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As tragédias do nosso contentamento

Alan Kurdi. Sem ir ao Google, não serão muitos aqueles que se recordam de quem falo. Alan Kurdi correu mundo, parado, morto, num momento captado por um fotógrafo quando deu à costa da Turquia ao tentar escapar de Kobani, na Síria. Tinha três anos. Fugia dos horrores da guerra tentando atravessar ao Mar Egeu, num trajeto feito por milhares, como fazem outros milhares atravessando o Mediterrâneo. Alan Kurdi fugia da agressão à Síria, patrocinada pela UE, NATO e Arábia Saudita, cuja raiz do problema surge em 2009. Assad decide tornar a Síria uma plataforma de passagem de um oleoduto para abastecer a Europa. O projeto inicial deveria iniciar-se-ia no Qatar, passaria pela Arábia Saudita, Síria, Jordânia e entraria na Europa pela Turquia. Este era o plano inicial. No entanto, surgiu uma segunda proposta, que passaria pelo Irão, Iraque, Síria, Chipre e Grécia, que deixaria de fora Qatar, Arábia Saudita, Turquia e Jordânia. E foi a partir daqui que se iniciou, certamente, por mera coincidência, uma invasão de jihadistas ligados ao Daesh naquele país, depois da Primavera Árabe – prontamente apoiada por alguns setores supostamente progressistas – que se transformou num outono sem fim à vista.

Alan Kurdi morreu e a UE foi rápida a tomar medidas. Não abriu as fronteiras para quem morre a tentar fugir da morte, antes passou a pagar à Turquia – como se sabe, um país onde os Direitos Humanos são respeitados integralmente – para que os receba, a partir da Grécia, até ontem governada pelos radicais esquerdistas do Syriza, que afinal foram só mais do mesmo, a troco de dinheiro. 3.000.000.000 de euros para que a mercadoria de pele e osso siga da Grécia para a Turquia, afastando assim a tragédia para longe dos ossos olhos.

A nossa simpatia com Alan Kurdi demorou, mais coisa menos coisa, uma semana e meia. Todos partilhámos os cartoons, as primeiras páginas com a criança de cara colada na areia. Ela foi, afinal, mais um grão na engrenagem da Europa fortaleza que é o projeto europeu. Mas, como a onda que lhe molha a cara, a maré recua e, passados uns dias, já ninguém se lembra de Alan Kurdi. Porque alguém se lembra de dizer que resgatar refugiados que morrem no Mediterrâneo é ajudar redes criminosas de emigração ilegal e consta que, agora, o racismo e a xenofobia fazem parte do direito à liberdade de expressão. Ou ao politicamente incorreto, eufemismo repetido nos media para racismo e xenofobia.

Quando, aqui ao lado, avança a “Cara al Sol”, a maré de compaixão pela cara de Alan Kurdi colada na areia foi desvanecendo, mais ou menos como a espuma das ondas.

Surgiu, entretanto, o caso de Oscar Alberto Martinez e da sua filha Angie Valera, de dois anos. Morreram colados ao tentarem chegar aos EUA, fugidos de El Salvador, um dos países mais violentos do Mundo, também ele colado às Honduras e Guatemala, onde a miséria é pão nosso de cada dia. Morreram colados, de cara colada à lama, cobertos pela água que, mesmo turva, consegue ser mais clara do que o futuro que procuravam. Ali não há mar, há rios. E a água, que em tempos foi ponte, é agora poço sem fundo para milhares que enfrentam a morte para conseguirem viver. E voltamos a ver as caras coladas na lama, a foto partilhada nas redes, os cartoons, a incredulidade daquilo em que nos tornamos enquanto seres humanos. Mas passa. E passará cada vez mais rápido à medida que forem mais comuns. É a normalização destes casos. Do mesmo modo que as imagens de crianças, idosos, menos idosos, na Palestina, a serem assediadas, ameaçadas e mortas já não chocam ninguém. Porque as assumimos como normais, porque aquela zona do globo é assim.

