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A luta é dos trabalhadores e só ela conquista direitos

A situação na Grécia tem sido elemento noticioso essencialmente por questões humanitárias e pelas condições em que os refugiados têm chegado às suas várias ilhas.

Mas há algo que tem passado ao lado dos meios de comunicação social. Desde a tomada de posse do governo Syriza, a luta dos trabalhadores tem sido intensa, reiterada e tem enchido as ruas gregas com as reivindicações a que se aliam estudantes, reformados, movimentos sociais anti-racistas e antifascistas, numa unidade e solidariedade que tem chegado de vários países e de trabalhadores dos sectores privado e público. E intensa solidariedade também da PAME e dos trabalhadores com os refugiados, que têm estado ao lado destes, com distribuição de alimentos, abrigos e com a exigência de uma política que os respeite e dignifique como seres humanos.

48 horas de Greve Geral, nos dias 6 e 7 de Maio, convocadas pela maior central sindical grega – a PAME – contra as medidas antissociais promovidas pelos grupos de negociação do governo grego como a União Europeia e o FMI.

Anos, como em Portugal, de ataque aos direitos dos trabalhadores a fim de promover o grupo das multinacionais, cortes salariais, despedimentos, roubo de direitos da segurança social, nas pensões, privatização na saúde e educação, a precariedade, etc. As novas medidas impostas pelo terceiro «memorando» que atacam essencialmente os jovens e os pensionistas.

Têm sido as lutas contínuas dos trabalhadoras gregos que têm conseguido conter as medidas antissociais, como sempre foram as lutas dos trabalhadores que permitiram os avanços e impediram retrocessos em todo o mundo, mesmo quando as condições de luta se revelam difíceis e tantas vezes põem mesmo em causa as suas vidas.

No dia 1º de Maio, esse dia em que relembramos que a luta pelas 8 horas de trabalho, 8 horas de lazer e 8 horas para o que nos apetecer, luta que custou a vida de operários em Chicago, enforcados por exigirem o que hoje ainda nós exigimos, ecoaram na Alameda, em Lisboa algumas palavras que devem servir de compromisso e exigência:


Não desistimos e não claudicámos! Pelo contrário denunciámos o roubo organizado, lutámos, resistimos e combatemos a poderosa ofensiva ideológica com que nos tentaram intoxicar e anestesiar.
(…)
Não se estranha por isso que o Presidente do PSD tenha afirmado que este ano não há razões para celebrar o 1º de Maio. Para ele poderá não haver, mas para nós existem razões acrescidas para dizer que valeu a pena lutar, que Maio está na rua e a luta continua pela valorização do trabalho e dos trabalhadores, por um Portugal com futuro.
Este é o tempo de concretizar a esperança e lutar pela mudança!
(…)
O cumprimento das promessas credibiliza os políticos e a política e reforça a democracia.
(…)
Mas, nesta nova fase é preciso ir mais longe. Há muito caminho para fazer, um conjunto vasto de problemas para resolver e uma luta que não pode parar!

Este é um processo que tem, necessariamente, de evoluir quanto antes na resposta às necessidades dos trabalhadores, do povo e do país, sob pena de se transformar o sentimento positivo que hoje se sente um pouco por todo o lado, em desilusão e contestação. Este é um processo de mudança que não pode nem deve ficar estagnado ou fazer marcha-atrás.

E para que não haja marcha atrás, a luta, como sempre, foi e é o único caminho. E a luta também se faz da solidariedade internacionalista com todos os povos que lutam na Europa e no mundo contra o capitalismo, o imperialismo, as alianças burguesas dos governos europeus, os ditames da UE e da Comissão Europeia que queres os povos obedientes e calados.

Mas, como dizia o sindicalista irlandês Jim Larkin (Big Jim), em 1916: The great only appear great because we are on our knees. Let us rise! Os grandes só parecem grandes porque estamos de joelhos. Ergamo-nos!

Lista de Sindicatos que já se solidarizaram com a Greve Geral na Grécia:

Itália (USB), Turquia (Naklyat-Is, Sosyal Is), Suécia (SEKO Klubb 111), Catalunha (INTERSINDICAL-CSC), Espanha (CSU, Central Sindical Unitaria de Pensionistas y Jubilados, AST Alternativa Sindical De Trabajadores), Dinamarca (3F Youth), Palestina (Jawwal Union, AST Alternativa Sindical De Trabajadores), Áustria (Left Bloc), República Checa (Trade Union Association of Moravia, Silesia and Bohemia, OSCMS), Iraque (Federation of Workers’ Councils and Unions in Iraq), Paquistão (APFUTU), País Basco (LAB), África do Sul (NEHAWU), Federação Internacional de Educação– FISE, FSM, UIS de Pensionistas e Aposentados de la FSM, UIS de Serviços Públicos da FSM, UIS de Transporte da FSM, Federação Sindical Mundial, FSM, Chipre-SYXKA PEO, Albania-OSNP Patos, Italia-SGB, Gambia-Gambia Labour Congress, Portugal-CGTP-IN.

Reivindicar, exigir, reconquistar Abril

O mandato que o povo, através da nova composição parlamentar, entregou ao PS é uma procuração para a ruptura com as políticas de direita. Com esta procuração na mão, todos os trabalhadores ficam em melhor posição para reivindicar a devolução do que foi roubado, exigir mais direitos e reconquistar Abril.

Perdida a batalha eleitoral e abandonadas as esperanças de governar sob o protectorado de Cavaco, começou, porém, uma luta de morte pelo coração do Partido Socialista. Como demonstram as histéricas reacções do patronato e dos sectores mais reaccionários da direita, incansáveis na mnemónica da opção histórica de classe do PS, este governo tem apenas e somente duas opções: ou trai o grande capital monopolista ou trai os trabalhadores.

Pretender que a trajectória que o PS definiu para este governo, embora tímida e insuficiente, afaga os interesses dos grandes capitalistas portugueses é ignorar tudo o que aconteceu nos últimos dois meses. Acreditar que as grandes opções deste governo serão tomadas in vitro nos corredores de São Bento é não perceber porque caíram Passos e Portas.

Corolário do próprio desenvolver da luta de classes, as contradições que se avizinham no horizonte só poderão avolumar-se: entre o mandato do governo e o PS; entre a esquerda e a direita; entre a UE e o progresso; entre o Euro e a soberania… Perante todas as contradições, pode o povo apresentar a procuração que passou a este governo com condições, mais sérias que as de Cavaco: parar a austeridade; reforçar a contratação colectiva;  aumentar salários; taxar as grandes fortunas; parar as privatizações; devolver direitos; respeitar Abril.

Ainda não vamos em 2016 e já o novo ano cheira a luta… é tempo de conquistar.

Um discurso intemporal – Chaplin, o grande ditador

Desculpem-me, mas eu não quero ser um Imperador, esse não é o meu objectivo.  Eu não pretendo governar ou conquistar ninguém.
Gostaria de ajudar a todos, se possível, judeus, gentios, negros, brancos. Todos nós queremos ajudar-nos uns aos outros, os seres humanos são assim. Todos nós queremos viver pela felicidade dos outros, não pela miséria alheia. Não queremos odiar e desprezar o outro. Neste mundo há espaço para todos e a terra é rica e pode prover para todos.


