H: holodomor

Teoria

H: holodomor

A ideia do genocídio do povo ucraniano através de uma grande fome provocada intencionalmente pela URSS nasceu como uma peça de propaganda nazi, cresceu para ser um dogma da direita neoliberal e envelheceu para não ser mais que uma piada de historiadores.

A fraude do holodomor aceita acriticamente as fontes recolhidas pelas máquinas de propaganda de Goebbels, Innitzer e Hearst sobre o «o terror do judeu comunista» e ignora toda a produção historiográfica que aponta num sentido contrário. A título de exemplo, os crentes do Holodomor recusam-se a comentar a extensa evidência científica sobre as causas naturais e económicas da fome que, em 32 e 33, devastou não só a Ucrânia como também a Rússia.

A própria palavra denuncia ao que vinha a direita nacionalista que inventou o conceito. Se ao fascismo atiravam o Holocausto, ao comunismo era preciso atirar um equivalente histórico, político e moral: o Holodomor. Daí que o número de vítimas do suposto genocídio tenha começado com 12 milhões (o dobro dos famosos 6 milhões de judeus mortos pelos nazis), para ser revisto pelos próprios historiadores que defendem a tese do genocídio para 10 e, actualmente, 3 milhões ou menos. O consenso entre os especialistas, mesmo entre os historiadores burgueses, como Robert Conquest, Mark Tauger ou Arch Getty, é que a fome não foi intencional. Outros historiadores sérios como Douglas Tottle, que merece aqui destaque pela riqueza das fontes primárias em que se baseou para classificar o Holodomor como uma fraude, foram pura e simplesmente ostracizados.

Os crentes do Holodomor também se esquivam a explicar se as dezenas de fomes cíclicas que, desde há muitos séculos, devastavam a região da Ucrânia também eram genocídios ou porque razão a fome dos anos 30 foi a última.

A ideia de uma fome deliberadamente provocada por Stalin para erradicar o povo ucraniano é tão ilógica que contraria a própria lenda negra do líder soviético: se Stalin, para se agarrar ao poder, precisava de colectivizações forçadas em tempo recorde porque haveria, ao mesmo tempo, de incendiar o próprio silo?

Os historiadores sérios e baseados em evidência, independentemente das matizes ideológicas, têm hoje menos certezas na hora de apontar o dedo a um genocídio. O Holodomor ficará para a história como um instrumento ideológico das transformações capitalistas dos anos 90.

Há uma guerra pelas nossas palavras. Elas são os instrumentos com que explicamos o mundo e a história ensina-nos que só o consegue transformar à sua vontade quem o consegue explicar. Da mesma forma que os negreiros tinham o cuidado de separar os escravos em grupos que não falassem a mesma língua, o capital verte milhões em campanhas de confusão conceptual, na promoção de novas categorias, na erradicação de certos vocábulos e na substituição de umas palavras por outras, aparentemente com o mesmo sentido. Este dicionário é um breve contributo para desfazer algumas das maiores confusões semânticas, conceptuais e ideológicas dos nossos tempos.

1 Comment

  • Alvaro Carmo Vaz

    15 Junho, 2021 às

    Gosto muito deste Dicionário. Apreciei bastante esta entrada sobre a fraude de Holodomor.
    Obrigado.

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