Um excesso de fraternidade

“(…) possíveis 33 mil (…) que virão de toda a parte do país e que findo o Avante partirão para toda a parte do país. Aliando a isto toda uma atmosfera de fraternidade e união.” Este é um dos argumentos com que nos podemos topar na maré de comentários que têm sido feitos em milhares de publicações, relacionadas directa, indirectamente ou mesmo alheias ao tema da realização da festa do avante!

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Identidade, opressão e luta de classes

Depois de, no meu último contributo, me ter debruçado sobre a génese do racismo no seio do capitalismo e o seu papel na subalternização do sujeito racializado, é agora vez de clarificar a posição materialista histórica e dialéctica sobre as opressões de grupos que divergem da identidade natural burguesa – branca, europeia ou euro-descendente, heterossexual e culturalmente judaico-cristã, para finalmente concluir o porquê da opção pela crítica marxista e não pela interseccionalidade para estudar as opressões.

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Os Alegados «Malucos» do Sistema

São geralmente desculpabilizados sob o rótulo de «malucos do sistema». Presidentes demasiado sonoros para os ouvidos finos de certas direitas liberalóides, como Trump, Bolsonaro, Orban ou outras variações mais caseiras e que vemos por exemplo em determinados municípios e regiões autónomas portuguesas, são apenas e só tidos por casuais e isolados «malucos do sistema». O que preconizam, o que fazem, o sistema que servem e que lhes deu poder está absolutamente certo, imaculado e não tem culpa alguma de ser «pai» do «maluco». Caídos do céu, sem passarem pelo crivo da «meritocracia capitalista», estes «malucos», se apareceram, é por culpa de qualquer «esquerda» irresponsável que os antecedeu. Porque eles são só «malucos», é azar, e o «elevador» não tem nada a ver com isso, permanece intocável e o melhor dos mundos. Ainda que não.

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#FreeSimonTrinidad

Simón Trinidad faz hoje 70 anos e apodrece há 16 anos numa prisão nos Estados Unidos. Em meados dos anos 80, quando só era conhecido como Ricardo Palmera, geria o Banco del Comercio na pacata Valledupar. Activista de esquerda e candidato da Unión Patriótica, debate-se com o ódio da oligarquia e do Estado colombiano que assassinam os seus camaradas.

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Ele está no meio de nós

Quando Gabriel Garcia Marquez decidiu sentenciar o destino de Santiago Nasar, logo na primeira frase da Crónica de Uma Morte Anunciada, em 1981, estaria longe de pensar que aquele relato jornalístico da sorte que os irmãos Pedro e Pablo destinaram ao defunto é um espelho dos dias que vivemos. Naquela vila, de uma forma ou de outra, todos sabiam que Santiago Nasar estava já morto antes de o estar fisicamente, mas ninguém foi capaz de impedir as facadas que o levaram para o reino dos céus, mesmo tendo os irmãos de Angela feito tudo para que alguém os travasse, anunciando o seu propósito. Ninguém os levou muito a sério.

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Não há neutralidade no espaço público

Desde há séculos que a luta pelo controlo do espaço público é, também, um aspeto da luta de classes. O controlo do espaço é, mesmo entre os animais, essencial para a sua sobrevivência. Uma parte substancial dos animais é territorial, controla uma determinada área onde impõe a sua lei, ainda que possam várias espécies diferentes de animais controlar o mesmo espaço, por exemplo, desde que os interesses de uns não colidam com o interesse de outros. De outro modo, teremos uma luta pelo controlo desse território. No caso dos seres humanos, a luta de classes é inevitável, real, uma vez que há entre elas interesses antagónicos e inconciliáveis.

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