Alerta! Alerta antifascista. Não passarão.

Nacional

Em Março deste ano, por altura de um jogo da “Liga dos Campeões” entre o Atlético madrileno e os holandeses do PSV, foram divulgadas imagens de adeptos holandeses que em pleno centro da capital espanhola atiravam moedas a um grupo de “mendigos” (que algumas fontes identificaram como refugiados). Semelhantes imagens repetiram-se hoje, em Lille, tendo adeptos ingleses como protagonistas e um grupo de crianças como vítimas. Em Lille, como aliás em Madrid, habitantes da cidade sentiram-se indignados e protestaram perante as gargalhadas, a indiferença e gozo alarve da mole embriagada pelo álcool e pela sensação de superioridade face a todos aqueles diferentes de si. O Euro2016 assume-se cada vez mais como a indesmentível montra da pobreza moral da Europa.

Lille foi de resto o palco de novos confrontos, que se somam a escaramuças e situações de maior gravidade ocorridas um pouco por todo o território gaulês. Na origem de todas elas estão, mais do que países ou nacionalidades, grupos fascistas organizados, compostos não raras vezes por criminosos bem treinados para espancar com a máxima brutalidade. França é hoje o parque de diversões de neonazis húngaros, ingleses, alemães, polacos, russos, albaneses, ucranianos, unionistas da parte ainda ocupada da Irlanda. O nazi-fascismo troglodita mostra nas cidades francesas as suas habilidades criminosas, demonstrando a sua capacidade para gerar terror, intimidação, violência gratuita e, noutros casos, direccionada.

Naturalmente que neste contexto é absolutamente desonesto o aproveitamento que alguns fazem para, sem as soqueiras no bolso, concretizarem no plano mediático a outra parte do trabalho iniciado pelos criminosos à solta em território francês. Intervenções como a de José Milhazes na SICn, referindo que os “comportamentos dos adeptos (russos) são reflexo de uma “campanha anti-ocidental” na Rússia”, não podem ser analisadas nem entendidas fora de uma campanha russófoba com vários episódios – que incluem não apenas toda a mistificação em torno das situações na Síria, Crimeia e no Donbass mas também pequenos incidentes como aquele relativo à passagem de aviões de guerra russos junto do território portugueses, como se daí resultasse alguma ameaça real à segurança nacional… -, e que tem tido no próprio Milhazes um dos principais rostos mediáticos.

O que se passa em França pouco ou nada tem a ver com uma suposta “campanha anti-ocidental na Rússia”. Milhazes sabe-o mas prefere outra abordagem mais ajustada à narrativa previamente definida. Ou então, o que é de certa forma pior, ignora-o; e desta forma actua como papagaio de repetição de uma narrativa que não tem origem na sua própria capacidade de fantasiar quando o assunto é a Rússia à qual tudo deve.

O fascismo das ruas de Lille, Paris ou Marselha é o rabo de fora que denuncia um corpo maior composto por gente engravatada e, na aparência, bem falante. O fascismo no Euro2016 é a dimensão folclórica – ainda que estupidamente brutal – de outras abordagens ainda mais perigosas, protagonizadas por aqueles que sabem bem ser o neonazismo e os seus rufias uma cartada sempre na manga de um capitalismo decrépito que vai abrindo brecha atrás de brecha no imenso edifício político-ditatorial, anti-cultura, económico-financeiro, anti-popular e anti-ambiental que dá corpo à sua dominação planetária.

Confundir fascistas de uma nacionalidade com uma pátria inteira não é apenas um erro; é antes de mais batota propositada. Limitar a violência de um Europeu perfeitamente esclarecedor acerca da força da extrema-direita troglodita (apoiada a partir de gabinetes “insuspeitos”, nos centros políticos, económicos e mediáticos) aos russos não é apenas um disparate: é um insulto ao povo que neste mundo mais se bateu pela Paz, pagando por ela – para si e para os outros – o mais alto preço (quase 30.000.000 de mortos entre 1941 e 1945). Ignorar que a violência entre “adeptos” é apenas na aparência um fenómeno particular das grandes competições de futebol é estúpido, mas muito conveniente.

Alerta! Alerta antifascista.
Não passarão.