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A música que não cabe nas televisões


Tão longe dos holofotes dos media como dos top musicais, há quem faça da música parteira do mundo novo. São os netos de Woody Guthrie, de Victor Jara e de Zeca Afonso. Ao contrário da pop não é a forma que determina a eficácia do disparo e até o alvo é diferente. Da garganta e dos instrumentos, é o conteúdo que funciona como gatilho. Ninguém se importa com o penteado do ‘O Zulù, uma das vozes dos 99 Posse, como ninguém se importa com o que veste o Alex dos Inadaptats. As ideias acima da estética. Não são alvo da histeria adolescente e a sua obra não caminha aos ombros da indústria discográfica.

Esta é uma realidade que se atravessa ao longo do espectro artístico. A pornografia dos valores está presente do cinema à música e da arquitectura à literatura. A arte como explicou Vladimir Maiakovski não é um espelho para reflectir o mundo. É antes um martelo para forjá-lo. É isto que não interessa aos que comandam os destinos das nossas vidas através do poder económico e financeiro. A ideologia dominante é a ideologia da classe dominante. Nada de novo. O estrelato está reservado para quem não questiona o sistema e, sobretudo, para quem o defende atacando as alternativas criadas. Para os outros, há o alçapão da história. Que é escrita pelos vencedores. Até começar a ser escrita por nós.

Na juriš! (35 anos depois de Tito)





(Na juriš! é uma Canção da resistência jugoslava, composta em 1943, pela Brigada Eslovena “Levstik”, e que aqui é interpretada pelo Coro Partizan de Trieste ‘Pinko Tomazic’)

Na  juriš!

Ao assalto, ao assalto, ao assalto,
Ecoa nas madeiras o clamor dos combatentes,
As fileiras inimigas são grandes!
Atirar, esquivar, bater, atirar!
Ao assalto Partizan
Antes de ti é o dia da liberdade.
Atirar, esquivar, bater, atirar!
Ao assalto Partizan
Antes de ti é o dia da liberdade.

Ao assalto, ao assalto, ao assalto,
Vingaremos as casas queimadas,
Vingaremos todos os nossos túmulos!
Baniremos os demónios e pouparemos o sofrimento!
Ao assalto Partizan
Antes de ti é o dia da liberdade.
Baniremos os demónios e pouparemos o sofrimento!
Ao assalto Partizan
Antes de ti é o dia da liberdade.

Ao assalto, ao assalto, ao assalto,
Já canta a nossa metralha
Pelas florestas, pelos vales e montanhas,
Dispara e não falha, de sangue inimigo
A terra deve banhar
Ao assalto, Partizan!