O nosso modo de vida pode ser livre e belo. Mas nós estamos perdidos no caminho.


A ganância envenenou a alma dos homens, e barricou o mundo com ódio; ela colocou-nos no caminho da miséria e do derramamento de sangue.


Nós desenvolvemos a velocidade, mas sentimo-nos enclausurados:
As máquinas que produzem abundância têm-nos deixado na penúria.
O aumento dos nossos conhecimentos tornou-nos cépticos; a nossa inteligência, empedernidos e cruéis.
Pensamos em demasia e sentimos bem pouco:
Mais do que máquinas, precisamos de humanidade;
Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura.


Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.


O avião e o rádio aproximaram-nos. A própria natureza destas invenções clama pela bondade do homem, um apelo à fraternidade universal, à união de todos nós. Mesmo agora a minha voz chega a milhões em todo o mundo, milhões de desesperados, homens, mulheres, crianças, vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Para aqueles que me podem ouvir eu digo: “Não se desesperem”.


A desgraça que está agora sobre nós não é senão a passagem da ganância, da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano: o ódio dos homens passará e os ditadores morrem e o poder que tiraram ao povo, irá retornar ao povo e enquanto os homens morrem [agora] a liberdade nunca perecerá…


Soldados: não se entreguem aos brutos, homens que vos desprezam e vos escravizam, que arregimentam as vossas vidas, vos dizem o que fazer, o que pensar e o que sentir, que vos corroem, digerem, tratam como gado, como carne para canhão.


Não se entreguem a esses homens artificiais, homens-máquina, com mentes e corações mecanizados. Vocês não são máquinas. Vocês não são gado. Vocês são Homens. Vocês têm o amor da humanidade nos vossos corações. Vocês não odeiam, apenas odeia quem não é amado. Apenas os não amados e não naturais. Soldados: não lutem pela escravidão, lutem pela liberdade.


No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito:
“O reino de Deus está dentro do homem”
Não um homem, nem um grupo de homens, mas em todos os homens; em você, o povo.


Vós, o povo tem o poder, o poder de criar máquinas, o poder de criar felicidade. Vós, o povo tem o poder de tornar a vida livre e bela, para fazer desta vida uma aventura maravilhosa. Então, em nome da democracia, vamos usar esse poder, vamos todos unir-nos. Lutemos por um mundo novo, um mundo bom que vai dar aos homens a oportunidade de trabalhar, que lhe dará o futuro, longevidade e segurança. É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder, mas eles mentem. Eles não cumprem as suas promessas, eles nunca o farão. Os ditadores libertam-se, porém escravizam o povo. Agora vamos lutar para cumprir essa promessa. Lutemos agora para libertar o mundo, para acabar com as barreiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à intolerância. Lutemos por um mundo de razão, um mundo onde a ciência e o progresso conduzam à felicidade de todos os homens.


Soldados! Em nome da democracia, vamos todos unir-nos!


Olha para cima! Olha para cima! As nuvens estão a dissipar-se, o sol está a romper. Estamos a sair das trevas para a luz. Estamos a entrar num novo mundo. Um novo tipo de mundo onde os homens vão subir acima do seu ódio e da sua brutalidade.
A alma do homem ganhou asas e, finalmente, ele está a começar a voar. Ele está a voar para o arco-íris, para a luz da esperança, para o futuro, esse futuro glorioso que te pertence, que me pertence, que pertence a todos nós.
Olha para cima!
Olha para cima!

Nós cantamos as mesmas canções


«Vitória!» A multidão explode num grito longo e encrespado. «Vitória!» repete e prolonga o mar de gente, ecoado no frontão do Palácio de São Bento com a persistência das vagas contra as fragas. «Vitória!» e tremem, no tímpano do palácio, as estátuas moles que enfeitam o estrado. «Vitória», outra vez. Mil vezes «Vitória».

Porquê tanto entusiasmo? Por causa daquelas notícias (talvez ainda se lembrem), de gente suicidada quando o desespero e o governo venceram. Porquê tanta alegria? Porque desta vez perderam os ladrões que roubaram a electricidade e o pão e a água e a dignidade e a esperança aos velhotes da minha rua. Porquê tantas palmas? Porque hoje perderam os milionários e venceram os trabalhadores.

Trata-se de uma pequena vitória à escala da História dos povos, é certo. Nada está conquistado e teremos que lutar por tudo: o aumento dos salários, o fim da precariedade, a redução dos horários de trabalho, a melhoria das condições de trabalho… Mas esta terça-feira, os trabalhadores mostraram ao país, para lá de qualquer dúvida, que a luta é o único caminho. Foi a luta dos trabalhadores que retirou 700 mil votos à PàF. Foram milhares de greves e manifestações de Norte a Sul do país que, malgrado o gigantesco empenho da comunicação social, disseram não à austeridade.

E valeu a pena lutar, nem que fosse só por esta lufada de esperança e de entusiasmo. Mil vezes, valeu a pena. Apesar dos dias de salário perdidos, apesar de termos caído nas más graças do patrão, apesar das ameaças, apesar de não termos tempo, apesar dos filhos, da saúde dos pais e apesar do dinheiro.

Esquerda, divisões e definições

Valeu a pena, nem que fosse só por esta imagem que revela, com olhos de Blimunda, o que a política é no fundo: uma praça dividida em dois. De um lado umas dezenas de ricaços, patrões e meninos dos colégios de luxo. Do outro, operários, pedreiros, cientistas, estivadores, médicos, varredores, reformados, enfermeiros, professores, trabalhadores das limpezas, bancários, desempregados, motoristas, arquitectos e estudantes e mil vezes mais trabalhos, o que já diz o que é isto que esta gente é toda: trabalhadores.

Fora os matizes nas bandeiras monárquicas e as marcas da roupa de luxo, o lado dos patrões é uníssono no amor à PàF e nos gritos de ódio como «Morre cabra!!!», «Comunas para a Sibéria!!!» ou, simplesmente, «Morre!!!». Que ninguém se iluda: esta terça-feira, a direita mais trauliteira, cavernosa e anti-democrática começou a longa reaprendizagem das manifestações de ódio e da pancadaria. Não tarda, estarão a pedir «impeachments», intervenções militares e ajudinhas dos EUA.

Pedro Arroja a dar tudo.
“Aqui entre nós, que ninguém nos ouve..”Ouvimos, ouvimos, Pedro Arroja. E bolsámos também. E bebemos uma água do Vimeiro. E voltámos a bolsar.(todo o crédito da captura do momento ao José António Fundo . Que nunca tires o dedo do gatilho <3)
Publicado por One Woman Show em Terça-feira, 10 de Novembro de 2015

Já no lado dos trabalhadores, como todos os dias nos recordam os comentadores da direita, é mais complicado encontrar unanimidade. Com efeito, entre o PCP, o BE, o PEV e o PS as diferenças programáticas, ideológicas e históricas são muito pronunciadas. Mas a manifestação desta terça-feira, tal como o acordo agora conquistado nas ruas, não precisou de esconder as diferenças.

