante o desaparecimento da humanidade canta a esperança, porque é, contra todas as evidências em contrário, a dignidade que resta dessa humanidade ausente.

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Os Índios da Meia Praia

Foto: Festa do Avante

Zeca Afonso ajuda-nos a introduzir neste texto a temática incontornável dos vários processos eleitorais deste ano, e de tudo que faz falta compreender haverá algo desde já a reter: o PCP é a única força política que propõe a transformação da sociedade e a CDU a coligação, que em contexto eleitoral, responde aos anseios da larga maioria da população.

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Cultura: um conceito em (des)construção

Cultura é um conceito proeminentemente metafórico, que desliza recorrentemente entre contextos, sobretudo os idealistas e morais, grandemente voláteis, contribuindo para a edificação de uma acepção puramente abstracta ao serviço da hegemonia ideológica do capital. A conceptualização contemporânea da cultura está, quase sempre, desatrelada de uma análise materialista, científica e histórica, promovendo a institucionalização de um anti-conceito que arruína a possibilidade de uma discussão racional. Ademais, tal instrumentalização retira a capacidade de compreensão colectiva sobre algo que nos parece simultaneamente tão próximo e simples como distante e complexo, mas sempre presente na retórica política e social e, sobretudo, determinante na construção burguesa dos itinerários legislativos, reforçando a arduidade da superação do capitalismo.

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