Kim Jong-un ordena mais repressão

Internacional

Na Coreia do Norte, o ditador Kim Jong-un anunciou a proibição de uma manifestação convocada para amanhã em defesa dos direitos humanos. Segundo fontes do regime, a manifestação proibida tinha sido planeada por uma associação ilegalizada há meses e considerada “terrorista”, libelo com que a ditadura da família Kim carimba a dissidência.

Já ontem, a monarquia comunista tinha encenado uma redada policial em que foram detidos oito importantes advogados ligados à defesa da democracia e dos direitos humanos. A União Europeia e os EUA já manifestaram o seu repúdio por mais esta escalada repressiva, desta vez contra a defesa legal dos activistas pró-democracia. Catherine Ashton, alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, disse, em declarações à LUSA, que a decisão de proibir a manifestação de amanhã é ilegítima e confirma a natureza sanguinária do regime: não só a proibição veio da Audiência Nacional, um tribunal de excepção para crimes políticos, como abre a porta à mais brutal repressão contra os milhares de cidadãos que no sábado encherão as ruas de Pyongyang.No mesmo sentido, o secretário de Estado americano John Kerry, considerou inaceitável o recrudescimento da violência do regime norte-coreano contra o seu próprio povo. Kerry lembrou que na Coreia do Norte há mais de 700 presos políticos em condições desumanas, que são torturadas centenas de pessoas por ano e que se vive uma média de 3 detenções políticas por dia. Kerry apelou ao envolvimento da comunidade internacional na aprovação de novas sanções até que Pyongyang aceite a celebração de um referendo à independência, a libertação dos presos políticos e o fim da repressão.

Na sequência do anúncio da repressão, Park Sun Hyo, líder do movimento pró-democracia no exílio, foi mais longe e exigiu à comunidade internacional que intervenha militarmente para deter o massacre de sábado. “Como é possível que o ocidente assista impávido e sereno à intenção declarada de usar forças armadas para reprimir centenas de milhares de manifestantes pacíficos?” Perguntou à Reuters “A Coreia do Norte é um estado policial, com 1 polícia para cada 165 habitantes. Todos temos um amigo, um familiar ou um colega que já foi preso. O regime encerra jornais, ilegaliza partidos, sequestra activistas, tortura os nossos dirigentes. Embora o movimento pró-democracia tenha abandonado a estratégia armada há anos, o regime insiste na repressão e na violência. Não nos restam meios democráticos para exigir a independência e a democracia.”

A Coreia do Norte é uma monarquia cujo actual soberano é herdeiro directo de um ditador fascista que esteve ao lado de Hitler e causou mais de 150 000 mortos. Após inúmeros escândalos familiares envolvendo corrupção, abuso de poder e caçadas a elefantes, fala-se de uma possível abdicação de Kim Jong-Un a favor do primogénito Kim Felipe-Sang, o que permitiria manter o regime comunista em troca de uma abertura controlada. O movimento pró-democracia, por seu turno, rejeita esta solução e exige a convocação de um referendo que conceda ao povo coreano o direito de decidir livremente o seu futuro.

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