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UGT, what else?

Esta coisa de de repente se apresentarem alternativas ao velho “arco da velha”, anda a irritar muita gente. Inefável na sua defesa do “centrão”, condição essencial para a sua existência, vem agora a UGT, através do seu iluminado líder, Carlos Silva, dizer que bonito, bonito era um blocozinho central com o CDS à mistura. Nada de novo, os cães fiéis e bem treinados obedecem sempre à voz do dono, sabem bem que no dia em que o não fizerem vão descalços para a cama e de barriga vazia.

Sempre que é preciso a máscara da UGT cai. Já o lancei várias vezes e volto a lançá-lo, o apelo aos trabalhadores sindicalizados nos sindicatos desta amarelice em forma de central sindical para que se deixem disso. Não adianta pagarem quotas a quem efectivamente não vos defende, não adianta suportarem sindicatos que constantemente aceitam migalhas em troca de bifes do lombo.

Os exemplos são mais que muitos. Um dos últimos, assinado pela calada durante as férias balneares de Agosto, é o acordo colectivo entre a FNE, federação dos professores da UGT, e pela AEEP – Associação dos Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo. Este acordo responde, nomeadamente, ao fim dos apoios europeus ao Ensino Artístico Especializado, e fá-lo como? Modificando as tabelas salariais e a contagem do tempo de serviço em desfavor dos professores, ora bem. E quando se começaram a perceber os problemas de financiamento e de funcionamento que estas escolas iriam ter, já lá estava o acordo colectivo assinado, para ser entregue pelos directores destas escolas aos professores que, com medo de perder o emprego, até foram assinar tal documento.

E é isto todos os dias, a todas as horas, a todos os segundos, a UGT e os seus sindicatos a colaborarem com os patrões, a aumentar-lhes o espaço de manobra, a encher-lhes os bolsos, sempre em defesa da concertação social e dos desígnios do país. Anda tudo a tremer que nem varas verdes. Bem, a UGT não treme, mantém-se firme no divisionismo.

Este texto, ao nível da qualidade de escrita, ficou fraquinho. Mas também para que é que me havia de dar ao trabalho de tentar escrever alguma coisa de jeito sobre uma coisa que não tem jeito nenhum?

Para terminar, um pequeno texto do Ricardo Matos, apanhado por aí: “A situação política actual é muito pedagógica. Uns estão a perceber
agora porque que é que as legislativas não são eleições para primeiro
ministro. Outros descobrem a democracia parlamentar. Outros ainda deram a
descobrir que a democracia não é o seu forte.”

Resto de bom domingo, no quentinho, que faz frio lá fora.

E tu, o que vais fazer sobre isto?

Números. Percentagens. Sobe e desce. Sondagens do fixo. Sondagens de rua. Arruadas que inundam ruas. Arruadas genuínas, com pessoas que se deslocaram ali porque quiseram. Arruadas fictícias, com pessoas que se deslocaram ali porque lhes pagaram. Centenas aqui. Milhares ali. Dezenas acolá. Salas cheias. Também algumas genuínas e outras, muitas, fictícias. E no meio disto, e nesta primeira semana de campanha, o número mais importante para mim foi o “um”. O “uma”. Uma pessoa que me entregou a sua ficha de inscrição no Sindicato. Uma pessoa que assumiu a sua opção de classe.


No dia 5 de Outubro o mundo não passa a girar ao contrário e os que mandam não vão ser outros. Vão continuar a ser os mesmos. Os que pressionam e compram aqueles que estão em lugares políticos de poder. É por isso que estas eleições são importantes, não para saber se ganha a continuidade ou a alternância da continuidade. O que importa é que aqueles que não sei deixam pressionar nem comprar pelos que mandam aumentem a sua influência na Assembleia da República. É esse o verdadeiro voto útil.

O voto é teu, a opção de classe é tua. O voto não chega, mas ajuda, a opção de classe é essencial. As organizações que te defendem, todos os dias, todas as horas, precisam de crescer, precisam de ter mais força, mais músculo para contrariar o quotidiano imposto pelos que mandam.
E os que mandam não são entidades vagas, são eles, eles mesmos, mas esse eles tem cara, tem carne, tem ambições desmedidas e quase sempre tem medo de ti, medo que deixes de ter medo deles e te juntes aos outros que são como tu. Medo que lhes digas não, que lhes digas ide roubar ó caralho!