Neste aspecto, é bom que nos lembremos de que os partidos, tal como a História, não são estáticos e que os seus eleitores e apoiantes não estão condenados a ser uma correia de transmissão dos interesses de classe das suas direcções. Mais exactamente, a enorme massa de trabalhadores que, tradicionalmente, vota no PS, chumbou taxativamente a austeridade e a política de direita. Neste aspecto, mais importante do que a capacidade do próximo governo PS cumprir as suas promessas ou defraudar os seus eleitores é a forma como esses milhões de trabalhadores se envolvam no processo de luta, reivindicação e exigências que, como disse o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, começa amanhã.

Essa massa, dificilmente categorizável, de milhões de trabalhadores portugueses que se dizem «de esquerda» estão agora numa importante encruzilhada: votaram por uma mudança que afirme os valores de Abril, que valorize o trabalho e penalize o grande capital. Desta forma, ao se definirem assim individualmente, mesmo que sob outras formulações, milhões de eleitores redefiniram também a única coisa que pode ser a esquerda portuguesa. Esses trabalhadores não são propriedade de nenhum partido e devem ser considerados na sua permanente e dialéctica transformação que poderá, a curto prazo, acumular uma nova e enorme bagagem de experiência política.

É clara a ordem do povo português aos quatro partidos que agora assinaram um acordo: revogação da legislação laboral inimiga da vida de quem trabalha; valorização da contratação colectiva; aumento do salário mínimo nacional; reposição dos salários, pensões e feriados roubados; 35 horas de trabalho; mais e melhor escola pública; mais e melhor saúde pública; aumento dos subsídios de protecção social; reversão das privatizações; política fiscal justa e proporcional aos rendimentos. Quer a concretização destes objectivos a nível parlamentar, quer a evolução política e eleitoral de toda a ainda mal definida «esquerda» vão depender da profunda intensificação da luta nas empresas e nas ruas. É lá o lugar de toda a esquerda.

De volta à imensa manifestação de alegria que foi a queda do governo PSD-CDS/PP, não escondo que registei com agrado (e com um sorriso também) que muitas pessoas que não votam no meu partido cantaram comigo as canções do Zeca, do Adriano, no Sérgio… enfim… de Abril. Uma das canções revisitadas dizia assim:
Tu trabalhas todo o ano
Na lota deixam-te mudo
Chupam-te até ao tutano
Chupam-te o couro cab’ludo
Quem dera que a gente tenha
De Agostinho a valentia
Para alimentar a sanha
De esganar a burguesia

Mandadores de alta finança
Fazem tudo andar pra trás
Dizem que o mundo só anda
Tendo à frente um capataz
E toca de papelada
No vaivém dos ministérios
Mas hão-de fugir aos berros
Ainda a banda vai na estrada
Podem começar a correr: a banda já vai na estrada.

A esquerda pode não votar toda no mesmo partido mas, pelo menos, sabe a letra das mesmas canções. Espero, sinceramente, voltar a ver esta esquerda nas manifestações e piquetes de greve por melhores salários e por uma vida melhor. Numa palavra, por Abril.

Leva a Luta até ao Voto: Rescaldo de 2015

Aproximam-se as eleições legislativas para eleger os 230 deputados da Assembleia da República. Pareceu-me um momento oportuno para recordar as lutas de trabalhadores realizadas em 2015 até à data, às quais haveria que juntar outras tantas lutas, como as dos utentes, das populações locais, os estudantes, lesados do BES, em defesa dos serviços públicos e contra as privatizações, pela Água Pública, em Defesa da Cultura, etc., todas reflectindo um protesto generalizado contra as políticas de direita, contra a vaga de austeridade ordenada pela Troika e praticada pelo Governo, e exigindo e propondo alternativas. Várias destas lutas tiveram sucessos em matéria salarial, readmissão de trabalhadores, atrasando processos de privatização (alguns casos são referidos abaixo, mas uma longa lista elaborada pela União dos Sindicatos de Setúbal, e que concluiu que este ano os trabalhadores receberam mais de um milhão de euros fruto da sua luta, está disponível aqui).

São vastos e variados os motivos para ter lutado, assim como os motivos para agora traduzir essa luta num voto por uma ruptura com essa mesma política de direita, votando em quem sempre esteve ao lado dos trabalhadores e populações nas suas lutas, tanto à porta do local de trabalho e descendo avenidas, como na Assembleia da República confrontando os responsáveis pelas suas políticas e apresentando propostas que defendam os seus interesses e direitos. Porque é uma coligação de pessoas que estão na política para servir os trabalhadores; porque os seus deputados são dos que mais trabalham dentro e fora do hemiciclo, produzindo propostas e contactando os portugueses; porque têm propostas concretas de governação segundo uma política patriótica e de esquerda, de defesa da soberania e desenvolvimento nacional, com uma concepção de Estado que verdadeiramente traduz os princípios da Constituição e os valores de Abril, o meu voto é claro, inequívoco e recomenda-se: Voto CDU.

JANEIRO

  • Luta dos trabalhadores da Hotelaria no Porto e na Madeira, com greve ao período em torno da passagem de ano.
  • Trabalhadores da Administração Local manifestaram-se em Lisboa (6/Jan) e no Porto (5/Jan). Na última semana de Janeiro, realizaram sucessivos protestos à porta do Ministério das Finanças, exigindo a publicação dos acordos colectivos que consagram a semana de trabalho de 35 horas e condenando a política do Governo e as medidas inscritas no Orçamento do Estado.
  • Tribunal de Relação do Porto considera (10/Jan) que foi ilegal o despedimento de um sindicalista e trabalhador da ACP que fez greve ao trabalho suplementar (neste caso concreto, o apelo a justa causa envolveu a trabalhadora ter faltado 13 minutos).
  • Concentração junto à Presidência do Conselho de Ministros, dos trabalhadores das cantinas do ISEG, do Instituto Superior Técnico e da Faculdade de Ciências, que trabalhavam contratados pela Solnave até 31 de Dezembro, exigindo intervenção do Governo de modo a impedir o desemprego de 40 pessoas.
  • As cinco trabalhadoras da cantina do Hospital de Fafe processaram a Santa Casa da Misericórdia de Fafe (19/Jan), por esta se recusar a assumir os seus contratos de trabalho, bem como de outras sete trabalhadoras da limpeza, todas contratadas através de empresas de prestação de serviços e, desde 2 de Janeiro, impedidas de exercer as suas funções.
  • Manifestação dos trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (20/Jan) para exigir um aumento salarial imediato de 3,7 por cento, com um mínimo de 50 euros (salários estão congelados desde 2009). 
  • Continuação da luta dos trabalhadores da TAP, CP Carga, EMEF, Metro de Lisboa contra a privatização destas empresas.
  • Greve (13-15/Jan) dos sete auxiliares de terra da Soflusa, pelo fim do trabalho precário neste sector e pela contratação de trabalhadores cuja falta tem sido colmatada com recurso a empresas de trabalho temporário.
  • Protesto dos trabalhadores da Prégaia (21-/Jan), bloqueando saída de camiões carregados, exigindo garantias de que o produto de qualquer venda será destinado ao pagamento de salários em atraso, desde Novembro ou Outubro, e dos subsídios de férias e de Natal.
  • A Soturim, proprietária do Hotel da Horta, foi condenada a indemnizar 15 trabalhadores em mais de 120 mil euros, porque o tribunal considerou ilícito o despedimento colectivo efectuado após o encerramento da unidade hoteleira
  • Greve às horas extraordinárias na Carris (27/Jan-1/Mar), pela reposição do pagamento do trabalho extraordinário e pelo cumprimento do Acordo de Empresa, contra as medidas do Código do Trabalho e do Orçamento do Estado que visam o rendimento dos trabalhadores e pelo aumento real dos salários.
  • Concentração de reformados do Metropolitano de Lisboa (27/Jan) na Estação do Marquês de Pombal, para exigir a reposição dos complementos de reforma que não recebem há um ano, e que representavam entre 40 e 60 por cento dos seus rendimentos. 
  • Manifestação nacional dos trabalhadores da Administração Pública (30/Jan), pela reposição imediata das 35 horas como duração máxima da semana de trabalho na AP. Recorde-se que o Tribunal Constitucional não reprovou a aplicação das 40 horas que o Governo quis impor, uma vez que por contratação colectiva ou lei especial, o horário poderia ser reduzido. O Governo porém tem impedido a publicação dos acordos (ACEP) já celebrados que repõem as 35 horas.

