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De Chumbo em Chumbo

Depois de, há poucas semanas, ter detectado e apontado irregularidades e falta de transparência nas privatizações da EDP e da REN – em claro e grave prejuízo para o Estado Português –, o Tribunal de Contas voltou a arrasar mais um acto de gestão do actual governo. Desta feita, os juízes consideraram “excessivo” o aumento da taxa da ADSE e denunciaram – e este é o verbo mais adequado – o uso desse mesmo excedente para “compensar a redução do financiamento público” e satisfazer “problemas de equilíbrio do Orçamento do Estado”. Ou seja, o inusitado sacrifício que o governo impôs aos funcionários públicos teve apenas um único propósito: mascarar o défice, inverter estatísticas negativas e alimentar a ideia de que, afinal, as contas públicas estão “no bom caminho”.

O aumento da taxa para a ADSE não serviu para garantir a “sustentabilidade” nem a “melhoria” do sistema, mas sim para alimentar a incompetência do governo, desviando dinheiro dos trabalhadores para fins que nada têm a ver com o objecto ou objectivo legal dos seus descontos.

Mas a mentira tem perna curta. E são os próprios intervenientes políticos que, pela evidente contradição, se denunciam a si próprios. Passos Coelho reagiu esta manhã dizendo que esse excedente só serve ou só servirá para alimentar a própria ADSE. Já o ministro Paulo Macedo, o mesmo que se esqueceu de se demitir, disse que não sabe sequer se esse excedente existe. Com esta atrapalhação e dissonância tudo fica verdadeiramente às claras. Tal como a Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública havia denunciado e previsto logo que a medida fora anunciada, o aumento da taxa para a ADSE não serviu para garantir a “sustentabilidade” nem a “melhoria” do sistema, mas sim para alimentar a incompetência do governo, desviando dinheiro dos trabalhadores para fins que nada têm a ver com o objecto ou objectivo legal dos seus descontos.

Posto isto, é caso para perguntar: vai o governo devolver aos trabalhadores aquilo que indevidamente lhes retirou? Vai o ministro da Saúde – finalmente – demitir-se e sair pela porta pequena como merece há muito? Vai este governo pagar pela quantidade enorme de mentiras que têm vindo a público de forma sucessiva e reiterada? Mas vai mesmo? As respostas a estas perguntas já não se pedem. Exigem-se. Impõem-se. Com urgência.