Trump, ouve bem: nós defenderemos Cuba

Internacional

Como se contra Cuba não bastassem 66 anos de bloqueio económico, uma invasão e dezenas de atentados terroristas, a Casa Branca agora quer cometer um genocídio. Meço bem a palavra: genocídio. Proibir a entrada de combustível na ilha é deixar hospitais sem electricidade, paralisar a agricultura, impedir o transporte de alimentos e medicamentos e destruir o turismo e a economia da ilha. É tentar matar milhões de pessoas. É um cerco medieval perverso, cruel e ilegal.
Em ostensiva violação do Direito Internacional, Trump e Rubio não escondem o propósito de anexar uma nação soberana e, enquanto exibem mapas que já pintam a maior das Antilhas com a bandeira dos EUA, ameaçam todo o mundo: quem não assistir impávido à asfixia de um povo pacífico e se atrever a lhe vender petróleo, será alvo de tarifas. Não é, portanto, apenas a soberania de Cuba que está em causa: Trump julga-se em posição de decidir com quem é que os portugueses, e todos os outros povos do mundo, podem ter relações comerciais. Se Portugal aceitar ceder a esta chantagem, encontrar-se-á um dia, só, alvo de chantagem semelhante.

Mas Cuba não está só: ao longo de 67 anos, Cuba estendeu a sua mão solidária a todos os povos que requereram os seus esforços: 750 000 profissionais de saúde e professores cubanos salvaram vidas, ensinaram a ler e a escrever, devolveram a visão a milhões de pessoas um pouco por todo o mundo; quando os europeus morriam de Covid-19 puderam contar com a ajuda dos cubanos; quando os africanos, de Angola à Etiópia, da África do Sul à Argélia, combatiam o racismo e o colonialismo, tiveram o povo cubano incondicionalmente ao seu lado; sempre que os povos da América Latina, do Brasil à Venezuela, precisaram de cooperação e solidariedade os cubanos nunca olharam a custos, riscos, sanções ou ameaças; sempre que os povos da Ásia, da Indonésia ao Irão, foram acometidos por desastres naturais, foi com a verdadeira generosidade e a profunda humanidade dos cubanos que puderam contar. Em 67 anos, uma ilha empobrecida transformou-se na referência moral da humanidade.

E agora é chegada a vez da humanidade devolver a Cuba solidariedade prestada. Nenhum ser humano decente pode ficar indiferente à asfixia de milhões de mulheres, crianças e homens cubanos que só representam uma ameaça à doença, à fome e à ignorância da Terra.

É urgente que, individual e colectivamente, respondamos à “máxima pressão” de Trump contra Cuba aplicando máxima pressão sobre o governo português para que ajude o povo cubano e lhe venda petróleo. É urgente participar em todas as manifestações de solidariedade com Cuba que venham a ser convocadas. É urgente que a Embaixada dos EUA em Lisboa sinta essa pressão pelas redes sociais, por telefone, nas ruas ou por quaisquer outros meios que do passado se recuperem. É urgente que Trump compreenda que se se meter com Cuba mete-se com o mundo todo e, por Cuba, o mundo todo será um vespeiro de brigadistas internacionais, um Vietname global. É urgente contribuir para a campanha de solidariedade com Cuba que a Associação de Amizade Portugal Cuba. É urgente que ninguém fique indiferente.


Cuba é o digno David que o enorme Golias quer matar. Não puderam ao longo de 67 anos, com invasões, sanções e explosões; tampouco poderão agora, com cercos, tarifas e ameaças de morte. Porque Cuba é digna e por isso não está sozinha. Nós, que por esse mundo espalhados somos milhões, estamos disponíveis para ajudá-la, para defendê-la e para fazer Trump acabar mais estendido que Golias.

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