A pingoleta, o garfo, a prostituta e o universo

Nacional

A recente investida tauromáquica protagonizada por José Rodrigues dos Santos contra o secretário-geral do PCP, causou, muito estranhamente, reacções de estupefacção e escândalo em muito boa gente. Pelas opiniões negativas verificadas um pouco por todo o lado, mesmo por não comunistas, parece ter havido quem olhasse para o “one man show” que é, há muito, o telejornal da RTP – e cujo “one man” é “só” alguém que, dois mil anos depois, diz ter revelado a verdadeira identidade de Jesus Cristo (num romance) – e ficasse convencido de que poderia sair dali uma banal e simplória entrevista a sério. Houve mesmo, ao que tudo indica, quem se sentasse diante do televisor naquela noite e, pasme-se, entre um simples dirigente de um partido político e um escritor que entusiasmou milhões em todo o mundo com o erotismo de uma sopa feita com leite da mama de uma sueca loira e curvilínea, e achasse que o segundo ia simploriamente fazer perguntas básicas de “interesse público”, ou interpelar um convidado somente acerca do acessório “futuro do país”. Como assim?

É muito comum ouvirmos e lermos comentadores isentamente de direita atestarem a “impreparação” de dirigentes comunistas para o que quer que seja. Acontece todos os dias. Só que, desta vez, comprovou-se mesmo ser verdade. Diante de José Rodrigues dos Santos, Paulo Raimundo mostrou-se totalmente impreparado. E mostrou-se porque não só não está preparado ele, como não está ninguém. Vivo, morto ou por nascer. Ante o génio, a ciência cala-se. Ainda que de vergonha. Alheia.

«A Terra é um ser vivo constituído por biliões de seres vivos». «Uma das coisas que hoje não se sabe, mas que é verdadeiro, é que o fascismo é um movimento de origem marxista». «Há portugueses com medo da verdade». «Jesus admite que gostava da pingoleta e que era um bom valente garfo!». «De que é que a Igreja tem medo?». «A prostituta pode ser bela por fora, mas está podre por dentro». «A vida é comum no universo». «É importante um escritor falar das coisas que estão ocultas». «O que diz um escritor quando lhe pomos um microfone diante da boca? A resposta é simples: coisas interessantes.» «Sai-me muito texto, dez páginas por dia». «Gostaria de não falhar, mas se falhar, faz parte da vida, e ninguém tem de se envergonhar por isso». Amém.

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