Isto parece-nos tudo tão longe, tão distante, que o nosso choque só é emotivo porque há um impacto visual. Sem estas fotos, Alan Kurdi, Oscar Martinez e Angie Valera seriam anónimos, como outros milhares que tiveram a mesma sorte. Hoje mesmo, alguns países da Europa e da UE continuam a discutir o que fazer com estes peões no jogo político. Itália fecha-se, a Hungria envolve-se em arame farpado, a Bulgária banaliza a caça ao refugiado, a Polónia proíbe partidos comunistas, a Ucrânia saúda Bandera, os EUA aumentam muros – que já existiam antes de Trump, diga-se.

O sistema dominante precisa destes choques para que nos possamos sentir bem. Fazemos uns posts indignados, chocamo-nos e vamos dormir, com a cara colada na almofada até sabermos qual vai ser o assunto do dia seguinte. É a perceção de que fizemos a nossa parte, sem termos tempo – ou vontade ou, sobretudo, necessidade de pensar porque é que isto acontece. Porque se pensarmos que isto acontece porque todos nós permitimos que aconteça, o sistema tremerá mais do que o frio que estas pessoas enfrentam quando se fazem à morte à procura da vida. E, nessa altura, quando tremer, cairá.

A Síria aqui tão perto

Foto de bombardeamento saudita no Iémen, já partilhado
nas redes sociais como sendo em Goutha, na Síria

Woodrow Wilson, depois do final da I Grande Guerra, considerava que os Estados deviam ter em conta a Opinião Pública nas tomadas de decisão. Aliás, deveria ser a Opinião Pública a definir o caminho dos Estados. À parte de outros contributos para uma tentativa de reorganização do Sistema Internacional, o então presidente dos EUA esqueceu uma parte essencial sobre o que é a Opinião Pública, como se forma, quem a forma e com que meios.


Quase 100 anos depois, fica clara a insuficiência do pensamento, mas mantém relevância na análise da realidade internacional. A Opinião Pública é formada, informada e enformada, essencialmente, pela classe dominante, que controla o poder económico e os agentes que formam Opinião Pública, que por sua vez controlam os Estados, sendo os seus interesses antagónicos com os da Opinião Pública, que os assume, por paradoxal que possa parecer. Os dias de hoje deixam isso a nu. A manipulação da Opinião Pública atingiu dimensões inimagináveis há 100 anos. É por isso que os interesses dominantes atribuem diferentes graus de valor àquilo que chega e como chega à Opinião Pública e que, por conseguinte, a forma.

Daqui podemos verificar as diferenças de tratamento da crise na Venezuela, que nos chega como governamental, de sistema político e económico, mas na Colômbia e México são ciclos económicos e vagas de criminalidade, nas Honduras ou no Haiti a crise chega-nos como humanitária.

É por isto que, por vezes, abordamos a questão Síria, com toda a tragédia e complexidade que a envolve, pegando em imagens de Aleppo antes da libertação como sendo da Goutha. E, desvalorizando esse facto, assumimos que é trágico na mesma, porque as imagens não devem ser muito diferentes. Mas, no entanto, a normalização de imagens deslocadas da realidade que pretende retratar, é também uma forma de manipulação da Opinião Pública.

Habituámo-nos à violência em Gaza, por exemplo, a cujas fotografias de Aleppo também poderiam corresponder. Mas dura há tantos anos que já entra na nossa realidade como norma. Em Gaza é assim porque é assim.

Isto para dizer que a Opinião Pública que formamos a partir do que recebemos nos chega, não raras vezes, de forma a que resulte na seletividade do choque.


No Iémen, como na Síria, há uma tragédia humanitária que dura desde 2015, com mais de 9.245 mortos e 52.800 feridos. Entre as vítimas civis, 5.558 são mortais e 9.065 são feridos. Até 14 de Dezembro de 2017. Cerca de 75% da população necessita de assistência humanitária, incluindo mais de 11 milhões que necessitam de assistência imediata para sobreviverem – aumentou um milhão desde Junho de 2017. Há 8,4 milhões em risco de morrer à fome e a vida de 400.000 crianças com menos de cinco anos está em risco.

A diferença substancial no que concerne à perceção que chega à Opinião Pública, é que a intervenção no Iémen, com vista a depor o governo, é composta por EUA, Reino Unido, França e Arábia Saudita. O lado ocidental da perceção, portanto. Por incrível que pareça, sim, a visão saudita é também a que interessa ao Ocidente.

