All posts tagged: Polígrafo

O PCP, o Polígrafo e o Expresso

O Polígrafo pegou hoje numa publicação de uma página de desinformação para fazer uma verificação de factos em torno do centro de trabalho do Vitória, do PCP, que fica na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Segundo a página de desinformação, o PCP tem uma sede “ao lado da Gucci, na rua da Versace, Louis Vuitton e Tom Ford”. A avaliação, que o Polígrafo classifica como “verdadeiro, mas…” tem por base o facto de o PCP ter na Avenida da Liberdade não uma sede, como lhe chama o Polígrafo, mas um centro de trabalho há mais de 40 anos e, espante-se, nessa altura, ao seu lado não havia nem Gucci, nem Versace, nem Louis Vuitton. Aproveito ainda para informar o Polígrafo e a página de desinformação que o PCP tem um centro de trabalho no Porto, na Avenida da Boavista, pelo que estará também na mesma rua ao lado de hotéis, bancos, supermercados e, com um bocadinho de boa vontade, do Estádio do Bessa.


Para justificar esta “investigação”, o Polígrafo refere o seguinte: “A imagem em causa é autêntica? Confirma-se que o PCP tem “sede ao lado da Gucci, na rua da Versace, Louis Vuitton e Tom Ford”? Verificação de factos, a pedido de leitores do Polígrafo“.

Começa aqui a minha curiosidade. O Polígrafo terá sido confrontado por alguns leitores para aferir se uma informação dada pela página de desinformação é verdadeira. Curiosamente, até hoje, nenhum leitor do Polígrafo terá pedido ao site de verificação de factos que afira a veracidade do caso das palavras cruzadas do Expresso, uma vez que não há qualquer referência a isto no Polígrafo. Recordemos, então, o que se passou.

No passado sábado, a revista do Expresso trazia, nas suas palavras cruzadas, no número 1 horizontal, a seguinte descrição da palavra que deveria ocupar o quadriculado: “Ensinam quando não estão em greve”. A resposta: Professores.

A imagem circulou nas redes e teve algum impacto quando a FENPROF exigiu um pedido de desculpas ao Expresso. Chegou à maioria dos órgãos de comunicação social. Ou, melhor, nem todos. Curiosamente, através de uma busca no Google, verificamos que nenhum órgão de informação do Grupo Impresa, noticiou sequer a questão das palavras cruzadas. Obviamente que o facto de o Grupo Impresa ser dono do Expresso e da SIC, com quem o Polígrafo tem uma parceria e um programa de televisão, nada tem a ver com este apagão informativo da relativamente a uma matéria que gerou milhares de comentários.

Mas há mais. Quem assina as palavras cruzadas do Expresso é Marcos Cruz. Ora, de acordo com este artigo de José Pedro Castanheira no Expresso, Marcos Cruz é, na verdade, a mulher de Pinto Balsemão: “Mercedes Balsemão, mulher do diretor, faz as palavras cruzadas, com o pseudónimo de Marcos Cruz”. Portanto, como certamente o Polígrafo irá investigar para saciar a nossa curiosidade, Marcos Cruz ainda é pseudónimo de “Tita” Balsemão, como é conhecida? Será que isso tem alguma coisa a ver com a inexistência, nos sites da Impresa, de algo que gerou tanto buzz nas redes socais?

Cá continuaremos à espera de respostas que o Polígrafo, com certeza, terá para dar, já que passou ao lado destas

Espaço vegan na Feira do Fumeiro

No passado dia 5 de junho, o Polígrafo, órgão que se descreve como especializado em verificação de factos, utilizou uma imagem onde surge o meu nome, após a partilha de uma foto no Facebook, à qual acrescentei um comentário. Indo por partes, para que se possa perceber o que está em causa. As festas da Azambuja, Festas de Maio, tiveram lugar entre os dias 3 de Maio e 30 de Junho e, entre as muitas outras atividades e iniciativas, conta-se uma largada de touros. Esta decorre nas ruas da cidade, incluindo na Rua Victor Cordon, 74, onde está localizado o Espaço Bloco, pertencente ao Bloco de Esquerda.

O Polígrafo pergunta: “Bloco de Esquerda aproveita largadas de touros para se promover na Azambuja” e “fazer negócio”?. O Polígrafo diz que não. Que é falso. Esta é a foto em causa.

Falha objetiva
No artigo do Polígrafo, podemos ver um print screen da página Touro e Ouro, omitindo que essa não é a fonte original da foto, mas sim esta publicação pública de um utilizador do Facebook. A publicação no Facebook data de 31 de maio, o artigo na página Touro e Ouro é de dias 3 de Junho. A foto já estava a ser divulgada nas redes muito antes de chegar à página.

