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Dez candidatos e uma certeza


Se as eleições de domingo são recordistas em número de candidatos, o fenómeno não se deverá à multiplicação das ideias mas à clonagem das caras. Repare: sabe quais são as diferenças políticas entre, por exemplo, Henrique Neto e Cândido Ferreira? Não se trata apenas de serem ambos milionários chateados com o PS que deixaram de gostar dos «partidos». Até ao debate a nove, nunca tinham sido vistos no mesmo espaço físico e havia quem defendesse que eram a mesma pessoa.

Não estamos a brincar. O que distingue o Vitorino Silva de Jorge Sequeira? Não, sem ser no estilo e na pose e tirando o verve e o viço. Mais canhestros ou menos endinheirados, ambos são vaidosos inveterados que se pautam pelo vazio de causas. Só há duas explicações para que Tino e Sequeira, simétricos nas mesas dos debates e espelhados nas posições, se completem tão bem: ou foram criados por Manuel Monteiro na mesma gruta ou são a secreção eleitoral do cruzamento dos Hunger Games com o Correio da Manhã.

E Marcelo Rebelo de Sousa, «à esquerda da direita», o que o distingue de Maria de Belém, «à direita da esquerda»? Tratar-se-á de imitação ou osmose? São já tantas as décadas de alternância na alfurja do capital que os currículos de Marcelo e Belém se confundem nos corredores BES, nos encargos das privatizações desastrosas e no corte de direitos de quem trabalha. Sabe o leitor, por ventura, o que disseram Marcelo e Maria de Belém sobre assuntos como a privatização da Galp, a criação dos recibos verdes e das taxas moderadoras na saúde, a destruição da reforma agrária, ou a introdução de propinas no ensino superior? Uma pista: disseram a mesma coisa.

Outros candidatos são distinguíveis entre si, não se distinguindo das suas incoerências: a orgulhosa «independência» de Nóvoa confunde-se com a sua tentativa de arregimentar o PS; a credibilidade de Marisa Matias turva-se na mentirola sobre a resolução que abriu portas à guerra na Líbia e que, afinal, votou mesmo favoravelmente; a insistência de Nóvoa em afirmar uma candidatura que «não é de esquerda nem de direita» baralha a sua luta contra o candidato da direita; a causa de Marisa Matias contra a precariedade contrasta com a prática do Bloco de Esquerda, que acaba de apresentar uma deliciosa receita para perpetuar o trabalho temporário; as críticas de Nóvoa à austeridade contradizem os deputados do PS empenhados na sua campanha e que subscreveram toda a austeridade de Sócrates e ainda, claro, as subvenções vitalícias.

Paulo de Morais, finalmente, à «esquerda da direita do centro» não tem comparação com nada. Em populismo abaixo do Sequeira e do Tino, Paulo de Morais, qual pónei circense, só sabe falar de duas coisas, a saber: o IMI e as editoras dos livros escolares. É tudo. Já sobre a sua militância de 35 anos no PSD, ou a sua participação na ruinosa gestão da cidade do Porto, onde foi responsável pelo despejo de centenas de famílias, nem uma palavra.

A excepção a esta triste regra tem um nome: Edgar Silva. Assumindo a defesa incondicional dos valores de Abril, dos direitos dos trabalhadores e da Constituição, Edgar Silva é o candidato que dá mais certezas a quem luta por uma vida melhor. Sem uma única nódoa no seu percurso de vida e com uma trajectória política indefectivelmente comprometida com a justiça social e com a liberdade, Edgar Silva é o meu Presidente.




Fotografia: Inês Seixas

Não, o problema não é de marketing


Nem de incompetência. A explicação de tanto despautério é que só pela falsificação é que o PS, com ou sem D, encontra testemunhos de gente que apenas tenha empobrecido durante os governos do PSD, com ou sem D. Além dos bancos de imagens e dos equívocos, não há neste país vivalma que possa dizer «isto estava tudo bem até chegar o PSD! Alguma vez o PS me congelava a progressão na carreira?» ou «O quê? Achas mesmo que o Costa te aumentava a idade da reforma?», ou ainda «O PS, ao menos, não te aumenta mais os impostos nem te reduz para 65% o valor das baixas para 65%!».

É por isso que, depois da parceria com a IURD e da fraude dos testemunhos inventados, a solução encontrada pelos estrategas nacionais do PS é não mexer, para não feder: só uma campanha sem pessoas de carne e osso é que pode pedir «confiança» nos que ainda ontem mentiam, anteontem enganavam e um mês roubavam. Numa palavra, o problema não é o marketing, nem o director de campanha: é a História, que não se pode branquear com photoshop, como estão a tentar fazer à pele do António Costa.

No jornalismo, o direito de resposta permite às pessoas visadas rectificar, em edição próxima, qualquer informação incorrecta ou difamatória. O que aconteceria se as pessoas a quem o PS pôs palavras na boca exigissem o direito de ver publicado, nos próximos outdoors socialistas, o seu verdadeiro testemunho? E o que aconteceria se o trabalhador comum tivesse o direito de contar, em gigantescos cartazes, como vai a sua vida? E se nesses cartazes viessem os testemunhos dos que beneficiaram com os governos do PS a explicar-nos como o fizeram? Definitivamente o problema do PS não é a publicidade, é a política.