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O postal dos correios enviado pelo PS

A fórmula é sempre a mesma: quando os números das receitas geradas não correspondem às ambições de patrões ou accionistas, a solução passa inevitavelmente por mandar uns quantos trabalhadores para a rua. Às vezes despedem-se dezenas, outras centenas, como é o caso concreto de que aqui se trata, e para os que ficam a certeza de cortes, congelamento de progressões e de salários. Deve haver algum problema com a formação sempre muito bem paga dos CEO’s ou gestores deste país, ou de outro qualquer, sempre saídos de eminentíssimas academias nacionais e internacionais, porque por mais habilitações, graduações ou anos de experiência acumulada que apresentem a sua fórmula “mágica” é sempre a mesma: há problema? Então despede-se!

Fala-se hoje em extravios de documentação e atrasos nas entregas com a mesma frequência que há 50 ou 60 anos

Neste preciso momento, Portugal não corre o risco de perder um serviço público essencial como a distribuição postal dos CTT. E não corre o risco de o perder porque já perdeu, evidentemente. Desde que se procedeu à sua criminosa privatização, cujos efeitos foram de imediato previstos pelo PCP – uma vez mais, com toda a razão –, que os Correios têm prestado um serviço cada vez pior, degradando-se de mês para mês, de ano para ano. São múltiplas as queixas – basta frequentar habitualmente os balcões ou perguntar a funcionários – de serviços mais caros e menos fiáveis, num cenário geral de qualidade e eficácia que representa uma regressão no tempo em décadas. Fala-se hoje em extravios de documentação e atrasos nas entregas com a mesma frequência que há 50 ou 60 anos.

Alega-se que “os resultados estão sob pressão desde meados de 2016” e que se torna “indispensável um plano de transformação operacional abrangente”. Um eufemismo dos administradores para no fundo dizerem que não estão satisfeitos com o que se gera de lucro e que querem encher ainda mais os bolsos à custa de um serviço “roubado” ao Estado e aos portugueses em geral.

Com este anunciado despedimento de 800 trabalhadores, com o previsto encerramento de balcões e postos e com a venda de património, os doutos gestores de topo preparam-se para acabar de vez com o que foi em tempos um dos mais lucrativos e importantes serviços públicos do Estado português. Como é evidente, não se despedem 800 trabalhadores sem degradar (aidna mais) o serviço prestado. Não há como evitar incómodos e insuficiências com o encerramento de mais uns quantos balcões e postos de atendimento. Este Natal, o postal chega tarde – se chegar – , será triste e terá o selo de um partido e de um governo que é o único responsável por esta lamentável e grave situação: o PS!