25 de Novembro, o dia em que temos de fazer tudo de novo

Nacional

As tentativas de reescrever a história por parte da extrema-direita não são uma novidade nem em Portugal, nem na Europa. São o caminho que tem vindo a ser trilhado com a conivência daquilo a que se chama, nos dias de hoje, valores ocidentais.

As tentativas da direita e extrema-direita em relevar o 25 de novembro, não são menos do que procurar descredibilizar a Revolução de Abril e as suas conquistas, que tanto custam a engolir aos herdeiros do fascismo. A referência a Jaime Neves, em particular, que na noite de 24 para 25 de Abril se furtou à missão que lhe tinha sido confiada pelos militares revoltosos, por motivos mais mundanos, como é público, é um insulto nojento à memória das vítimas dos massacres de Wiryamu, Chawola e Juwau, no distrito de Tete, em Moçambique, a 16 de dezembro de 1972.

Estas homenagens significam exaltar criminosos de guerra, que não são menos criminosos por serem portugueses. Jaime Neves foi um desses criminosos, num massacre que terminou com PIDEs e militares a jogarem futebol com a cabeça de crianças, obrigadas a assistir à morte dos pais, fosse por fuzilamento ou queimadas nas cubatas incendiadas. De acordo com os relatos do padre católico, Adrian Hastings, feitos na ONU, “os soldados, na sua divagação pelo povoado, encontraram uma mulher, de nome Zostina que se achava grávida. Perguntaram-lhe pelo sexo do que levava dentro de si. “Não sei” – responde ela. Já o saberás!! – disseram-lhes eles. Imediatamente, a facadas abriram-lhe o ventre, extraindo-lhe violentamente as vísceras e mostrando-lhe o feto, que se debatia convulsivamente, diziam: “Vês? Já sabes agora.” Depois, mãe e filho foram consumidos pelas chamas.

Outros soldados divertiam-se a matar crianças, agarrando-as pelas pernas, arremessando-as contra o solo ou contra as árvores”. “Um grupo bastante numeroso de soldados arrastou quatro donzelas para um local escuso, onde foram cruelmente massacradas, depois de terem sido brutalmente violadas. “Ninguém mais gozará de vós” – diziam os soldados em tom de triunfo prenhe de ódio. Tiraram-lhe as ‘missangas’ (adorno interior das mulheres em volta da cintura). Aqueles soldados levavam-nas como troféus, em volta do pescoço à guisa de colares”. Um soldado, simulando compaixão, aproxima-se e, acariciando a criança, pergunta-lhe se está com fome. Sem, porém, esperar resposta, continua: “Toma o biberão”. E metendo à força o cano da arma de fogo na boca da criança, diz: “Chupa!”. E dispara. A criança cai com um rombo na nuca.

Podíamos continuar a enumerar os crimes cometidos por aqueles que a extrema-direita pretende homenagear, uma e outra vez, todos os anos, neste dia. Poupamos-vos a esse sacrifício. Basta ler e estudar. Pela nossa parte, nenhum fascista será santificado, tenha ele nascido antes ou depois do 25 de Abril, que tanto incomoda a extrema-direita. Agora, como naqueles anos, estaremos na linha da frente para combater todas as tentativas de lavar a imagem do fascismo e dos fascistas, ao lado dos povos, incluindo o português, que tanto sofreram às mãos desses assassinos. Nem um passo atrás.

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