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VI Lénine, a caminho de Lisboa

Antes de morrer, em 1924, o revolucionário russo Vladimir Ilitch Ulianov, também conhecido como Lénine, foi vítima de terríveis alucinações. Febril e quase paralisado, recorda a sua irmã Maria, chegou a pedir veneno a Stáline para acabar o suplício. Até aqui tudo é histórico.

Segundo o próprio, em Janeiro desse ano, o médico mandou-o apanhar um comboio para Lisboa, onde deveria ser examinado por um médico famoso. Contudo, ao chegar a Lisboa, Lénine depara-se com um mundo estranho que, dizem os jornais, é 2016. Confuso e frustrado, depois de uns dias a vaguear pela cidade, o líder comunista decide regressar à Rússia. É à espera do comboio, em Santa Apolónia, que o encontramos, humano, lúcido, intempestivo e a lutar para compreender quem é que afinal, no meio desta realidade surrealista, está mesmo a alucinar. É esta, grosso modo, a história da peça de teatro «A Última Viagem de Lénine», que a associação Não Matem o Mensageiro estreia em Outubro, no Teatro da Trindade, quando a revolução russa celebra 99 anos.

Por que razão trazer Lénine a Lisboa? O que diria o revolucionário russo se os fios de Clio se enlaçassem e o comboio o largasse nos nossos dias? Admitiria que a viagem é apenas um delírio febril ou, pelo contrário, diria é o nosso mundo que está louco?

Quando Lénine escreveu as «Teses de Abril», em que defendia a tomada de todo o poder pelos sovietes, o revolucionário Alexander Bogdanov disse tratar-se do «delírio de um louco». A sua própria companheira, Nadejda Krupskaia, escreveu: «receio que Lénine possa ter enlouquecido». E, no entanto, seis meses depois, os bolcheviques tomavam o poder e começava a mais heroica aventura da História humana. Lénine não estava louco.

Os grandes protagonistas da História não são os indivíduos, mas as classes sociais. Mas para que esta apreciação materialista nos seja útil é necessário imprimir ao estudo da vida social, único critério da verdade histórica, um dispositivo dialéctico que analise a relação entre as classes e os indivíduos que as lideram. Da mesma forma que a realidade pode e deve ser estudada de forma dialéctica, de fora para dentro, do superficial para o complexo e do aparente para o sistemático, também o papel do carácter e da personalidade dos líderes históricos deve ser considerada da classe para a família, da consciência para a acção, da atitude individual para as contradições entre a atribuição e desempenho de papeis político-sociais.

Esta proposta exige necessariamente a capacidade de desligar a avaliação política da avaliação histórica (quantos políticos anti-comunistas agradecem, mesmo que secretamente, a Estaline pela derrota do III Reich?) e as considerações morais das considerações sociais (quantos anti-comunistas reconhecem que a pobreza aumentou na Roménia desde o fim do socialismo?).

Longe da citação gratuita e descontextualizada e da cor de bronze das estátuas rectilíneas, há um ser humano extraordinário, cujo génio reduz ao ridículo o encómio, a edulcoração e a calúnia. Na sua vida como na sua obra tudo em Lénine é verdadeiramente revolucionário, avançado e destemido.

Mas não precisamos só da obra de Lénine, precisamos da sua maneira de ser. Precisamos do homem extraordinariamente humilde, que gostava genuinamente de falar com os trabalhadores e de aprender com eles. Precisamos do homem que era capaz de criticar rispidamente os seus adversários e vencê-los pela palavra. Precisamos do homem capaz de trabalhar simultaneamente com Stáline, Kollontai, Trótsky, Radek, Zinoviev, Kamenev, Bukharin e Luxemburgo.

Precisamos do homem de sensibilidade fina, que chorava a ouvir Beethoven e que memorizou o Germinal de Zola. Precisamos do homem que ia «caçar» e não disparava porque, admitia, «a raposa era demasiado bonita». Precisamos do homem que, em 1917, legalizou o casamento de pessoas do mesmo sexo e empossou um ministro assumidamente homossexual. Precisamos do homem que uma noite dançou na neve porque a Revolução tinha vivido mais um dia que a Comuna de Paris.

Precisamos de um homem que, como todos, também cometeu erros. Precisamos do homem que os companheiros tiveram de segurar, porque chorava tanto que quase desmaiava, no funeral de Inessa Armand.

Precisamos do refugiado e do preso político que desprezava o luxo e que, conta Gorky, mesmo nos momentos mais duros era capaz de se rir da vida à gargalhada.

Precisamos do homem que admoestou o funcionário que um dia lhe aumentou o salário e que, quando um outro dia, o segurança, que não o conhecia, lhe pediu a identificação, obedeceu e foi a casa buscar o cartão de Presidente do Conselho.

