O Bloco de Esquerda mente: o KKE não apelou à abstenção

Nacional

Numa notícia publicada no Esquerda.net, o Bloco de Esquerda acusa o Partido Comunista Grego de apelar à abstenção no referendo convocado para dia 5 no país helénico.

Trata-se de uma mentira ignóbil que não nasce de qualquer problema de tradução mas de uma contradição política inultrapassável: o que o Bloco de Esquerda defende para a Grécia é o compromisso com aquilo que diz combater em Portugal – a austeridade.

O que na verdade diz o Partido Comunista Grego é que tanto o plano do Syriza como o ultimato de Bruxelas devem ser rejeitados pelo povo. Ao contrário de apelar à abstenção, o KKE propôs que o escrutínio incida sobre duas perguntas, uma relativa à última proposta de acordo dos credores da dívida grega e uma segunda sobre o rompimento com a União Europeia.

Para o BE, esta é uma postura inaceitável porque revê no governo do Syriza legitimidade bastante para fazer cumprir a premissa-chave do programa eleitoral com que foi eleito: rejeitar o programa de ajustamento. É claro que o referendo é desnecessário e oportunista: a vontade do povo grego é soberana e as promessas não se referendam, cumprem-se.

Claro que para os bloquistas, que votaram a favor de empréstimos usurários contra o povo grego, que vêem na União Europeia um aliado dos trabalhadores e que não concebem uma Europa liberta das amarras do euro, quem rejeita mais cedências, apela à abstenção.

Para quando uma rectificação?