Todos os artigos: Nacional

Os Índios da Meia Praia

Foto: Festa do Avante

Zeca Afonso ajuda-nos a introduzir neste texto a temática incontornável dos vários processos eleitorais deste ano, e de tudo que faz falta compreender haverá algo desde já a reter: o PCP é a única força política que propõe a transformação da sociedade e a CDU a coligação, que em contexto eleitoral, responde aos anseios da larga maioria da população.

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Já está no ar a Cassete Pirata #8

📼 🏴‍☠️ O oitavo episódio da Cassete Pirata, o podcast do Manifesto74, tem como tema central as eleições nos EUA, a guerra na Ucrânica e a situação internacional e conta com a participação de:

– Álvaro Figueiredo, António Santos, Bruno de Carvalho e Simão Bento.

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Emergência e submissão: “Die Welle” e o apelo da extrema-direita (Parte I)

Embora não possamos apontar, com certeza, quando recomeçou a ascensão dos movimentos de extrema-direita – uns mais orgânicos, sustentados em partidos políticos, e outros menos -, tendo em conta que parece não existir propriamente uma quebra nas suas manifestações desde a II Guerra Mundial e a experiência do nazi-fascismo na Europa até hoje, é inegável que o evoluir da situação social e política em cada país da Europa (e fora dela) trouxe ferramentas e discursos novos a estes movimentos.

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Crónica de uma morte anunciada

A primeira frase do livro do maior escritor que a Humanidade nos deu, e que pedi emprestada para o título deste texto, reza assim: “No dia em que iam matá-lo, Santiago Nassar acordou às 5.30 para esperar o barco em que chegava o bispo”. Gabriel García Márquez desenhou uma trama que nos relata como toda uma aldeia sabia que dois irmãos gémeos, Pedro e Pablo Vicário, matariam aquele jovem de 21 anos, mas ninguém avisou o pobre Santiago.

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8 de março, Dia Internacional da Mulher: o mito original e outras fábulas mais ou menos modernas

O Dia Internacional da Mulher foi, da sua origem aos dias de hoje, avançado e defendido por comunistas, expressando, de modo inequívoco, a visceral ligação entre a luta pela emancipação das mulheres e a luta pela libertação da classe trabalhadora.

Passado para lá de um século do mais selvagem liberalismo e reformismo, as raízes comunistas foram-se vendo cobertas por um estéril composto de “empoderamento feminino” e outras falácias individualizantes, artificialmente gerado a partir de algumas das mais reaccionárias fábulas: uma espontânea origem norte-americana, impermeável ao projecto soviético e dependente da democracia burguesa como marco maior de igualdade.

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A fractura exposta

Desde a entrada para o mercado único europeu, especialmente com a entrada no “pelotão da frente” da adopção do marco alemão travestido de novas vestes e nome, que os trabalhadores portugueses têm vindo a sofrer as consequências das opções dos traidores de Abril que até aqui nos trouxeram.

Fizeram-no com a pompa e circunstância que a classe dominante entendeu atribuir ao projecto “europeu”, fizeram-no porque rapidamente perceberam que a entrada de Portugal num projecto federalista – colonizador da periferia e assente na institucionalização do capitalismo – seria uma das formas mais eficazes de travar o desenvolvimento do projecto de Abril. Na altura PS e PSD competiam em Portugal para ver quem alinhava com mais afinco na moda europeísta, quem diziam com mais convicção que íamos ganhar como os alemães e que não podíamos ficar de fora porque seríamos excluídos e ostracizados.

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Yaka, voz da descolonização

Imagem do documentário "Independência", de Fradique (Mário Bastos), 2016

Erro de Português

Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.

Oswald de Andrade, Pau-Brasil, 1925

Um poema escrito por um brasileiro, na década de 20, para dar início a um artigo sobre um romance angolano, escrito nos anos 80? Passo a explicar — Oswald de Andrade, aludindo a um registo de Pero Vaz de Caminha (23 de Abril de 1500), refere-se à chegada dos portugueses ao Brasil, durante uma tempestade, entre ventos de sueste e copiosos chuvaceiros. Ao “vestir o índio”, os portugueses estariam, literalmente, a agasalhá-lo, e, figurativamente, a impor a sua cultura, numa tentativa de civilizar os povos nativos. Depois, apresenta um cenário avesso, alternativo, que desconstrói a pretensa grandeza épica dos Descobrimentos através da inversão de papéis — “Fosse uma manhã de sol”, um dia bom, e o índio não seria submetido à dominação colonial; teria “despido o português” ou, melhor ainda, tê-lo-ia despojado da sua ambição usurpadora. Yaka, de Pepetela, começa pela tempestade, a violência colonial, e termina anunciando a alvorada soalheira que firmou a independência de Angola. Tendo como fio condutor a longa vida de Alexandre Semedo, personagem principal e colono de origem portuguesa nascido em Benguela, o autor faz um retrato brilhante e historicamente rigorosíssimo das várias fases da luta pela independência, em Angola, e a progressiva descolonização do imaginário de Alexandre. O patriarca da família Semedo é, de facto, “despido” de todos os seus preconceitos, aspirando, no final da vida, não à extensão do seu privilégio, mas à libertação do território angolano. 

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Almirante das Injecções e a (mesma) «ordem»

Portugal conheceu, nos últimos séculos, vários líderes que exerceram ou ficaram associados ao poder por vicissitudes efectivamente marcantes na História de Portugal. Pode voltar a acontecer num futuro muito próximo. Depois de um Marquês de Pombal pelo iluminismo despótico, de um D. Pedro IV pelo liberalismo, de um D. Miguel pelo absolutismo, de um Afonso Costa pelo jacobinismo republicano, de um Sidónio Pais pelo reaccionarismo monárquico e de um Salazar pela ditadura e pelo fascismo, está na iminência a chegada de um Almirante por injecções em gimnodesportivos. Por um lado, o marialvismo hipersensível ao bafio do passado e que se prepara para votar no “chefe” possível que “ponha tudo na ordem”, talvez não mereça, de facto, nada mais honroso do que desaguar nesta tão humilhante caricatura histórica. Por outro, considerando as lições do passado e a marcha actual das alegadas «democracias» ocidentais, o perigo que isso acarreta, ou que pode acarretar, é inquestionavelmente muito real.

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