20 anos de terror no Médio Oriente

Internacional

O maior ataque terrorista da história aconteceu em Hiroxima e Nagazaki, em Agosto de 1945, com a utilização de bombas nucleares contra a população civil de um país já derrotado. Essa é uma das páginas mais negras da história da humanidade. Os Estados Unidos provocaram cerca de 200 mil mortes em apenas dois dias. Não se trata de desvalorizar a tragédia de 11 de Setembro de 2001 mas antes de combater a narrativa mediática que tenta apontar os ataques em território norte-americano como o maior ataque terrorista da história.

O que faz dos ataques, que agora registam duas décadas, marcantes é terem acontecido em solo norte-americano e é terem espoletado consequências no curso da história dos últimos 20 anos. Não é preciso recorrer a teorias da conspiração para afirmar que os mesmos a quem se atribui os ataques foram financiados, treinados e armados pelos Estados Unidos. A Al-Qaeda teve o apoio da Casa Branca antes e depois dos ataques, em diversos cenários de guerra.

O facto é que o 11 de Setembro foi o pretexto ideal para justificar agressões militares em violação dos tratados internacionais. Foi o princípio de duas décadas de caos no Médio Oriente. O fim da União Soviética abriu caminho ao desequilíbrio de forças a nível mundial e deu carta branca à suposta guerra contra o terrorismo.

O contexto das agressões contra os povos da região tem de ser lido tendo em conta a progressiva decadência económica dos Estados Unidos. Prevê-se que a China ultrapasse economicamente aquele país em 2027 mas os Estados Unidos continuarão a ser a primeira potência militar. Esse é o perigo dos tempos que vivemos. Os Estados Unidos tentam pela força manter o domínio económico.

Nesta estratégia violenta por controlar recursos e mercados, Washington, para além dos seus aliados na região, usou o salafismo como peça central. Esta corrente sunita ultraconservadora e reaccionária, seja o nome que use, Al-Qaeda, ISIS ou outros, foi e continua a ser usada pelos Estados Unidos para destabilizar governos ou para justificar o seu papel de polícia do mundo.

O panarabismo secularista que predominava nas sociedades de vários países foi outro dos inimigos a abater. As acções políticas norte-americanos e da União Europeia não têm nada a ver com direitos humanos. A geopolítica destes países move-se em função dos seus interesses. As guerras são pelo controlo de recursos energéticos e matérias primas. Foi Joe Biden que afirmou que a intervenção dos Estados Unidos no Afeganistão não tinha como objectivo ajudar a população mas antes proteger os interesses norte-americanos.

Alguns milhões de mortos depois, a capacidade de intervir no Médio Oriente e outras regiões continua letal. Com tropas ou sem tropas, os Estados Unidos e a União Europeia usaram durante duas décadas todos os métodos da barbárie. Desde prisões secretas onde assassinam e torturam, a campos de concentração e a drones que executam famílias inteiras.

Mas os métodos de destabilização podem ser mais refinados. O investimento de milhões de dólares em ONG, formação de líderes locais, criação de meios de comunicação, utilização das redes sociais e ataques de falsa bandeira proliferam não só no Médio Oriente. Se o mundo é hoje um lugar mais perigo, isso deve-se ao imperialismo norte-americano e europeu.

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