Tal como na Síria que tem, no entanto, uma diferença.Em 2009, Assad decide tornar a Síria uma plataforma de passagem de um oleoduto para abastecer a Europa. Iniciar-se-ia no Qatar, passaria pela Arábia Saudita, Síria, Jordânia e entraria na Europa pela Turquia. Este era o plano inicial. No entanto, surgiu uma segunda proposta, que passaria pelo Irão, Iraque, Síria, Chipre e Grécia, que deixaria de fora Qatar, Arábia Saudita, Turquia e Jordânia.

E é esta a raiz do problema e da perceção que nos chega, na formação da Opinião Pública. Um oleoduto que deixaria de fora os países do Médio Oriente com relações próximas com os EUA e os seus aliados, perdendo o controlo da sua distribuição, perante uma segunda hipótese, que permitiria abastecer a Europa a partir de outros países menos recetivos às interferência externas.

São estas razões que fazem com que Goutha, na Síria, nos pareça tão perto, e Sanaa, no Iémen, nos pareça tão distante.

A Síria, outra vez

Os Estados Unidos da América desencadearam uma acção punitiva unilateral contra a Força Aérea síria, na sequência dos acontecimentos de Idlib que permanecem no fundamental por esclarecer. Cinquenta e nove mísseis foram disparados a partir de dois navios de guerra, tendo como alvo uma base aérea em Shayrat, a sudoeste de Homs.

Esta acção norte-americana, que de resto não é a primeira (durante a administração Obama, por exemplo, foram bombardeadas posições do exército sírio em Deir ez-Zor, numa acção alegadamente “acidental” durante um cessar-fogo), pode ser interpretada à luz de motivações diversas, sendo que nenhuma delas tem a mais leve relação com as vítimas civis da guerra em Idlib, o último “bastião” dos “rebeldes” expulsos da cidade de Alepo.

O suposto “ataque químico do regime” contra objectivos em Idlib é tão desprovido de sentido como outros anteriormente utilizados como pretexto para iniciativas militares e diplomáticas contra a Síria (bombardeamentos contra povoações turcas ou o ataque de Ghouta, por exemplo). Em nenhuma dessas circunstâncias foi feita prova cabal e definitiva sobre as responsabilidades directas das autoridades sírias. E no entanto tudo no discurso mediático nos leva a acreditar que as responsabilidades são inequívocas.

A guerra síria leva sete anos de duração e se há aspecto que durante este período tem sido saliente na política das forças armadas sírias ele é a capacidade demonstrada de evitar provocações e pretextos que abram uma janela de oportunidade para o desencadeamento de hostilidades por parte de exércitos da NATO ou seus aliados regionais (Arábia Saudita e Israel, no fundamental) em socorro dos grupos jihadistas. O suposto ataque químico de Idlib, relativamente ao qual permanece por demonstrar a responsabilidade da aviação síria, enquadrar-se-ia numa reversão surpreendente e injustificada desta política.

Que interesse teriam as forças militares sírias na utilização de armamento proibido numa operação militar de limitadas consequências, numa fase da guerra em que a supremacia é evidente, e quando muitos olhos neste mundo aguardam com avidez um pretexto para dar aos “rebeldes” o tempo e a força que lhes vai escapando?

“White Helmets”

Um manequim logo no início da gravação, deitado no chão, à direita (quase passando por um ser humano vitimado pela guerra). Vários manequins empilhados na traseira de uma carrinha de caixa aberta, na parte final da gravação. É esta, a credibilidade dos “White Helmets”.

Almirante Kuznetsov na Síria

Quando em 1989 as últimas tropas soviéticas abandonaram o Afeganistão, após uma década de operações de apoio à República laica e progressista que resistia como podia ao jihadismo feudal que pariu os Taliban, deu-se o início do fim da relativa paz em que vivia o povo daquele país martirizado por sucessivas invasões e guerras. O exército afegão foi ainda capaz de resistir até 1992, quando a substituição de Mohammad Najibullah e a tomada de posse por parte de um governo de transição constituiu o momento de transição de uma tragédia que teria mais desenvolvimento alguns anos mais tarde, quando em 1996 os Taliban tomaram Cabul e, num gesto de consumação da sua vitória total sobre os últimos vestígios da sua antiga República Democrática, capturaram, torturaram e executaram Najibullah e o seu irmão, que se encontravam sob protecção das Nações Unidas.