FEVEREIRO

  • Greve de uma hora (4/Fev) dos trabalhadores dos centros de contacto da PT, contra os despedimentos e a precariedade.
  • Greve dos trabalhadores da Granitos de Maceira – Alpalhão (4/Fev)para exigir o pagamento de três meses de salário e de quinze de subsídios de férias e de Natal que há oito anos não lhes são pagos. 
  • Protesto (9/Fev) de professores e alunos exigindo que o Ministério da Educação e Ciência pague os montantes devidos às escolas de ensino artístico, algumas em risco de fechar portas
  • Greve (9-13/Fev) dos trabalhadores da Escola Profissional Beira Aguieira, pelo pagamento de salários em atraso. Docentes, formadores e pessoal não docente nada recebiam desde o início do ano lectivo, representando cinco salários.
  • Greve (6/Fev) dos trabalhadores do Hotel Estação, em Braga, após o patronato ter proibido uma reunião convocada pelo Sindicato da Hotelaria do Norte, para discutir o que fazer, onde há salários em atraso, que se arrastam há cerca de três anos e meio totalizando seis meses, embora o hotel esteja a laborar com uma boa taxa de ocupação. Os trabalhadores também estão a ser obrigados a realizar tarefas que não são as suas, como fora de forçá-los a se despedirem.
  • Tribunal de Trabalho de Coimbra determinou (6/Fev) que trabalhadora indevidamente despedida pela SUCH vai voltar ao seu posto de trabalho, dando razão à queixa apresentada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Hoteleira, Turismo Restaurantes e Similares do Centro. A empresa que presta os serviço nos Hospitais Universitários de Coimbra vinha «abusando do recurso a contratos sucessivos» quando o que estava em causa era a «ocupação de um posto de trabalho efectivo». 
  • Protesto de docentes do ensino superior (10/Fev), em Coimbra, para exigir que o Governo cumpra a directiva comunitária que estabelece limites ao recurso à contratação a termo e alargue o período de transição do regime precário para o vínculo sem termo.
  • Dois dias de greve no início de Fevereiro, dos trabalhadores da Lourilimpeza pelo pagamento dos salários de Dezembro e Janeiro, bem como do subsídio de Natal. 
  • Concentração dos trabalhadores da Efacec (11/Fev) para reivindicarem um aumento salarial mínimo de 50 euros, face à injustiça da empresa comprar carros novos para os quadros superiores, distribuir quantias elevadas em prémios para alguns, ao mesmo tempo que nega o aumento dos salários aos trabalhadores que produzem, criam a riqueza e desenvolvem a empresa. 
  • Dois dias de greve e uma manifestação frente ao Ministério da Saúde (12-13/Fev) dos Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica para reivindicarem a defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e direitos laborais. 
  • Concentração dos cerca de 20 trabalhadores da Amorin Cork (12/Fev) para exigir a readmissão na unidade de Corroios. A empresa encerrou a unidade no passado mês de Outubro,  propondo aos trabalhadores a transferência para Santa Maria da Feira ou a rescisão dos contratos, mas passados cinco meses mantinha a unidade em Corroios a funcionar recorrendo à contratação de novos trabalhadores e a trabalho extraordinário para satisfazer necessidades de produção.
  • Greve dos trabalhadores da Companhia Nacional de Refractários, situada na Abrigada, Alenquer (18/Fev) para forçar a administração a discutir o caderno reivindicativo.
  • Greve dos trabalhadores da Transportes Sul do Tejo (TST) (12/Fev) contra os salários de miséria, as irregularidades na aplicação dos «tempos de disponibilidade», as deficientes condições de trabalho, incluindo o estado degradado dos veículos prejudicando trabalhadores e utentes, e o incumprimento do Acordo de Empresa no que respeita ao pagamento do trabalho extraordinário.
  • Concentração dos cerca de cem trabalhadores da Beiralã (19/Fev) à porta da fábrica têxtil, em Seia, pelo pagamento de cerca de três milhões de euros, resultante do incumprimento do acordo, firmado no processo de viabilização da Beiralã, em 2009, para liquidação dos salários em atraso na altura, só tendo sido paga metade da primeira prestação. Em vez de reunir com os trabalhadores, o administrador chamou a GNR, que se prestou a defender o incumpridor, carregando sobre os lesados para libertar o acesso à empresa.
  • Greve (20/Fev) dos trabalhadores não docentes dos estabelecimentos de educação e ensino da rede pública contra a degradação da qualidade da Escola Pública, contra o processo de municipalização que o Governo quer implementar, e pela resolução da falta de pessoal e a proliferação da precariedade e da sazonalidade laboral.
  • Manifestação nacional dos trabalhadores da CP, da Refer, da EMEF e da CP Carga (26/Fev) contra a liquidação/privatização da EMEF e da CP Carga, a destruição da Refer na fusão com a Estradas de Portugal, contra a entrega a privados dos serviços lucrativos da CP, contra o roubo das concessões de transportes, pela ferrovia, pelos ferroviários, por Portugal.
  • Greve dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa (24, 27/Fev) em defesa do Metro como empresa pública, ao serviço dos utentes, e pelos postos de trabalho.
  • Greve dos trabalhadores da fábrica da BA Vidro na Amadora (24/Fev),  maior empresa do sector do vidro de embalagem em Portugal e teve lucros de 70 milhões de euros no ano passado. Os trabalhadores reclamam a restituição dos dias de compensação (e a correspondente reposição do subsídio de refeição), pelo pagamento do trabalho suplementar e em dias feriados segundo a contratação colectiva (como aconteceu até Agosto de 2012) e a negociação do Acordo de Empresa, consagrando os direitos conquistados. 