As mensagens
Como o meu nome e o meu comentário surgem associados a uma suposta notícia falsa, contactei o polígrafo nesse mesmo dia, de manhã, questionando o seguinte:

(…) classifica como falso o facto de o Bloco ter estado a fazer negócio durante as festas na Azambuja. Ainda assim, na peça, é afirmado que: “Na sua sede, no ‘Espaço Bloco’, instalado na Rua Victor Cordon, 74, local por onde passam e se realizam as largadas de touros, que levam milhares de aficionados e entusiastas à vila de Azambuja, o Bloco de Esquerda tem devidamente decorado um Burladero, como se pode ver na imagem, bem como tem recebido no seu espaço diversos membros da concelhia local, e amigos, que aí se têm divertido durante os eventos taurinos, segundo nos informam diversos aficionados locais”, remetendo depois para um comunicado da estrutura local do BE. Ou seja, o Polígrafo faz boa-fé do comunicado do Bloco e deixa de lado as informação de que houve convívios naquele espaço com que propósito? Valerá mais a palavra da estrutura local do Bloco do que a dos que foram contactados e referem o contrário? O Polígrafo desmente-se a si próprio e é incapaz de dizer se o espaço estava ou não a ser utilizado como bar, coisa que sucede sempre. Fico a aguardar esclarecimento da vossa parte“.

Depois de uma longa espera, envio nova mensagem, acompanhada desta imagem.

Recebo, finalmente, já durante a tarde, uma mensagem do diretor do Polígrafo, Fernando Esteves, onde me são pedidas “provas cabais” de que tal sucedeu: “Um recibo, alguém que admita em on que lhe venderam uma bebida na delegação do partido, o que quer que seja, desde que devidamente documentado e assumido? Se tiver, comprometemo-nos a corrigir o Fact-Check e a denunciar que o Bloco de Esquerda mentiu publicamente ao afirmar que isso não aconteceu“.

Ou seja, o Polígrafo, que no seu artigo se serve de um comunicado do BE da Azambuja e de outras fontes que contactou, mas não as divulga (fontes em off) espera, no entanto, que eu divulgue as minhas fontes em on. A esta questão, responde Fernando Esteves que “depois do fact-check do Polígrafo, se o BE tiver mentido, a informação que o prova chegará rapidamente. Estamos convictos de que o não fez. Nada há, nas imagens que analisámos, que sequer insinue que se vendeu cerveja na delegação do BE. Falámos com fontes do partido (e não só) e reforçámos essa convicção.” Isto é, na verdade, um bom alerta relativamente ao modo de trabalhar do Polígrafo, com base em convicções e, mais adiante, conforme mensagem recebida: “Quando um partido assume uma posição pública tão inequívoca é porque está muito seguro do que diz. Parte do pressuposto que, se um partido desmente, é porque é mentira.

Curiosamente, nos próprios comentários ao post do Polígrafo no Facebook, surge o seguinte comentário público:

Terá falhado esta fonte ao Polígrafo, nas várias que contactou para além do Bloco da Azambuja, como foi referido acima.

Os critérios do Polígrafo
Na página do Polígrafo, podemos encontrar o seu método de trabalho, que tem como base cinco pontos:
1 – Consultar a fonte original da informação
2 – Consultar fontes de natureza documental que possam solidificar o processo de checagem
3 – Ouvir os autores da afirmação, dando-lhes o direito de a explicar
4 – Contextualizar a informação
5 – Avaliar a informação de acordo com uma escala de avaliação

Neste artigo, o Polígrafo não cumpriu o primeiro ponto que diz ter como método de trabalho. O autor da foto original não foi contactado. O Polígrafo também não cumpriu o ponto três dos seus próprios critérios, uma vez que eu, sendo visado na publicação e autor da afirmação replicada no site e, mais tarde, num vídeo, não fui convidado a explicar o que quer que fosse.

A avaliação 
O Polígrafo classifica como falso que o Bloco usou um evento tauromáquico para se promover, mesmo mantendo a sua sede aberta e com o burladero devidamente identificado com o símbolo do partido. E, aqui, o Polígrafo entra em matéria de opinião e não de facto para defender a sua avaliação. E não é isso que fazem os sites com o mesmo propósito do Polígrafo. O Snopes, talvez o mais reputado e que acompanho regularmente, nunca o faz. Mas isso ficará ao critério do Polígrafo e do Fernando Esteves, que, certamente, não acharia estranho um espaço vegan numa feira do fumeiro. Percebo que seja difícil ao Bloco explicar a sua posição, que vota a favor da proibição dos eventos tauromáquicos na Assembleia da República – curiosamente, excetuando o seu deputado por Santarém, que se absteve – mas tem como proposta apenas o fim do apoio público a este tipo de eventos. Mas isso não é algo que, obviamente, cabe ao Polígrafo avaliar.

Um convite
Dito isto, fica o convite ao Polígrafo, que agora está semanalmente na SIC, em horário nobre, que investigue se há ou não uma lista de jornalistas avençados do BES na posse do Expresso, do mesmo grupo da SIC, que eram pagos pelo banco para dizer o que melhor conviesse a Ricardo Salgado. Estamos há anos ansiosos por saber.

Finalmente
Pela minha parte, o Fernando Esteves não tem de preocupar-se com a difusão de notícias falsas. Combatêmo-las aqui no Manifesto74 e nas redes, tantas e tantas vezes, muito antes de o antigo editor da revista Sábado fazê-lo profissionalmente. A título pessoal, serei o primeiro a assumir que o fiz, se alguma vez o fizer, a bem da verdade e do bom uso das redes sociais, que faço questão de manter com o mesmo nível de exigência que tenho para comigo fora das redes.