Precisamos do homem que compreendeu quando a tarefa imediata não era construir o socialismo e quando a tarefa era tomar o poder. Precisamos do Lénine que viveu mesmo, do Lénine que vive e do Lénine que viverá. Precisamos do Lénine humano.

A peça que chega em Outubro é um texto original e um trabalho biográfico singular sobre o fundador da URSS que obrigou ao estudo das principais biografias e obras do personagem histórico. Num texto cómico e acessível, confundem-se mais de cinquenta citações da sua obra e de dezenas de cartas, inéditas em Portugal e recentemente divulgadas aquando da abertura dos arquivos do PCUS.

Como se trata de um projecto sem financiamento público, em breve voltaremos a pedir a solidariedade de todos.

Sê bem-vindo a Lisboa, Volodya.

Dia Mundial do Teatro

Celebra-se hoje, 27 de Março, o Dia Mundial do Teatro, tradição iniciada em 1961 pelo Instituto Internacional do Teatro, que nesta ocasião convida uma figura a partilhar as suas reflexões sobre o tema do Teatro e uma Cultura de Paz. E que melhora forma de comemorar este dia indo ao Teatro.
A Mensagem deste ano é do encenador Russo Anatoli Vassiliev:

Precisamos do teatro?

Esta é a questão que colocam milhares de profissionais desapontados com o teatro e milhões de pessoas cansados dele.

Para que precisamos dele?

Nos anos em que a cena é tão insignificante em comparação com os quadrados urbanos e as terras estatais, onde se deselaçam as tragédias autênticas da vida real.

Que é ele para nós?

Galerias e balcões dourados nas salas de teatro, cadeirões de veludo, alas sujas dos palcos, as vozes bem polidas dos actores — ou vice-versa, algo que pode parecer aparentemente diferente: caixas negras, manchadas com lama e sangue, com um monte de raivosos corpos nus lá dentro.

Que é capaz de nos dizer?

Tudo!

O teatro pode dizer-nos tudo.

Como os deuses habitam nos ceus, e como os prisioneiros definham em esquecidas cavernas subterrâneas, e como a paixão nos pode elevar, e como o amor pode arruinar, e como ninguem precisa de uma boa pessoa neste mundo, e como a decepção reina, e como pessoas vivem em apartamentos, enquanto crianças murcham em camps de refugiados, e como eles têm todos de regressar ao deserto, e como dia após dia somos forçados a afastar-nos dos nossos entes queridos, — o teatro pode contar tudo.

O teatro tem sido sempre e permanecerá para sempre.

E agora, nos últimos cinquenta ou setenta anos, é particularmente necessário. Porque se olharmos para todas as artes públicas, podemos ver imediatamente que apenas o teatro nos dá — a palavra de boca a boca, o olhar de olhos nos olhos, o gesto de mão em mão, e de corpo para corpo. Não precisa de qualquer intermediário para funcionar entre seres humanos — constitui o lado mais transparente da luz, não pertence ao sul, ou ao norte, ou ao este, ou oeste — não, é a essência da própria luz, brilhando de todos os quatro cantos do mundo, imediatamente reconhecível por qualquer pessoa, quer seja hostil ou amistoso para com ele.

E nós precisamos de um teatro que permaneça sempre diferente, precisamos de um teatro de muitos tipos diferentes.

Porém, penso que entre todas as formas e feitios do teatro, as suas formas arcaicas serão agora as mais procuradas. O teatro das formas ritualizadas não deve estar artificialmente oposto ao das nações “civilizadas”. A cultura secular está agora cada vez mais emasculada, a chamada “informação cultural” substituiu gradualmente e empurra para fora entidades simples, assim como a nossa esperança de eventualmente as encontrarmos um dia.

Mas eu posso vê-lo claramente agora: o teatro está a abrir as portas amplamente. Entrada livre para tudo e todos.

Mandem os dispositivos e computadores ao inferno — vão ao teatro, ocupem filas inteiras nas plateias e galerias, oiçam a palavra e olhem as imagens vivas! — é teatro diante de vós, não o negligenciem e não percam a oportunidade de participar nele — talvez a mais preciosa oportunidade que partilhamos nas nossas vãs e apressadas vidas.

Nós precisamos de todos os tipos de teatro.