MARÇO

  • Protestos durante a 1ª quinzena de Março dos trabalhadores da Hotelaria em Lisboa, frente a hotéis do distrito (incluindo hotéis Ritz, Marriott, Roma, Palácio, Vila Galé Estoril, Corinthia, Éden, Sheraton e Praia Mar), para exigir aumentos salariais e o pagamento dos feriados pelo valor previstos no contrato colectivo.
  • Trabalhador da Bosch Car Multimedia, que não aceitou a injustiça de ser intermitentemente despedido e contratado com vínculo precário, reocupou o seu posto de trabalho, com vínculo efectivo (9/Mar) após do Tribunal de Trabalho de Braga e do Tribunal da Relação do Porto. A multinacional foi condenada a pagar as prestações, salários e subsídios relativos aos cerca de dois anos passados desde a contestação do despedimento.
  • Greve de dois períodos de duas horas por dia (12-17/Mar) dos trabalhadores da Abrigada – Companhia Nacional de Refractários, em defesa do seu caderno reivindicativo. 
  • Jornada Nacional de Luta (7/Mar) da CGTP, para «derrotar a política de direita e o Governo PSD/CDS-PP», com concentrações por todo o país (ver).
  • Greve nacional dos trabalhadores da Administração Pública (13/Mar), em defesa das funções sociais do Estado.
  • Greves parciais dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa (16, 18/Mar). 
  • Concentração dos trabalhadores da Transportes Sul do Tejo (16/Mar). Foi conseguida a reposição do pagamento do trabalho extraordinário, mas não houve resposta ao aumento salarial e ao fim do «tempo de disponibilidade» para reduzir a remuneração.
  • Na sequência das greves realizadas em 2010 e 2012 foi alcançada com o pagamento de muitos milhares de euros aos trabalhadores da Petrogal.
  • Duas greves de uma hora na fábrica da Visteon, em Palmela, resultaram nos compromissos de um aumento salarial de 1,2 por cento, de dez dias por ano para assistência à família, sem perda de remuneração, e pagamento de trabalho nocturno e diuturnidades.
  • «Caravana pelos serviços públicos de resíduos» percorre o país na 2ª quinzena de Março, contra a privatização da Empresa Geral do Fomento.
  • Greve na BA Vidro (21-23/Mar) de modo a que todos os trabalhadores dos centros de Avintes, Marinha Grande e Venda Nova sejam abrangidos nos diferentes regimes horários.
  • A convocação de greves dos trabalhadores da LBC Tanquipor (27,30,31/Mar, 1-2/Abr) devido à falta de resposta patronal ao caderno reivindicativo, foi suspensa porque a administração aceitou retomar as negociações salariais.
  • Concentração nacional dos trabalhadores das empresas de vigilância privada (20/Mar) pela revisão do contrato colectivo e a sua defesa da ameaça patronal de caducidade, bem como aumentos salariais e o pagamento do trabalho suplementar sem cortes.
  • Dois dias de greve dos guardas prisionais (24-25/Mar), que desde dia 2 faziam greve aos turnos da noite e aos fins-de-semana, com uma adesão de cerca de 80 por cento. Os protestos devem-se à não aplicação do estatuto profissional que entrou em vigor há mais de um ano, nomeadamente quanto a regulamentação do horário de trabalho, progressões nas carreiras e novos níveis remuneratórios.
  • Greve, por duas horas diárias, dos trabalhadores da Dyrup, em Sacavém, (27, 30 e 31/Mar) por aumentos salariais dignos e contra a proposta patronal de apenas 0,5 por cento nos salários, com um «prémio» de 200 euros. 
  • Manifestação de trabalhadores do sector têxtil (27/Mar) em Famalicão, na altura da visita do Presidente da República à empresa, contra o continuado ataque aos direitos e aos salários, e ao contrato colectivo de trabalho.
  • Concentração popular (27/Mar) em solidariedade para com os 44 trabalhadores da Empresa Litográfica do Sul, em Vila Real de Santo António, apoiando a exigência de pagamento dos salários e garantia dos postos de trabalho.
  • Manifestação Nacional dos Jovens Trabalhadores (28/Mar) sob o lema «Juventude em Marcha – Trabalho com Direitos! Contra a precariedade e exploração».
  • Início de uma série de greves de uma hora, a 30/Mar, na Jado Ibéria, em Nogueira (Braga), por aumentos salariais dignos e um subsídio de refeição de valor igual ao que a empresa paga aos designados «trabalhadores indirectos».
  • Luta pelo pagamento de salários devidos a cerca de 30 trabalhadores do Clube Praia da Rocha (Portimão), com realização de um «buzinão» na cidade (31(Mar). Após duas semanas de vigília e várias acções de solidariedade, chegou-se a um acordo para pagamento da dívida aos ex-trabalhadores do Clube Praia da Rocha.

ABRIL

  • Greve dos trabalhadores do Bingo do Ginásio Clube do Sul (1/Abr) pelo pagamento de salários em atraso. 
  • Greve na Renault Cacia (1/Abr) em apoio à reivindicação de aumentos salariais, que não ocorreram em 2014, apesar dos bons resultados da empresa, e de fim do abuso de trabalho precário. 
  • Nova greve de 24 horas (2/Abr) no refeitório da TAP, pelo justo pagamento do trabalho suplementar e em dias feriados, bem como o cumprimento da contratação colectiva.
  • Greves em empresas de transporte rodoviário de mercadorias, Patinter com sede em Mangualde, ZAS Transportes e Logística, em Modivas, e no Grupo Transportes Nogueira, em Vila Nova de Famalicão, exigido o cumprimento de diversas matérias do contrato colectivo, para além da reivindicação de aumentos salariais – os quais há mais de dez anos não ocorrem na Patinter e na ZAS.
  • Nova greve na BA Vidro (4/Abr).
  • Jornada Nacional de Luta e Protesto dos reformados, pensionistas e idosos (11/Abr)
  • Dia de luta nacional do sector ferroviário (16/Abr), por ocasião do 40º aniversário da nacionalização da CP. 
  • Greve dos trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (17/Abr) pela exigência de aumento dos salários, o descongelamento das progressões, a implementação das 35 horas de trabalho semanal e investimentos nos equipamentos da acção social da SCML.
  • Nova vaga de greves dos guardas prisionais (16-19, 23-25/Abr e 27/Abr a 1/Maio)
  • Greve dos trabalhadores de Hotelaria da RA da Madeira (18-19/Abr), durante a Festa da Flor, pelo cumprimento do contracto colectivo.  
  • Marcha contra as privatizações dos transportes (22/Abr) em particular da Carris e do Metropolitano de Lisboa, em curso, e da Transtejo e Soflusa, em preparação.
  • Manifestação nacional de trabalhadores da Administração Local (22/Abr) em Lisboapara exigir a redução dos impostos (particularmente, a sobretaxa extraordinária no IRS), o aumento geral dos salários (colocando o salário mínimo em 540 euros), a generalização da semana de 35 horas de trabalho e a publicação dos acordos ACEP que a consagram.
  • Manifestação dos trabalhadores da Manutenção Militar (24/Abr) contra a extinção da instituição e sua substituição por uma MM-EPE, ameaçando 120 postos de trabalho e pondo em causa o serviço prestado ao Exército pela Manutenção Militar há mais de um século.
  • Celebração do 25 de Abril e defesa dos valores da Revolução.
  • Greve parcial os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa (28/Abr)
  • Depois de os trabalhadores da Confeitaria Real, em Vila Real de Santo António, realizarem uma concentração (28/Abr) «o patrão assumiu que irá tomar as medidas necessárias para corrigir os erros, respeitando os direitos consagrados no contrato colectivo de trabalho»,
  • Greves dos trabalhadores de cantinas hospitalares nos hospitais da Figueira da Foz e da Covilhã e no refeitório da Soporcel (27); Maternidade Bissaya Barreto, no Hospital Pediátrico de Coimbra e nos Covões (29). 
  • Greve duas horas por turno (27-30/Abr) dos trabalhadores da Flexipol, na Devesa Velha (S. João da Madeira) por aumentos salariais justos. 
  • Concentração de professores e outros trabalhadores de estabelecimentos particulares e cooperativos de ensino artístico especializado (30/Abr), reclamando uma solução urgente face à falta de financiamento que impede o pagamento de salários.
  • Greve dos trabalhadores da cantina da RTP Porto (30/Abr) em luta pelo pagamento sem cortes do trabalho nos feriados, por aumentos salariais que não ocorrem há cinco anos, contra os ritmos de trabalho intensos e a falta de pessoal.

