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Titanic Amarelo

Todos sabemos a razão pela qual a UGT foi criada. Todos sabemos qual o papel histórico desta auto-proclamada “central sindical” no processo contra-revolucionário. Sabemos que espectro político e financeiro a alimentou, sabemos a quem ela serviu e quem dela tirou vantagem. Também sabemos que durante anos teve um líder que garantiu e assegurou, mesmo no meio de algumas e abafadas dissonâncias internas, a sua fidelidade à causa do patronato, disfarçada sob o nome de “sindicalismo” ou de “sindicatos”. Não foi por acaso que, nos últimos anos, a UGT recebeu elogios vindos directa e abertamente de PSD e CDS, de Passos e Portas, numa conjuntura em que se verificou a mais grave ofensiva contra trabalhadores desde o 25 de Abril. Tais elogios da direita e da extrema-direita, que seriam e são um vitupério para qualquer trabalhador consciente da realidade, foram, para a UGT, um prémio e um reconhecimento absolutamente justo. A política da ajuda aos bancos e de empobrecimento dos trabalhadores muito deve à UGT e aos seus dirigentes. Sem eles, esta desgraça social a que PSD/CDS continuam a chamar «política de sucesso», não teria sido objectivamente possível.

Não foi por acaso que, nos últimos anos, a UGT recebeu elogios vindos directa e abertamente de PSD e CDS, de Passos e Portas, numa conjuntura em que se verificou a mais grave ofensiva contra trabalhadores desde o 25 de Abril.

De igual forma, não restam quaisquer dúvidas acerca do papel que o actual líder, Carlos Silva, tem desempenhado pessoalmente no garante da continuidade, e até do extremar de posições, da UGT, naquela que continua a ser a linha política e ideológica “em nome de trabalhadores” e na prática “contra” os trabalhadores. Basta ler hoje, uma vez mais, as frases que fazem capa de um jornal diário para o perceber. De forma muito clara e directa, o antigo funcionário – amigo, admirador e mais do que isso, pelos vistos, bajulador incansável – de Ricardo Salgado, tenciona continuar a colocar a UGT no encalce dos “donos disto tudo”. E não foi por acaso – nem por causa “do desemprego”, como de forma atabalhoada tentou justificar Carlos Silva – que esta espécie de Titanic Amarelo que é hoje a UGT, viu saltar fora qualquer coisa como80 mil filiados (!) nos últimos quatro anos. Em contraste com a realidade, mesmo com declarações estapafúrdias e ao arrepio das posições da própria central – num episódio que deveria ter feio corar de vergonha todo e qualquer filiado com o mínimo de bom senso –, Carlos Silva lá continua “a tocar o seu violino” à medida que o barco vai afundando. A música que lhe sai está a agradar, com toda a certeza, aos banqueiros deste país. Mas jamais a quem se recusa a aceitar o “aguenta aguenta” e a ditadura “das inevitabilidades” vinda de quem, a troco do salvamento de bancos, levou o resto do país à miséria. O governo PSD/CDS, esse, já foi derrubado. A UGT também terá de o ser. E, ao que parece, já não faltará muito.

UGT, what else?

Esta coisa de de repente se apresentarem alternativas ao velho “arco da velha”, anda a irritar muita gente. Inefável na sua defesa do “centrão”, condição essencial para a sua existência, vem agora a UGT, através do seu iluminado líder, Carlos Silva, dizer que bonito, bonito era um blocozinho central com o CDS à mistura. Nada de novo, os cães fiéis e bem treinados obedecem sempre à voz do dono, sabem bem que no dia em que o não fizerem vão descalços para a cama e de barriga vazia.

Sempre que é preciso a máscara da UGT cai. Já o lancei várias vezes e volto a lançá-lo, o apelo aos trabalhadores sindicalizados nos sindicatos desta amarelice em forma de central sindical para que se deixem disso. Não adianta pagarem quotas a quem efectivamente não vos defende, não adianta suportarem sindicatos que constantemente aceitam migalhas em troca de bifes do lombo.

Os exemplos são mais que muitos. Um dos últimos, assinado pela calada durante as férias balneares de Agosto, é o acordo colectivo entre a FNE, federação dos professores da UGT, e pela AEEP – Associação dos Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo. Este acordo responde, nomeadamente, ao fim dos apoios europeus ao Ensino Artístico Especializado, e fá-lo como? Modificando as tabelas salariais e a contagem do tempo de serviço em desfavor dos professores, ora bem. E quando se começaram a perceber os problemas de financiamento e de funcionamento que estas escolas iriam ter, já lá estava o acordo colectivo assinado, para ser entregue pelos directores destas escolas aos professores que, com medo de perder o emprego, até foram assinar tal documento.

E é isto todos os dias, a todas as horas, a todos os segundos, a UGT e os seus sindicatos a colaborarem com os patrões, a aumentar-lhes o espaço de manobra, a encher-lhes os bolsos, sempre em defesa da concertação social e dos desígnios do país. Anda tudo a tremer que nem varas verdes. Bem, a UGT não treme, mantém-se firme no divisionismo.

Este texto, ao nível da qualidade de escrita, ficou fraquinho. Mas também para que é que me havia de dar ao trabalho de tentar escrever alguma coisa de jeito sobre uma coisa que não tem jeito nenhum?

Para terminar, um pequeno texto do Ricardo Matos, apanhado por aí: “A situação política actual é muito pedagógica. Uns estão a perceber
agora porque que é que as legislativas não são eleições para primeiro
ministro. Outros descobrem a democracia parlamentar. Outros ainda deram a
descobrir que a democracia não é o seu forte.”

Resto de bom domingo, no quentinho, que faz frio lá fora.