És tu que pagas a vida que eles levam

Nacional

Todos os anos, sem excepção, a direita, do PS ao Chega, celebra o 25 de Novembro. São muitos os que defendem que esta data passe a figurar no calendário como feriado nacional. Porquê? Porque consideram que foi um dia decisivo para derrotar aquilo a que continuam a chamar de ameaça do comunismo.

Ou seja, os militares que impuseram uma pesada derrota sobre o processo revolucionário que amanheceu a 25 de Abril do ano anterior e que acelerou a 11 de Março de 1975 devolveram o país à Europa Ocidental. Foi uma dinâmica lenta porque encontrou pela frente a resistência dos trabalhadores e do povo mas que conseguiu a integração de Portugal na CEE, a privatização da banca, a destruição da reforma agrária e o desmantelamento do aparelho produtivo.

Este país em que vivemos hoje, sempre à beira do abismo, com profundas desigualdades, é produto desse processo contra-revolucionário. Quando na próxima quarta-feira voltarem a ouvir dirigentes de todos os partidos, do PS ao Chega, celebrar o 25 de Novembro, lembrem-se que, apesar de a mentira ter perna curta, esta tem 45 anos de ininterrupta política de direita.

Não quer isto dizer que não haja diferenças entre a extrema-direita e os restantes partidos que reivindicam o 25 de Novembro. Há. A maioria tem orgulho neste modelo social e económico em que vivemos, sem vergonha da miséria que marca a realidade de milhões que mesmo trabalhando são pobres. Já André Ventura, financiado por grandes grupos económicos e financeiros, tem de mentir para atribuir à revolução o actual estado de coisas.

Se André Ventura e o partido que lidera fossem de facto contra o sistema em que vivemos, estariam na linha da frente na defesa do processo revolucionário que pôr em fuga banqueiros, industriais e agrários que banquetearam durante décadas com as barrigas de fome dos nossos avós. Se dantes se divertiam em caçadas, agora dão riscos de coca em iates com o nosso dinheiro. Foi no dia 25 de Novembro que puderam voltar, protegidos pelos heróis de todos estes partidos, para voltarem a fazer o que já faziam durante o reinado de Salazar. Por isso, este pesadelo em que vivemos não sabe a Abril. Sabe a Novembro. E a vida que eles levam leva consigo o suor do nosso trabalho.

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