Eles são o patrão que nunca te mostra a cara, que se esconde no gabinete luxuoso do último andar do prédio da empresa e que no elevador só sabe carregar num botão, o da garagem onde tem o carro que o leva dali para fora. E que bela vista para o rio tem o seu gabinete.

Eles são o dono do banco que acha que aqueles milhões de lucro ainda não são suficientes. A falta que lhe faz uma mansão nova.

Eles são aquele patrão que não gosta de pagar salários e que paga os mais baixos que consiga. Ai as férias do outro lado do mundo.

Eles são o teu antigo colega que subiu na empresa a troco de favores e acaba de te dizer que infelizmente os teus serviços já não são necessários e estás dispensado. É grande o bónus que ele recebe por cada despedimento.

Eles são aquele escritório de advogados que de forma matemática estuda a melhor forma de dinamitar toda e qualquer hipótese das leis laborais te defenderem. E os futuros cargos em empresa de renome que eles vão ter.

Eles são os teus colegas que dizem colaborador em vez de trabalhador e que até fizeram um sindicato novo de que os patrões gostam mais porque cedem em toda a linha. E quando perceberem que vão para a rua como os outros?

Uma pessoa. Uma pessoa mais que assumiu a sua opção de classe. Uma pessoa mais que vai ajudar a que a luta pela mudança disto tudo continue mais forte depois das eleições, seja qual for o resultado. Uma pessoa que no minuto de fazer a cruzinha, certamente vai olhar para o boletim e pensar n’eles e vai mandar à fava os seus consensos. Ela sabe que os consensos deles são os seus sacrifícios. Os nossos sacrifícios.

E tu, que sabes isto, que vais fazer? Repito-te.

É por isso que estas eleições são importantes, não para saber se ganha a continuidade ou a alternância da continuidade. O que importa é que aqueles que não se deixam pressionar nem comprar pelos que mandam aumentem a sua influência na Assembleia da República. É esse o verdadeiro voto útil.

E tu, que no fundo sabes que é mesmo assim, o que vais fazer? A sério, mesmo a sério. E tu, o que vais fazer sobre isso?

Há quem diga que a luta não vale nada, que está gasta!

Retirado daqui.

“O Secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, anunciou esta terça feira na Comissão Parlamentar de Cultura que a Proposta de Lei do governo que visava a criação de um Estatuto do Bailarino da CNB não será entregue na Assembleia da República. Este anúncio surge depois do pré-aviso de greve entregue ontem pelo CENA e que foi aprovado por esmagadora maioria em plenário de emergência dos trabalhadores da CNB.


Por agora, e porque já durante este processo a palavra dada pelo gabinete do SEC não foi cumprida, o pré-aviso mantém-se válido. Assim que se confirme que esta proposta não avança, será natural que a greve seja desconvocada.
O CENA e os bailarinos da CNB, continuam a defender que é urgente e justo iniciar um processo aberto, ponderado e de verdadeira discussão sobre o Estatuto do Bailarino da CNB. A solução para estes trabalhadores não é a continuação do seu actual quadro laboral.

É necessário um Estatuto que contemple estas e outras medidas:

– o desgaste rápido da profissão;

– um travão à precarização da profissão, acentuado com a Lei 4/2008;

– um regime especial de seguro de acidentes de trabalho que não remeta para a lei geral;

– o respeito pela ocupação efectiva.

Esta vitória só foi possível devido à grande união entre todos os bailarinos da CNB e restantes trabalhadores. Serve mais uma vez como um exemplo claro de que vale a pena pugnar por leis laborais que dêm às nossas profissões uma maior dignidade e um enquadramento que reflicta as suas especificidades.

Neste momento, e por via das propostas apresentadas na AR, tratava-se apenas da situação específica dos bailarinos da CNB, mas é imperioso que esta discussão possa levar à aprovação de um estatuto profissional para todos os bailarinos e bailarinas. Estamos certos de que a aprovação de um Estatuto do Bailarino da CNB que responda efectivamente às necessidades destes trabalhadores, pode ser um passo importante e decisivo para que no futuro seja aprovado um estatuto geral da profissão.”