Vou fazer um movimento social para partir os torniquetes das casas de banho da estação de camionagem de Sete Rios: A Mijadela tem de ser Mais Democrática.

Nacional

Estação de camionagem de Sete Rios. Ontem. Fui lá deixar o meu pai que ia apanhar um autocarro. Chegamos, vamos à bilheteira, bilhete comprado. Digo-lhe eu, a casa de banho é ali, se precisares de ir antes da viagem. Antes mesmo de ele me responder reparo que a casa de banho agora tem um torniquete. Não acredito. Aproximo-me e sim, quem quiser utilizar a casa de banho da estação de Sete Rios tem de pagar 50 cêntimos.

Estamos a falar de um local público, onde a grande maioria das pessoas se prepara para fazer uma viagem de algumas horas e onde outras as vão deixar ou receber. Na estação de comboios de Santa Apolónia a história é a mesma, com uma pequena diferença – que não torna a opção mais aceitável -, em redor sempre há cafés e os comboios até têm casa de banho. Os autocarros supostamente também têm, mas quem já viajou na Rede Expressos sabe bem que nunca funciona. Sai caro fazer a limpeza e comprar os produtos necessários para evitar os maus cheiros.

Alguém que esteja muito aflitinho que trate de arranjar os tais 50 cêntimos. E se por acaso tiver o dinheiro certo para o bilhete? Pernas abaixo. E quem estiver com alguma doença urinária? Quem tiver uma doença urinária crónica? Quem tiver o intestino desarranjado? Três hipóteses: pernas abaixo; 50 cêntimos de cada vez; ou só 50 cêntimos e “vive” dentro da casa de banho até ser hora de partir, poupa dinheiro, alivia-se sempre que a saúde exige mas é capaz de não ser muito agradável a permanência prolongada nos sanitários.

A discriminação social esconde-se nos detalhes mais pequenos e releva-nos um país que, por mais que queira afirmar-se como estando em fase de modernização, continua preso a hábitos antigos. Vivemos num sistema que se organiza mais em função dos privilégios do que em função dos direitos básicos. Uma democracia opaca, autoritária e elitista, onde até mijar sai cada vez mais caro.