Para muitos, o envolvimento da URSS na guerra afegã – participação que, tal como hoje com a Rússia na Síria, aconteceu a pedido das autoridades afegãs – continua a ser percepcionada como uma “invasão” reactiva face ao fortalecimento de grupos armados islamitas, à época designados como “Mujahideen”. A retirada de 1988-1989 foi em larga medida a consequência de uma imensa campanha política e mediática, que apresentava o “urso” russo estrangulando o frágil vizinho afegão, cujo povo se limitava a resistir e combater pela sua liberdade…

As semelhanças retóricas com o que actualmente acontece na Síria impressionam. O governo sírio – habitualmente designado como “o regime de Assad” – enfrenta desde 2012 uma invasão jihadista sem paralelo na história desde 1979 (mesmo considerando o que, com contornos bem distintos, se passou na Bósnia, entre 1992 e 1995). O seu pedido de ajuda ao antigo aliado russo fez recair sobre aqueles que lutam contra o jihadismo o mesmo estilo de acusações comuns no debate público relativo ao Afeganistão nos anos 80.

Acontece que desta vez a Rússia não parece estar disposta a afastar-se, entregando a Síria ao jihadismo financiado pelos sauditas e fragilizando a segurança dos seus territórios no Cáucaso, nomeadamente aqueles em que existem populações muçulmanos maioritárias, e que são considerados pelos salafitas como parte da sua área de influência natural.

A chegada do porta-aviões Almirante Kuznetsov à costa da Síria (depois de tristes incidentes com países membros da NATO, incluindo Portugal e Espanha), bem como o seu envolvimento activo no esforço protagonizado pelo Exército Árabe da Síria nas regiões de Homs e Idlid, são elementos relevantes nesta fase do conflito, que por um lado reforçam o poder de fogo da Síria contra os seus invasores, e por outro enviam ao apoios externos envolvidos nesta guerra – da Arábia Saudita à União Europeia, passando naturalmente por Washington – uma mensagem bem clara: a Rússia não está disposta a retirar da Síria nos mesmos moldes da retirada afegã de 1989.

“Rebeldes”

Com o “Estado Islâmico” a desaparecer a alucinante velocidade das notícias que por cá passam sobre a Síria, a expressão “rebeldes” (durante algum tempo caída em desuso e outrora usada no contexto da agressão contra a Líbia, que deixou o país à mercê do jihadismo transnacional) regressou em força às páginas dos jornais, noticiários radiofónicos e comentários televisivos sobre os mais de cinco anos de destruição absoluta daquele que foi um dos mais desenvolvidos e estáveis países da mais instável região do globo terrestre.

“Rebeldes” é uma designação propositadamente vaga, ainda que enquadrada numa narrativa mediática e política que visa apresentar aqueles que lutam “contra o regime de Assad” de forma inequivocamente benevolente. E no entanto, o que nunca nos é dito é quem são afinal os “rebeldes”.

Já poucos são capazes de negar aquilo que em 2013 fazia parte integrante do discurso oficial sobre o conflito na Síria: os grupos armados que actuam no país são não apenas parcial mas sobretudo maioritariamente constituídos por operacionais paramilitares estrangeiros – com origem em todo o mundo muçulmano, de Marrocos às ex-Repúblicas Soviéticas ao Cáucaso e da Ásia Central, passando pela China, Bósnia e por múltiplos países membros da União Europeia – organizados em múltiplas facções sectárias sunitas cujas motivações são diversas e não raras vezes contraditórias entre si.

Numerosos meios de comunicação social ocidentais foram reconhecendo, sobretudo no ano de 2014, a existência de jihadistas de cerca de 100 nacionalidades nas fileiras dos “rebeldes”, e no entanto quase nenhum dos comentadores de assuntos internacionais com lugar cativo nos jornais, rádios e televisões questionou alguma vez a legitimidade daqueles que numa primeira fase foram apresentados como um grupo de padeiros, estudantes e empregados de escritório armados e apoiados por desertores em massa do Exército Árabe da Síria.