Há apenas um tipo de teatro que seguramente ninguém precisa — refiro-me ao teatro dos jogos políticos, o teatro das “ratoeiras” políticas, o teatro dos políticos, o teatro fútil da política. O que certamente não precisamos é o teatro do terror diário — quer seja individual ou colectivo, o que não precisamos é o teatro de corpos e sangue nas ruas e praças, nas capitais ou nas províncias, o teatro falso de conflitos entre religiões ou grupos étnicos…

A marrar contra as paredes

Desenho retirado da reportagem gráfica do blogue,Carbono e Outros. 1, 2, 3, 4

“Aleksei: “É o fim da propriedade privada: vai ser maravilhoso!” Pobres de nós, os bandalhos de terceira! Já que estamos privados do único bem terrestre – a propriedade –, então dá jeito cantarem-nos essas cantigas. Mas mesmo em sonhos continuamos aferrados ao que é nosso: “a minha trouxa, as minhas peúgas, a minha Maria”! O “meu”, que lá nisso nós somos iguaizinhos aos animais. Estás a ver, vocês andam a fazer propaganda a animais! Querer mudar os homens é como marrar contra uma parede: estão à espera de enganar quem?

Comissária: Achas que contra o “eu” e contra o “meu” não há nada a fazer?

Aleksei: O bem-estar egoísta, a propriedade privada, o salário, o pilim, o bónus, o lucro! Desde que o Homem é Homem que esbarramos contra esse muro! Por todo o país hão-de ser sete cães a um osso! Matilhas de proprietários engalfinhados a espumarem por um frango raquítico. Trazemos este fado dentro de nós.

(Cala-se de repente, como se tivesse sido arrancado a uma visão.)

Comissária: Muito bem, a Humanidade é ainda imperfeita – e é melhor assim. Só quer uma coisa: ter um pouco menos de fome. Basta uma galinha para virar os homens uns contra os outros. Fecham-se em casa, barricados com a sua galinhita bem segura… E não vêem as manadas de vacas gordas que lhes passam mesmo diante do nariz. E tu vês isso tudo e não queres saber. Deixas andar e ainda te gabas. É preciso gritar aos ouvidos de cada um: “Estás a ficar sem a tua parte! Estás a ser roubado!”. E se mesmo assim ele ainda não entende, então é preciso agarrá-lo pelo toutiço, a esse piolhoso, levantar-lhe a cara da lama e dizer-lhe: “Queres viver e comer melhor? Queres lavar-te pela primeira vez? Queres desenvolver os miolos? Queres amar?… Então levanta a cabeça, porra! Enfrenta o inimigo, olhos nos olhos, até à morte, se for preciso. Entra no combate – e respira! Percorre a Terra: ela pertence-te! Abandona a noite em que te fecharam e grita, a plenos pulmões: “Viva o sol, e viva a vida digna que eu, enquanto Homem, posso ter!”.

(Silêncio)”

Excerto do texto de “A Tragédia Optimista”, de Vsevolod Vichnievski, tradução de António Pescada. Em cena no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada, até ao próximo dia 31 de Janeiro.

Nota: ontem, domingo, dia de eleições, a parede do Teatro tinha sido pixada. Alguém escreveu, “Podem limpar a História mas não podem apagar a nossa memória. Viva a Anarquia!”
Acho que é a primeira vez que participo num espectáculo em que alguém se deu ao trabalho de mostrar publicamente que o nosso trabalho o fez pensar e reagir.
Como actor, sinto que não pode haver maior felicidade e até finalidade no nosso trabalho do que esta.

Na luta de classes não há espectadores

A Associação Cultural Não Matem o Mensageiro, que levou às salas de teatro o projecto Marx na Baixa, está a trabalhar em duas novas produções: Homem Morto Não Chora e A Última Viagem de Lénine.

Com estreia marcada para Março no Teatro da Comuna, em Lisboa, e sem quaisquer apoios públicos, Homem Morto Não Chora é um gesto de militância e activismo dos actores (o André Levy e o André Albuquerque) e da encenadora, a Mafalda Santos. Trata-se de uma peça política com o propósito declarado de levar a mais trabalhadores a coragem necessária para lutar. Cremos que, desde o 25 de Abril, não se levantava nenhum grupo de teatro político e de classe. Não é fácil, já se adivinha, fazer teatro politizado quando os teatros estão a fechar. Mas é uma necessidade. Uma necessidade de todos.

Se a arte e o entretenimento amplificados pelos grandes grupos económicos nos indigna pela intenção de estupidificar e alienar, devemos, num gesto de indignação, ajudar a criar a resistência. E também nos palcos se resiste.



É por acreditarmos que faz falta um projecto de teatro para dar mais força à luta que pedimos o teu contributo e a tua solidariedade. Podes fazer o teu contributo, a partir de um euro, com segurança através desta conta do PPL. O prazo para apoiar o projecto é o princípio de Fevereiro.

Homem Morto Não Chora

«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho» E se algum ministro não tivesse percebido que o desafio de José Saramago era só uma provocação? E se já não tivéssemos nada a perder? E se perdêssemos o medo? E se encontrássemos, num segredo antigo ou na breve coragem do momento, a coragem para mudar tudo, virar o jogo e começar de novo? E se não fossemos os únicos? Esse ministro existe. Aceitou uma derradeira entrevista, com o propósito declarado de responder a tudo, sem saber ainda que terá que responder por tudo. Mas não faz mal, Homem Morto não Chora.



