C: colaborador

Teoria

C: colaborador

Se “trabalhador” quisesse dizer a mesma coisa que “colaborador” não tinham inventado esta última palavra. Não há “código da colaboração”, “horário de colaboração”, “Ministério da Colaboração” nem querem que “colaboremos mais horas” porque não há colaboração nenhuma. Há pessoas que vendem a sua força de trabalho e pessoas que a compram por um valor. Por isso, faz tanto sentido chamar colaborador a um trabalhador como ao cliente de uma loja. Se patrão e trabalhador colaborassem verdadeiramente, os lucros seriam colaborativamente distribuídos.

A palavra colaborador foi inventada pelo patronato para convencer os trabalhadores de que os interesses de quem trabalha e de quem explora são os mesmos e assim anular a necessidade de lutas, sindicatos e consciência de classe.

Há uma guerra pelas nossas palavras. Elas são os instrumentos com que explicamos o mundo e a história ensina-nos que só o consegue transformar à sua vontade quem o consegue explicar. Da mesma forma que os negreiros tinham o cuidado de separar os escravos em grupos que não falassem a mesma língua, o capital verte milhões em campanhas de confusão conceptual, na promoção de novas categorias, na erradicação de certos vocábulos e na substituição de umas palavras por outras, aparentemente com o mesmo sentido. Este dicionário é um breve contributo para desfazer algumas das maiores confusões semânticas, conceptuais e ideológicas dos nossos tempos.

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