Luta contra a Direita na América Latina

Nacional
A luta entre a reacção e as forças do progresso social vive momentos intensos na América Latina.

Amanhã Dilma Rousseff será provavelmente afastada formalmente do cargo de Presidente do Brasil por Senadores (esses sim) corruptos, oportunistas e irresponsáveis, ao serviço da burguesia nacional e estrangeira. A frontalidade exemplar de Dilma perante os acusadores contrastou com o medo do presidente interino, Michel Temer, em ser apresentado durante a cerimónia de apresentação dos Jogos Olímpicos. A acusação de golpe de estado não é mera retórica: a direita brasileira não tendo conseguido derrotar o PT nas urnas, usa acusações juridicamente insuficientes para um processo de impeachment – com o apoio dos media e manifestações reaccionárias – para afastar Dilma, e imprimir um processo acelerado de retrocesso social.

Na Bolivia, os mineiros corporativistas organizam manifestações para garantir interesses privados na exploração dos recursos minérios – que a Constituição da Bolivia garante serem propriedade do povo Boliviano e serem administrados pelo Estado. Não são manifestações de trabalhadores minérios em torno de reivindicações laborais, mas pequenos patrões que impulsionam um movimento conspirativo e golpista. Entre as suas exigências inclui-se impedir a sindicalização nas suas empresas; revogar a Lei Mineira e Metalúrgica que impede o investimento de empresas privadas nas cooperativas mineiras; e flexibilizar a regulamentação ambiental (ver). A natureza provocatória deste movimento foi reforçada pelo ministro Boliviano, Carlos Romero, que assegurou 2ª feira que “entre os mineiros cooperativistas, que causaram a morte de 4 cooperativistas e do vice-ministro do Interior Rodolfo Illanes, se encontram grupos que querem restituir a privatização do sector mineiro.” (ver)

Na Venezuela, a governo Bolivariano tem sido alvo de manobras imperialistas aliadas à direita nacional, um processo que pretende culminar no próximo 1º de Setembro, no que a oposição – aglutinado na Mesa da Unidade Democrática (MUD) – chama de “Tomada de Caracas”, e que poderá vir a constituir uma jornada provocatória da extrema-direita com vista a aprofundar a desestabilização do país.

Recorde-se a ordem executiva dos EUA – aprovada em Março de 2015 e recentemente prorrogada por Barack Obama – que considera a Venezuela uma «ameaça inusual e extraordinária para a segurança nacional e a política externa» dos Estados Unidos. As pressões dos EUA aumentam na preparação da “Tomada”: na passada 5ª feira, foi anunciado que mais de 30 congressistas dos EUA pediram aos Secretários de Estado e Tesouro para imporem mais sanções à Venezuela e seus oficiais, considerando que “a democracia está falhando” na Venezuela.

Mas tal como no Brasil e na Bolívia, também na Venezuela o povo virá à rua defender as suas conquistas. A luta será dura.