Bisnetos de Outubro e filhos de Abril

Nacional

A revolução pode ser uma maratona mas também pode ser uma prova de velocidade. Se lutarmos por ela com a certeza de que vai ser uma prova de fundo, ficará arrumada numa gaveta chamada utopia. Se acharmos que lá chegamos com o velocímetro no máximo, podemos não ter forças para cruzar uma meta que não sabemos onde está. Como cantou Taiguara, o mais perseguido dos cantores brasileiros, “quem só espera não alcança e quem não sabe esperar erra feito criança”.

Pouco mais de um ano antes da revolução de Outubro, Lénine acreditava que não veria qualquer revolução em vida. A tristeza de quem acha tudo previsível é não organizar o imprevisível. Não avançar porque se tem medo de falhar é não perceber que em colectivo errar nunca é perder. Por isso é que às vezes custa tanto sorrir como disparar. Quando sobra tristeza e bolsos vazios, não é fácil esboçar mais do que luto num rosto caído. Mas quando confiamos no sentido dos nossos passos, não é assim tão difícil que a curva dos nossos lábios se abra para o lado certo da barricada. Até os músculos da fronte são pardos na mais escura das noites e custa menos sorrir como disparar.

Portanto, se vos disserem que a história acabou sorriam, se vos disserem que o capitalismo venceu sorriam e se vos disserem que as revoluções são coisas do passado sorriam. Sorriam como sorriram os escravos depois da morte de Espartaco. Sorriam como sorriram as mulheres e homens depois do fuzilamento de milhares de operários quando caiu a Comuna de Paris. Sorriam como sorriu o povo russo depois do massacre de São Petersburgo. Sorriam como sorriram os combatentes cubanos depois da derrota em Moncada. Porque só assim a semente do futuro voltará a brotar para que colectivamente possamos tomar o céu de assalto. Uma e outra vez. E se somos bisnetos de Outubro e filhos de Abril, cabe-nos pavimentar o presente para conquistar o porvir.

9 Comments

  • Jose

    09/11/2019 às 16:44

    Que lindas criancinhas, tão iguais, tão colectivo… o ideal da amiba!

    • Nunes

      09/11/2019 às 16:53

      Jose, essa chaga cancerosa…

  • Rogério G.V. Pereira

    09/11/2019 às 1:24

    Levo teu texto
    para poder decorá-lo

    não será difícil
    ser belo, só ajuda

  • Francisco

    08/11/2019 às 9:13

    E até pode bem suceder, que a utopia se torne emergência mais cedo do que agora supomos. É só um palpite deste rapaz que já viu qualquer coisa do Mundo.

  • Nunes

    08/11/2019 às 9:06

    Após o ataque do fascismo na página da Lúcia, houve a luta e a resposta.
    O fascismo tentou, mas não passou nas páginas do «Manifesto 74».
    Alguns momentos a seguir… eis três parágrafos de revolução, a mostrar que enquanto há vida, há esperança.

    • Jose

      09/11/2019 às 16:42

      Vai em frente Nunes, mas quanto a 'disparar', acautela-te com o troco!

    • Nunes

      13/11/2019 às 21:41

      O teu troco aqui no Manifesto 74 não tem validade. Já agora, onde está a tua mãe para te limpar a merda que fazes na retrete?

    • Nunes

      14/11/2019 às 9:57

      Aliás, um cretino como tu, deve esconder muita trampa no seu armário: problemas emocionais, familiares, inclusive problemas de saúde. Só assim se explica a constante provocação que fazes aqui nestas páginas que nada têm a ver contigo.

  • joao pedro

    08/11/2019 às 0:34

    De acordo.

    João Pedro

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