MAIO

  • Grande jornada de luta e celebração no dia 1º de Maio.
  • Greve dos trabalhadores dos hipermercados e supermercados (1/Maio), por aumentos salariais e contra a ofensiva patronal
  • Greves dos trabalhadores de cantinas hospitalares hospitais de Leiria, Alcobaça, Pombal, Caldas da Rainha, Feira, Aveiro e Cantanhede (4 e 5/Maio).
  • Nova greve na BA Vidro (3-4/Maio), na Venda Nova e na Marinha Grande, porque o diálogo com a administração foi infrutífero, pelo pagamento do trabalho suplementar e em dias feriados, a reposição dos dias de «compensação do horário» e a defesa das 35 horas semanais, o subsídio de refeição nestes dias e a negociação do acordo de empresa.
  • Greve dos trabalhadores do empreendimento turístico Parque da Floresta, em Vila do Bispo, contra o processo pouco transparente de recuperação da empresa Golf Santo António, gestora do empreendimento.
  • Um trabalhador da Lusosider (6/Maio)que tinha sido despedido, no termo do contrato a prazo, retomou o seu posto após ter contestado a decisão da empresa e ver a sua razão ser confirmada pelo Tribunal da Relação de Lisboa. 
  • Greve dos trabalhadores das empresas do Grupo Transportes Nogueira (7-11/Maio) para que sejam cumpridos o contrato colectivo de trabalho e a lei.
  • Greve no STCP (11/Maio) pela defesa do seu carácter público, pela reposição do número de trabalhadores necessários para garantir a oferta programada e acabar de vez com a sistemática supressão diária de dezenas de carreiras.
  • Nova greve na Renault Cacia (11/Maio) exigindo aumentos salariais e o fim da precariedade. 
  • Greve na Carris, CarrisBus e CarrisTur (14/Maio), unindo todos os trabalhadores «na defesa de uma só Carris pública»
  • Greve do pessoal do Serviço Nacional de Saúde (15/Maio) pela reposição das 35 horas semanais, a contratação de trabalhadores necessários nos serviços, aumentos salariais anuais e o fim dos cortes, a regulamentação do subsídio de risco, a recusa da entrega de hospitais a Misericórdias, o combate à extinção e a desvalorização das carreiras específicas da saúde e a exigência de criação da carreira de técnico auxiliar de saúde (e também de técnico de emergência do INEM), a valorização da carreira dos técnicos de diagnóstico e terapêutica (considerando-os técnicos superiores), no quadro da luta por um SNS geral, universal e gratuito.
  • Greve parciais nos fins-de semana  na Atlantic Ferries, a empresa do Grupo Sonae que explora a travessia fluvial do Sado, por melhorias salariais. Face à luta a administração acabou por reconhecer que há dinheiro para aumentar salários.
  • Greve na CNB/Camac, em Santo Tirso, (15-22/Maio) para exigir o pagamento dos salários de Abril e do subsídio de Natal de 2014. Face à luta a administração prometeu liquidar os salários.
  • Paralisações na Petrogal, nas refinarias de Sines (19-22), Porto (21-23) e restantes empresas a 22, pela defesa dos seus direitos e melhor distribuição da riqueza, face aos enormes lucros do grupo e a abundante remuneração dos conselhos de administração, enquanto continuam a recusar aumentar os salários dos trabalhadores e persistem em pretender aniquilar direitos conquistados.
  • Greve dos trabalhadores da Eurospuma (20-21/Maio) cujos salários não são actualizados há mais de dez anos, e a intenção da administração deixar de aplicar o contrato colectivo de trabalho das indústrias químicas, para retirar direitos aos trabalhadores
  • Marcha contra as privatizações de empresas de transportes (21/Maio), em Lisboa. O «Apelo» da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans/CGTP-IN) dirigido «aos trabalhadores, aos utentes e aos cidadãos», apelava a «uma forte jornada de luta contra a liquidação/privatização da TAP, da EMEF e da CP Carga; contra a subconcessão/privatização do Metropolitano de Lisboa, Carris, Transtejo, Soflusa, STCP e Metro do Porto; contra a entrega a privados dos serviços lucrativos da CP; contra a destruição da Refer na fusão com a Estradas de Portugal; contra o roubo dos direitos dos reformados; pela reposição da contratação colectiva nas empresas do sector; por um serviço público ao serviço dos cidadãos; pelo transporte público, pelos trabalhadores, pelos utentes, por Portugal».
  • Greves de uma hora por turno (22-23/Maio e 29/30/Maio) na Preh, em Trofa. Aproveitando os favores dos governos, passou de oito milhões de euros de lucros anuais, antes de 2011, para os actuais 14 milhões, mantendo o número de 750 trabalhadores. Estes rejeitaram o miserável aumento de um por cento.
  • Série de greves de uma hora trabalhadores da Automóveis Citroen (Grupo PSA) por um aumento real dos salários e pela efectiva negociação das suas reivindicações. 
  • Greve dos trabalhadores da Euroresinas (27/Maio-1/Jun) fábrica de resinas sintéticas da Sonae Indústria, em Sines, por aumentos salariais e melhor distribuição da riqueza produzida pelos trabalhadores; progressão nas carreiras; fim da discriminação salarial; aplicação do seguro de saúde igual para todos; e direitos iguais nas férias e subsídio de alimentação. Os trabalhadores decidiram suspender luta em Junho para dar abertura à negociação por parte da empresa.
  • Greve de quatro dias na Flexipol (29-22/Maio) perante os lucros da empresa e os aumentos chorudos atribuídos a alguns, enquanto para o pessoal da produção, que já tem os salários mais baixos, a proposta patronal está em 1,5 por cento.
  • Greve dos trabalhadores do refeitório do Hospital de Santa Maria (29/Maio), concessionado à Eurest, contra o despedimento colectivo de 48 funcionários.

