Autor: António Santos

Na luta de classes não há espectadores

A Associação Cultural Não Matem o Mensageiro, que levou às salas de teatro o projecto Marx na Baixa, está a trabalhar em duas novas produções: Homem Morto Não Chora e A Última Viagem de Lénine.

Com estreia marcada para Março no Teatro da Comuna, em Lisboa, e sem quaisquer apoios públicos, Homem Morto Não Chora é um gesto de militância e activismo dos actores (o André Levy e o André Albuquerque) e da encenadora, a Mafalda Santos. Trata-se de uma peça política com o propósito declarado de levar a mais trabalhadores a coragem necessária para lutar. Cremos que, desde o 25 de Abril, não se levantava nenhum grupo de teatro político e de classe. Não é fácil, já se adivinha, fazer teatro politizado quando os teatros estão a fechar. Mas é uma necessidade. Uma necessidade de todos.

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O que só Edgar Silva tem

A grande notícia de ontem foi que Edgar Silva é o candidato à Presidência da República com o maior orçamento de campanha. Os jornalistas, como ainda não podem adjectivar a deixa com «escandaloso!», fazem-no com a melodia da voz, com a entoação e com as pausas no discurso, levado ao histriónico da náusea e do rancor.

E, apesar da dimensão da campanha, o «candidato apoiado pelo PCP» que, ao contrário de Marisa Matias, Marcelo Rebelo de Sousa ou Maria de Belém, é o único apresentado pela sigla partidária, permanece invisível aos holofotes mediáticos. Porque será? A resposta é que a candidatura de Edgar Silva tem algo que mais nenhuma tem. Algo que assusta muita gente.

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Análise eleitoral: o Estado espanhol rompe com o bipartidarismo

As eleições gerais no Estado espanhol ditaram, este domingo, o fim da hegemonia eleitoral do PSOE e PP. À custa de uma extraordinária pulverização do sistema partidário, entraram no congresso 13 candidaturas, das quais se destacam os fenómenos Podemos e Ciudadanos.

Descaradamente promovidos pela comunicação social da classe dominante, estes dois partidos vêm assumir a herança ideológica dos seus padrastos políticos: Ciudadanos que alcança 40 mandatos, opera à direita a recomposição possível do PP, o grande castigado do escrutínio, com menos 63 eleitos; já o Podemos permite, aliás à semelhança do binómio grego PASOK-Syriza, esvaziar em segurança o desprestigiado e desgastado eleitorado do PSOE.

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O MRPP, Bataclan e a vergonha alheia

Para quem não acompanhe a sórdida e não menos entediante telenovela em que se transformou o MRPP, aqui vai um resumo rápido: o Garcia Pereira perdeu votos nas últimas legislativas e, como castigo, foi purgado por Arnaldo Matos com direito a humilhações públicas, insultos à família e uma média de quatro palavrões por editorial no jornal do partido.

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O que é o PAN? A oportuna neutralidade da direita

Sempre que se lhe presta ensejo, o partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) repete que «não é de esquerda nem de direita» porque rejeita «enquadramentos deterministas à esquerda, centro ou direita – os quais serão sempre reducionistas»

Se, em política, a neutralidade é sempre suspeita, deve ser constituída arguida e devidamente investigada quando acontece alguma injustiça. E no PAN, à semelhança dos Fuzis da Senhora Carrar, de Brecht, a alegada imparcialidade dos neutrais pende sempre para um dos lados.

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Black Friday: importação da loucura

Depois do ‘Halloween’ e dos ‘baby showers’ é chegada a vez da ‘Black Friday’: a última moda made in USA a ser bacoca e acriticamente importada para a coutada do Soares dos Santos a que alguns ainda chamam Portugal.

A Black Friday, que tem a sua origem no último quartel do séc. XIX, nas paradas de chegada da época natalícia que despediam o Dia de Acção de Graças, foi evoluindo de um simples dia de descontos para a efeméride alegórica do próprio capitalismo: nos EUA, centenas de milhares de pessoas passam a noite ao relento para, de madrugada, se atropelarem numa corrida aos bens que durante o remanescente do ano, lhes são inacessíveis. Os trabalhadores destas lojas, por outro lado, são forçados a trabalharem horários desumanos, por vezes superiores a 24 horas, amiúde sem qualquer compensação.

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Reivindicar, exigir, reconquistar Abril

O mandato que o povo, através da nova composição parlamentar, entregou ao PS é uma procuração para a ruptura com as políticas de direita. Com esta procuração na mão, todos os trabalhadores ficam em melhor posição para reivindicar a devolução do que foi roubado, exigir mais direitos e reconquistar Abril.

Perdida a batalha eleitoral e abandonadas as esperanças de governar sob o protectorado de Cavaco, começou, porém, uma luta de morte pelo coração do Partido Socialista. Como demonstram as histéricas reacções do patronato e dos sectores mais reaccionários da direita, incansáveis na mnemónica da opção histórica de classe do PS, este governo tem apenas e somente duas opções: ou trai o grande capital monopolista ou trai os trabalhadores.

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Nós cantamos as mesmas canções

«Vitória!» A multidão explode num grito longo e encrespado. «Vitória!» repete e prolonga o mar de gente, ecoado no frontão do Palácio de São Bento com a persistência das vagas contra as fragas. «Vitória!» e tremem, no tímpano do palácio, as estátuas moles que enfeitam o estrado. «Vitória», outra vez. Mil vezes «Vitória».

Porquê tanto entusiasmo? Por causa daquelas notícias (talvez ainda se lembrem), de gente suicidada quando o desespero e o governo venceram. Porquê tanta alegria? Porque desta vez perderam os ladrões que roubaram a electricidade e o pão e a água e a dignidade e a esperança aos velhotes da minha rua. Porquê tantas palmas? Porque hoje perderam os milionários e venceram os trabalhadores.

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