Rosendo encontra-se com Vladislav, o nazi.

Nacional

José Manuel Rosendo foi à Ucrânia e descobriu em Kiev uma centena de deslocados da Crimeia. Não lhe ocorreu ir à Rússia entrevistar um dos centenas de milhares de civis do Donbass que para lá se deslocaram, fugindo dos bombardeamentos das tropas da Junta de Kiev.

No meio da tal centena de deslocados, Rosendo descobriu Vladislav, um rapaz que trabalha numa sala pouco típica de um albergue de refugiados, com um retrato de Putin a servir de alvo para setas e uma bandeira em cima da secretária onde vai acompanhando a guerra pela qual anseia através das redes sociais. Rosendo falou com Vladislav, e Vladislav confessou-lhe que espera em breve integrar-se como voluntário no “Batalhão Azov”. Rosendo ouviu e reportou. Só não lhe ocorreu explicar aos telespectadores portugueses o que é o “Batalhão Azov”.

A unidade em que se integrará Vladislav, o “deslocado” da Crimeia, é um grupo paramilitar de extrema-direita composto por voluntários oriundos de vários países da Europa, que tem como emblema uma mistura de símbolos nacionais ucranianos com outros directa e explicitamente ligados ao nazismo alemão. O símbolo central do emblema do “Batalhão Azov” é o Wolfsangel utilizado pela 2ª Divisão Panzer das SS alemãs, uma unidade do exército fascista derrotado na grande Batalhão de Kursk, durante a Grande Guerra Pátria da União Soviética 1941-1945.

O Batalhão Azov tem-se celebrizado no Donbass pela brutalidade dos seus métodos, nomeadamente no que respeita à tortura de civis e à execução de prisioneiros de guerra. É também um corpo paramilitar que não esconde a sua clara e explícita adesão ao fascismo, razão pela qual tem sido combatido com enorme bravura pelas unidades das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk.

Por isso, se eu fosse Rosendo e me encontrasse por mero acaso com o facho que, durante um cessar fogo, afirma estar a preparar-se para integrar uma facção paramilitar nazi financiada pela Junta de Kiev, era capaz de ter vergonha de enviar para Lisboa uma reportagem nos termos daquela que o Telejornal da RTP1 passou esta noite.