Nervoso como uma fera enjaulada, o ministro demissionário espera o jornalista, seu antigo aluno. Será a sua última entrevista, a derradeira oportunidade para se justificar perante o país que o viu nascer. Mas entre a culpa e a redenção levantam-se obstáculos formidáveis: um jornalista imprevisível, a sombra do verdadeiro poder e a luta de um povo inteiro. Rapidamente a entrevista deixa de o ser, exaltam-se os ânimos, o entrevistador passa a entrevistado, trocam-se acusações e um terrível segredo ameaça ser revelado.

“Homem Morto não Chora” é o primeiro original da equipa que levou Marx na Baixa a mais de 3000 espectadores em mais de 20 cidades e também ao Brasil. Com encenação de Mafalda Santos e actuações de André Levy e André Albuquerque, Homem Morto não Chora é o original mais antecipado do teatro político português. Comédia de humor ácido como o ar democraticamente rarefeito que Portugal respira, as actuações de “Homem Morto não Chora” destilam a tensão aguda entre duas personagens que, malgrado a ansiedade de se reencontrarem na humanidade comum, não podem habitar o mesmo espaço ético e olham-se, incomunicados, de classes irreconciliáveis.

“Homem morto não chora” é uma peça de teatro sobre a corrupção sem a demagogia, um espectáculo político único, porque os políticos não são todos iguais, mas é também um elogio à coragem e à dignidade da verdade, cujo mérito é levar-nos dos bastidores da corrupção passiva para a linha da frente da resistência activa. Num momento em que o descrédito dos governos e das instituições atinge a embriaguez do opróbrio, “Homem Morto não Chora” é um urgente ensaio sobre a nossa lucidez colectiva, que vem soprar actualidade nos palcos e esperança na plateia.

Pelo caminho, fica uma inquietante discussão sobre o estado de coisas e as coisas do Estado, que enquanto as máscaras vão caindo e os telefones tocam, nos pergunta se a corrupção é intrínseca à política ou se a culpa é do capitalismo; se vale a pena lutar ou se, como dizia Unamuno, somos um povo suicida. E afinal de contas, vale a pena defender a esperança? Obviamente que sim, responde “Homem Morto não Chora”. E que tempos são estes, já Brecht perguntava, em que é necessário defender o óbvio? Porque em Portugal o único incorruptível é o povo português, é para ele este espectáculo surpreendente.

A caminho dos palcos portugueses chega esta peça ousada e arrebatadora, que promete revolucionar o público e pular a cínica fronteira onde acaba a política e começa a arte. É por isso que “Homem Morto não Chora” não nos deixa indiferentes, porque os seus propósitos não se esgotam no palco nem o seu efeito se extingue quando cai o pano. O poeta Paul Valèry uma vez escreveu que uma obra de arte nunca se acaba, abandona-se. E “Homem Morto não Chora” não acaba aqui.

Manifesto do Grupo de Teatro «Não Matem o Mensageiro»

A contradição é aparente: na sociedade em que tudo é encenado, o Teatro está a morrer. Mas se a política, a rotina e a vida é teatralizada, se nos secundarizam num personagem menor, ou mero espectador, porque interessa tão pouco a arte do teatro?

O poder baniu a verdade dos jornais e das televisões, dos orçamentos e dos procedimentos concursais, instituindo um imenso monopólio de mentiras fingidas e verdades dissimuladas que imita o teatro e que, ao mesmo tempo, o destrói. Aos poderosos não interessa a intensidade da verdade transbordante e a emoção palpável do palco, cuja natureza teatral é assumida. Prefere a ilusão do real, a informação espectáculo, o entretenimento entorpecedor. Importa por isso combater o fingimento dos falsos com teatro genuíno, responder à Sociedade do Espectáculo de Debord com o Teatro do Oprimido de Boal. Nem todo o teatro precisa de ser político. O nosso será.

NÃO MATEM O MENSAGEIRO é um grupo de Teatro Político português, nascido já com a sanha de espicaçar o contraditório. De questionar e fazer pensar, que de nada serve o teatro que não serve para pensar. Rejeitando ser os bobos da corte burguesa, também recusamos navegar nas inofensivas águas mornas da arte pela arte. Porque para representar farsas esdrúxulas e ficções mirabolantes já bastam banqueiros e ministros, dizemo-lo bem alto e com cristalina claridade, que também no teatro vale a pena lutar.

Como Augusto Boal “refletimos sobre o passado e ensaiamos a sua transformação no presente para inventarmos o futuro”. Como Bertold Brecht, queremos “estimular o desejo de compreender o mundo e o prazer de o transformar”. Se na luta entre as classes não há espectadores, sejamos juntos os seus actores.