Naturalmente que estes grupos encontraram na Síria apoio em alguns sectores da sociedade, mas a sua sobrevivência nos momentos mais críticas e o seu avanço nas fases do conflito durante os quais estiveram em vantagem face ao Exército Árabe da Síria resultam do apoio inicialmente mascarado e a partir de determinado momento explícito da Turquia, Arábia Saudita, União Europeia, Israel e Estados Unidos da América.

Quando me falam dos “rebeldes” pergunto imediatamente “quem são”? Ainda ninguém, de entre aqueles que atribuem todas as responsabilidades da destruição da Síria “ao regime de Assad” foi capaz de me responder. Continuo à espera.

Drone bomb me*: como os EUA constroem monstros universais

Chamem-lhe teorias da conspiração, chamem-lhe fanatismo, chamem o que quiserem, mas basta procurar um bocadinho pelos sítios onde a informação não é detida por senhores da guerra e do dinheiro e o rasto está lá: para quem o quiser ver.

O Daesh, esse último grande monstro universal, afinal quer o quê e está ao serviço de quem?

23 de Fevereiro de 2015: a FARS informou que o Exército iraquiano havia derrubado dois aviões de carga do Reino Unido que transportavam armas para o EI.(Iraqi Army Downs 2 UK Planes Carrying Weaons for ISIL)

A 10 de Abril de 2015, a Press TV noticiou que, em resposta a um pedido sírio de que o EI fosse nomeado organização terrorista, os EUA, a Grã-Bretanha, a França e a Jordânia recusaram. Pode ser lido aqui.

Começaram a aparecer fotografias contemporâneas com membros do EI a exibir tatuagens do “Exército dos EUA” ou tendas com carimbos “US”.

A 19 de Maio de 2015, Brad Hoof, em levantreport.com, «Documento da Agência de Defesa e Informação de 2012: O Ocidente facilitará o ascenso do Estado Islâmico “por forma a isolar o regime Sírio”», baseado na divulgação de uma seleção de documentos anteriormente confidenciais, obtidos pela Judicial Watch no Departamento de Defesa e no Departamento de Estado. O documento pode ser lido aqui.

Sobre este relatório, também Jeremy R. Hammond faz uma extensa e fundamentada análise, em Fevereiro de 2016.

O Washington Post, a 15 de Maio de 2012 já afirmava que já os EUA financiavam os «rebeldes»: Syrian rebels battling the regime of President Bashar al-Assad have begun receiving significantly more and better weapons in recent weeks, an effort paid for by Persian Gulf nations and coordinated in part by the United States, according to opposition activists and U.S. and foreign officials.

A 22 de Junho de 2015, o ex-contratado da CIA, Steven Kelley, explicou que os EUA “criaram o EI para benefício de Israel” e para ter “uma guerra sem fim” no Médio Oriente, que torne os países daquela região “incapazes de fazer frente a Israel” e forneça um “fluxo constante de encomendas de armas para o complexo industrial militar em casa, que está a alimentar com muito dinheiro os senadores que apoiam estas guerras”.

Em Novembro de 2015, Vladimir Putin revelou que 40 países – incluindo alguns do G20 – estão a suportar financeiramente o EI, o que começa a revelar a extensão da duplicidade das nações ocidentais, incluindo e especialmente, dos EUA, que têm usado ataques contra o EI concebidos para danificar ou destruir as infraestruturas da Síria.

Ainda nesse mês, várias  fontes noticiaram que os camiões de combustível que transportavam petróleo da Síria para a Turquia estavam “fora dos limites” e que os condutores teriam que ser avisados antecipadamente dos planos dos EUA para os atacarem. Nem a Fox News escondeu.

O New York Times, a 23 de Janeiro de 2016, faz manchete: os EUA dependem do dinheiro saudita para apoiar os rebeldes.

E, claro, em Setembro, em plenas tréguas, os EUA atacam forças anti-terroristas sírias e russas.

Eis algumas pistas, algumas leituras, algumas provas de que a morte, os bombardeamentos, os refugiados, têm responsáveis que movimentam o mundo como o seu tabuleiro privado, no interesse na exploração dos recursos naturais dos países que agora atacam, provocando a barbárie total. Isto é o império. E os muros constroem-se em Calais, levantam-se vedações na Europa, abre-se fogo sobre seres humanos que fogem da barbárie. Escolhidos de cima pelos EUA, porque são culpados. E alvos a abater. A humanidade é alvo a abater.