JUNHO

  • Greve dos enfermeiros (4-5/Jun) pela melhoria das condições de trabalho, pelo limite máximo de 35 horas semanais, e em defesa da melhoria dos cuidados de enfermagem.
  • Greve dos trabalhadores das cerâmicas Abrigada (Alenquer), Rauschert (S. Domingos de Rana) e Cobert Telhas (Torres Vedras) (4/Jun) pela reposição do feriado roubado, pela reposição do feriado roubado, pela defesa dos direitos consagrados no contrato colectivo e pelas reivindicações apresentadas às empresas.
  • Ocupação simbólica da sede do Metropolitano de Lisboa (4/Jun), onde estavam reunidos os administradores, em acumulação de funções, desta empresa, da Carris, da Transtejo e da Soflusa, para exigir a marcação da uma reunião com a administração, há muito solicitada.
  • Greve na fábrica de travões do Grupo CBI (antiga Robert Bosch), em Abrantes (5/Jun) para exigir aumentos salariais e o fim das arbitrariedades no pagamento do trabalho extraordinário.
  • Greve de 48 horas (8-9/Jun) dos trabalhadores da Covibus na Covilhã. O pessoal daquela transportadora do grupo espanhol Avanza reclama aumento dos salários (inferiores a 600 euros) e do subsídio de refeição e a integração permanente nos quadros de alguns trabalhadores que têm estado com sucessivos contratos a prazo. 
  • Greve dos trabalhadores da Eurest no refeitório da Autoeuropa (11-12/Jun) pela negociação salarial; há seis anos que os salários não são actualizados.
  • Nova greve dos trabalhadores da Eurospuma, em Guetim (17/Jun) e desde a fábrica até à Câmara Municipal de Espinho. 
  • Greve dos trabalhadores da Panrico no feriado de 10 de Junho e dia 29, para exigir que a empresa pague o trabalho suplementar de acordo com o que estipula o contrato colectivo de trabalho da pastelaria e confeitaria,
  • Greves do sector dos transportes: CP Carga (17/Jun), Metropolitano de Lisboa (18 e 26/Jun), SPdH (19/Jun)
  • Greves de duas horas dos trabalhadores da Logística do Continente (Grupo Sonae) na Maia (17-/Jun), para exigirem aumentos salariais de 30 euros por mês e de cinco por cento no subsídio de refeição.
  • Greve de médicos do IPO do Porto (18-19/Jun) em protesto contra a ilegalidade que os obriga a trabalhar «pelo menos 30 horas seguidas».
  • Jornada de luta dos trabalhadores dos sectores da Agricultura, Alimentação, Bebidas, Tabacos, Hotelaria e Turismo (18/Jun), com concentrações em Lisboa e Funchal, pelo aumento imediato dos salários, contra a caducidade dos contratos colectivos e pela efectivação do direito à negociação, posto em causa por associações patronais e empresas.
  • Greve ao trabalho suplementar dos os trabalhadores a Logística do LIDL, na Marateca (Palmela), por aumentos dos salários e também por horários que permitam conciliar a vida profissional com a vida pessoal e familiar. 
  • Greve às diligências dos guardas prisionais (17-19/Jun)
  • Greve dos trabalhadores da Preh Portugal, na Trofa (19-/Jun) provocando a paragem da produção, para insistirem na exigência de aumentos salariais superiores ao valor de um por cento, aplicado em Abril. 
  • Manifestação Nacional de Professores (20/Jun) em defesa da profissão docente e da escola pública.
  • Nova greve dos trabalhadores da Camac (25/Jun) para exigir o pagamento de salários e subsídios em atraso, tendo fechado os portões das instalações a cadeado para impedir a entrada e saída de mercadorias.
  • Jornada nacional de luta dos trabalhadores da Administração Pública (26/Jun) com concentração frente à Assembleia da República)

JULHO

  • Vigílias e greves dos trabalhadores dos transportes (8/Jul) contra as privatizações, na EMEF (greves de duas horas nos dias 8,10, 13 e 15), Metropolitano de Lisboa, Carris, SPdH, e CP Carga (16). Ferroviários no activo e reformados concentraram-se em Lisboa no dia 16.
  • Novas greves na BA Vidro (11-14/Jul), nas fábricas de Avintes (Vila Nova de Gaia), Marinha Grande e Venda Nova (Amadora).
  • Greve dos trabalhadores do hotel Palácio Hotel, propriedade da Sonae Turismo (15/Jul) a única unidade de cinco estrelas que não actualiza salários há quatro anos, mantendo a tabela salarial mínima, o que representa cerca de 600 euros para a maioria do pessoal.
  • Concentração de trabalhadores frente à AR (22/Jul), convocada pela CGTP-IN, para dizer «basta» à política de exploração e empobrecimento.
  • A luta dos trabalhadores da Lisnave, Lisnave Yards, Gaslimpo, Tecor e Rebocalis levou a aumentos salariais de 2%, com efeitos retroactivos a Janeiro deste ano, incluindo aumentos do subsídio de férias e trabalho suplementar, 
  • Após o início de nova greve dos trabalhadores da Euroespuma (15/Jul) a administração recebeu os trabalhadores e comprometeu-se a iniciar negociações.
  • Greve parcial dos trabalhadores da Bosch Car Multimedia, em Braga (17/Jul) para exigir resposta positiva ao caderno reivindicativo entregue em Fevereiro, exigindo um aumento salarial de um euro por dia e um salário mínimo base de 600 euros para os trabalhadores com contrato a termo ou temporário. 
  • Greve dos trabalhadores da OTIS Elevadores (24/Jul) para reclamar aumentos salariais de 60 euros para todos os trabalhadores.
  • Greves de duas horas dos trabalhadores da Logística do Continente, na Maia (28-/Jul), para reivindicarem aumentos salariais, que não ocorrem há cerca de cinco anos.
  • No 2º dia de greve dos trabalhadores da Chronopost, em Valongo (29-30/Jul) a unidade de intervenção da GNR impediu a legal actuação do piquete. Em causa está o cálculo dos subsídios de férias e de Natal, contando as prestações complementares (trabalho suplementar, trabalho nocturno), uma compensação pelo acréscimo de encargos com transportes depois da mudança para instalações a cerca de quatro quilómetros, e a remuneração do trabalho suplementar sem os cortes impostos desde 2012.  
  • «Marcha dos Recibos» dos trabalhadores da SPdH, com greve parcial (31/Jul) por melhores salários, fim dos abusos na organização dos horários de trabalho e à proliferação da precariedade.

AGOSTO

  • Greves dos enfermeiros de um dia em cada uma das cinco ARS, durante 1ª quinzena, porque o Ministério da Saúde não está a cumprir o protocolo negocial que assinou há dois meses.
  • Greve dos funcionários do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras com funções não policiais (13-14/Ag) reivindicando melhores condições de trabalho. 
  • Greve dos trabalhadores da Naveprinter, na Maia (14/Ag) porque a administração recusou negociar as reivindicações apresentadas, entre as quais um aumento salarial de 50 euros. 
  • Greve dos trabalhadores de cantinas em hospitais e outros locais de trabalho (15/Ag), em protesto contra a violação do contrato colectivo no que diz respeito ao pagamento do trabalho prestado em dias feriados.
  • Greve dos trabalhadores do serviço fluvial da MoveAveiro (ferry entre São Jacinto e o Forte da Barra, na Gafanha da Nazaré) (19-24/Ag), contra cortes salariais de 100 a 300 euros e pelo reconhecimento da antiguidade na transição para a Câmara de Aveiro.
  • Greve dos trabalhadores dos Empreendimentos Turísticos Montebelo (Grupo Visabeira) (21/Ag) para contestar a decisão patronal de alterar a convenção colectiva que vigora há anos na empresa, o que impõe aos trabalhadores perda das diuturnidades, da majoração das férias, do subsídio de alimentação nas férias, do feriado do Carnaval e da progressão automática na carreira, entre outros direitos.
  • Greve dos trabalhadores da SPdH (29-39/Set) por uma revisão salarial e em «solidariedade para com os nossos colegas contratados e subcontratados».

