Paris, e agora?

Nacional

Paris, sexta-feira, 13 de Novembro de 2015, 7 actos hediondos abalam o mundo. Homens bombistas explodem junto do estádio onde decorria o França-Alemanha, onde famílias com os seus filhos assistiam a um simples jogo de futebol.

Numa sala de concertos, ouvia-se Eagles of Death
Metal
, como também eu já ouvi entre amigos, e entram pessoas que desatam a
disparar. E a matar.

Num restaurante janta-se e morre-se porque de fora estão pessoas a disparar furiosamente.

O ISIS reclama o atentado, justificando-o com o apoio de França ao armamento de tropas curdas. O primeiro atacante está identificado: é francês.

Sucedem-se as declarações de apoio a Paris, no meio do horror, as portas de todas as casas abrem-se para que ninguém fique na rua, os taxistas levam as pessoas gratuitamente para casa, as pessoas unem-se contra o medo e o horror.

«Pelas entranhas maternas e fecundas da terra/ Pelas lágrimas
das mães a quem nuvens sangrentas/ Arrebatam os filhos para a torpeza da
guerra,/ Eu te conjuro ó Paz, eu te invoco ó benigna,/ Ó Santa, ó talismã
contra a indústria feroz. (*Natália Correia)»

Há dois dias, Beirute.

As chamadas “Primaveras Árabes” ajudaram, juntamente com países como França e os EUA, a financiar e armar a chamada oposição Síria pelos poderes imperialistas, que resultou, entre outras coisas, na formação e alargamento da monstruosidade do “Estado Islâmico”, assim como a criação de uma enorme onda de refugiados, dentro do país (cerca de 10 milhões de pessoas) e também para países estrangeiros (principalmente para a Turquia, Líbano e Jordânia, onde vivem cerca de 2 milhões de pessoas que tiveram de sair das suas casas e, dessas, aquelas que podem tentam chegar a países Europeus).

É preciso lembrar que os países europeus estão – factualmente – a armar países na Europa e fora dela para uma guerra em larga escala em que todos nós somos potenciais vítimas e que o ISIS é financiado, treinado e armado por países como Israel e os EUA. Ou seja, estas potências são simultaneamente o atacante e o defensor.

Restamos nós como vítimas. E entre nós, apressam-se a surgir debaixo das pedras do obscurantismo, por detrás de títulos académicos ou comentários em redes sociais os que querem que a sociedade se volte contra si própria, vasculhando o vizinho do lado – todos somos potenciais criminosos. A nossa pele, a nossa religião, a nossa ideologia é a nossa culpa e a nossa arma e devemos ser julgados por isso. E multiplicam-se os comentários xenófobos e perigosos que exigem e clamam políticas securitárias, encerramento de fronteiras, controlo das comunicações electrónicas e telefónicas, todos somos suspeitos. Todas as prisões devem ser Guantamano. Todas as leis devem ser preventivas. Todos somos culpados.

O carácter de classe e as intenções das forças que estão envolvidas no conflito militar na Síria e no resto do mundo, a pretexto da ” guerra contra o terrorismo”, ou das “razões humanitárias”, ou da aprovação da ONU e, por isso, de acordo com a lei internacional. têm o selo do lucro capitalista, dos lucros dos monopólios e da competição desenfreada a desenvolver-se entre eles, sobre a divisão das matérias-primas, as rotas de transportes, os gasodutos e as acções bolsistas (convém não esquecer as riquezas naturais que estão em causa – o petróleo e as rotas comerciais – isto não é uma guerra religiosa).

Toda a solidariedade com as famílias e amigos das vítimas dos atentados de Paris e de Beirute. Toda a luta contra o racismo, a estupidez e a ignorância. Todo o combate às medidas de opressão, repressão. Toda a denúncia contra os assassinos de ontem e aqueles que lhes põem as armas na mão. Pela Paz.