PS e a Ferrovia: A Memória Curta

Nacional

Foto: José Sena Goulão (Lusa)

O PS e, em particular, o sonoríssimo e ufano Pedro Nuno Santos, têm andado numa roda viva de anúncios e gabarolices a respeito de medidas tomadas em relação ao sector ferroviário nacional. De súbito, o PS parece ter-se tornado no partido «dos comboios», no arauto da «recuperação da ferrovia», do «salvamento das máquinas ao abandono», do investimento e da promoção de um transporte até aqui efectivamente deixado ao abandono. Tudo estaria certo e seria merecedor de aplauso não fosse a colossal hipocrisia que todo o aparato propagandístico não deixa de ocultar. Afinal de contas, este PS, que é o mesmo e não outro, foi também de forma inequívoca um dos grandes responsáveis – por acção directa e por omissão – pelo abandono, pela destruição, pelo enfraquecimento da ferrovia em Portugal nas últimas décadas.

Há realidades que a propaganda e o aparato, por mais insistentes e enjoativos que sejam, jamais irão apagar. Sobretudo da memória das populações directamente afectadas, ou ainda das centenas de trabalhadores fortemente prejudicados com as decisões tomadas por executivos «socialistas». Recorde-se que foi com governos PS que se encerraram várias oficinas da EMEF, como as de Coimbra ou da Figueira da Foz. Foi com governos PS de José Sócrates que se encerraram os ramais da Lousã, da Figueira da Foz, os lanços entre Régua e Vila Real da Linha do Corgo, e entre Livração e Amarante, na Linha do Tâmega. Foi com o PS no poder que, em 2017, se entregou de mão beijada a CP Carga a privados (actual Medway). Como resultado das políticas seguidas por vários e sucessivos governos, entre 1988 e 2009, Portugal perdeu 43% dos passageiros de comboio, sendo que nesse período, o PS governou duas vezes com António Guterres e uma com maioria absoluta de José Sócrates. Com o PS no governo, em sucessivas ocasiões, nunca foram revertidos os processos de privatização dos governos do PSD e CDS, nem anuladas medidas que conduziram de facto à existência de composições abandonadas, ao fecho de oficinais, à degradação do serviço como um todo.

Foi não só, mas também sob governos do Partido Socialista, que milhares de trabalhadores ferroviários sentiram na pele ataques de toda a ordem contra os seus direitos e legítimas aspirações. Cortes salariais, precariedade, despedimentos, perda de regalias, a necessidade de reformas antecipadas e sobretudo a constatação, com os seus próprios olhos, do progressivo desmantelamento da ferrovia enquanto serviço público e universal. Ainda que pretenda, com a ajuda de propaganda intensiva, transformar a sua imagem negativa no sector e limpar-se de responsabilidades acrescidas no estado depauperado dos comboios e das linhas em Portugal, não é nem com propaganda, nem com um ministro de discurso arrogante e espaventoso, que o PS se livra ou se livrará do cadastro de parceiro privilegiado da direita no abandono da ferrovia em detrimento dos interesses rodoviários. Até porque, sob o risco de a história se repetir, não podemos deixar que isso aconteça. O PS pode querer e conseguir, com manhas e artimanhas, enganar alguns… mas não todos.

1 Comment

  • Albino Teixeira Dias

    17 Julho, 2021 às

    Não esqueçamos a necessidade em anel a ligação Amarante Felgueiras, Paços de Ferreira, Se queremos o progresso e equidade, lutemos por esta e outras ligações.

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