SETEMBRO

  • Greves parciais dos trabalhadores dos transportes, na Transtejo (7-8/Set), na Soflusa (14-15/Set),  e Carristur (12/Set) contra os processos de subconcessão/privatização e pelo cumprimento dos acordos de empresa.
  • Novas greves de duas horas por turno dos trabalhadores da Logística do Continente (Grupo Sonae), na Maia (19-22/Set) por aumentos salariais, congelados há cinco anos.
  • Greve dos guardas prisionais do Estabelecimento Prisional do Funchal (11-20/Set) a exigir a substituição do director e outro responsável em comissão de serviço, devido à instabilidade gerada.
  • Novas greves na BA Vidro (19-22/Set) porque a administração rompeu as negociações do Acordo de Empresa e recusa repor os direitos contratuais que retirou ao pessoal.
  • Greves de enfermeiros no Hospital de Guimarães e na Unidade Local de Saúde do Alto Minho (hospitais de Viana do Castelo e Ponte de Lima, 13 centros de saúde, unidades de convalescença de Valença e Arcos de Valdevez) (25-30/Set), pela harmonização salarial.

Esta resenha dá seguimento a compilações feitas em anos anteriores (ver 2006200720082009, 2010, 201120122013, 2014). É elaborada a partir de uma recolha de notícias do jornal Avante! e sítios sindicais. É portanto incompleta, mas já dá ideia da intensidade da luta.

A última vontade

“É minha vontade ser incinerado no forno crematório e que as cinzas sejam espalhadas na terra ou canteiros de flores do cemitério.
É também minha vontade, que peço ao meu Partido que respeite, que no funeral não sejam pronunciados quaisquer discursos.
É-me também particularmente grata a ideia de que poderão querer (seja-lhes ou não possível fazê-lo) despedir-se de mim nesse dia, designadamente:
– camaradas meus, dos mais responsáveis aos mais modestos e desconhecidos, junto com os quais, antes e depois do 25 de Abril, lutei até aos últimos dias de vida (sempre com confiança no futuro) pelos interesses e direitos dos trabalhadores, por uma sociedade de liberdade e democracia, pelo bem do nosso povo e da nossa pátria, pelo nosso partido como partido da classe operária, dos trabalhadores, de todos os explorados e ofendidos, por uma sociedade socialista;
– também familiares a quem muito quero, antes de mais a filha querida e seus filhos, a irmã, a companheira mulher amada e outros familiares próximos, aos quais, mesmo quando longe, me ligaram, e ligam, até aos últimos momentos de vida, os mais profundos e ímpares sentimentos de amor e ternura;
– e ainda amigos sem partido, e homens, mulheres e jovens que me habituei a estimar e a respeitar, e a muitos dos quais me ligaram profundas relações de amizade e compreensão;
– outros que queiram estar presentes, com respeito pelo que como comunista fui toda a vida, com virtudes e defeitos, méritos e deméritos como todo o ser humano.

A todos desejo que, vida fora, realizem os seus sonhos.”

Álvaro Cunhal

Dez anos às vezes é muito tempo, outras vezes parece pouco. Seja qual for a percepcção individual e colectiva, temos como certo que há dez anos (13/06/2005) perdemos um dos melhores seres humanos, dos maiores lutadores, pensadores e defensores dos valores em que acreditamos.

Ser arquitecta no país da austeridade, por Joana Pereira

8 Série “Ser no país da austeridade”

É bom projectar a cidade, projectar o habitar, projectar cada espaço que serve o ser humano… para mim e para nós é uma função primordial, pois é presença constante em tudo no nosso quotidiano e que gera não só relações lógicas de vivência dos espaços, como também cria o património do amanhã.

É bom projectar, ser criativo e ter ideias para ajudar a solucionar problemas, as pessoas dizem; “oh arquitecto, como é que eu nunca me tinha lembrado disso antes?”, “oh arquitecto, era mesmo isto que eu queria”, “oh arquitecto precisava disto”, “oh arquitecto o que acha daquilo”. E é bom quando isso acontece, significa que de uma forma ou de outra o reconhecimento do nosso trabalho vai ganhando terreno. Mas infelizmente nem sempre isso acontece… e é então que me pergunto, porque continuamos nós sem uma tabela de honorários fixa e actualizada que possa defender estes arquitectos, que já vulneráveis às desculpas de uma suposta crise, não têm algo que os unifique e proteja… Desta forma, e desculpem a expressão, irão continuar a deitar-se muitas calças abaixo para que se consiga algum trabalho que coloque pão na mesa…

E esta é uma luta desleal, onde uma qualquer empresa de materiais de construção diz que faz “projectos de arquitectura” (que me fazem questionar se continuam a sair cupões na farinha Amparo, desta vez com cursos de arquitectura), mas mais grave são estes “arquitectos amparo” praticarem preços completamente inconcebíveis ou mesmo ditos gratuitos em forma de publicidade enganosa.

Esta é uma luta desleal, quando ainda há bem pouco tempo houve quem colocasse a possibilidade de nos tirar o direito a exercer alguns dos actos próprios da profissão, como a gestão e a fiscalização de obras. Já não basta a falta de condições em que grande parte dos jovens arquitectos trabalha hoje em dia, ainda lhes queriam tirar a oportunidade de poder fazer mais do que preencher burocracias de processos de camarários.

Felizmente tudo não passou de um susto e a coisa acabou por se resolver pelo melhor, mas o que vos digo, é que espero sinceramente que este seja um primeiro sinal de melhoras e de bom senso, para que a Arquitectura nacional consiga assumir o seu verdadeiro lugar em Portugal e com o valor que lhe merece ser dado! Por isso, se não queremos virar costas à Pátria temos de usar toda a criatividade para procurar alternativas e soluções à nossa própria condição, sem nunca nos resignarmos, numa constante procura de oportunidades, de fazer mais, melhor e diferente, lembrando-nos que apesar de todas as condições adversas que possam existir, os verdadeiros arquitectos, continuam a amar aquilo que fazem, a representar o país cada vez mais e melhor no mundo e isso ninguém nos pode tirar!

*Blogger Convidado
Joana Pereira, arquitecta

Nota de referência:
A luta de classes é o motor da História, e por isso é preciso ir oleando a engrenagem. A luta do Manifesto74 é feita com palavras. É por isso que aqui não há colaboradores, empreendedores e empregadores. Escrevemos trabalhadores, empresários e patrões. Nesta luta temos o nosso lado bem definido. Estamos com os trabalhadores e as suas famílias, com os explorados e oprimidos. É para estas pessoas que escrevemos. São estas pessoas que queremos escutar. Publicaremos aqui uma série de textos de profissionais de várias áreas onde simplesmente lhes pedimos que nos falassem da sua profissão, do seu trabalho, do seu dia a dia. As palavras, as reflexões, as propostas, as denúncias, as exigências são de quem as escreve. Que os seus testemunhos sirvam para esclarecer e alimentar o debate. Que as palavras acrescentem força à luta e com eles se fortaleça.