“Teorias da conspiração”.

Nacional

Nota prévia: este post não é sobre os acontecimentos de Paris.

É sabido que, perante acontecimentos inesperados e altamente mediatizados, existe uma tendência evidente e quase incontrolável associada ao surgimento das chamadas “teorias da conspiração”. Estas “teorias” são geralmente explicações alternativas para os incidentes a que se referem, nuns casos fantasiosas e construídas com base em pressupostos errados ou simplesmente falsos, noutros casos nem tanto.

As chamadas “teorias da conspiração” (a expressão é, por si só, pejorativa) tendem a ser mal vistas pela generalidade das pessoas, que as colocam de lado de forma tão acrítica como acrítica é a aceitação de fazem das explicações oficiais/institucionais.


Parece-me mais ou menos evidente – mas admito naturalmente estar errado nesta apreciação – que a tendência humana para criar em torno de acontecimentos inesperados explicações alternativas e de certa forma “conspiratórias” só é superada pelo reverso da medalha: a conformação às explicações oficiais, que não raras vezes apresentam a realidade a preto e branco, e são utilizadas como pretexto para justificar e legitimar decisões, alterações e desenvolvimentos posteriores, impensáveis (ou pelo menos questionáveis) num tempo anterior aos acontecimentos.

Execuções extra-judiciais não questionadas, generalizados julgamentos públicos que se centram em supostos deméritos de comunidades étnicas e/ou religiosas inteiras, alterações legislativas que condicionam fortemente as liberdades democráticas aprovadas ou pelo menos perspectivadas de forma tranquila, consolidação (ou pelo contrário, abrupta inversão) da percepção das pessoas comuns sobre temas até então polémicos… os efeitos da aceitação acrítica de explicações não raras vezes insuficientes devem merecer atenção e reflexão por parte daqueles a quem não servem os dogmas do pensamento único.

Os media cumprem, conscientemente ou não, um papel fundamental na guerra da informação e da enformação de percepções.

O que se disse e escreveu nos dias seguintes aos acontecimentos de Guta, na Síria, moldou de forma absolutamente evidente a percepção da esmagadora maioria das pessoas (dos “ocidentais”) sobre um assunto relativamente ao qual existem mais dúvidas do que certezas… mas quem verdadeiramente duvida que o ataque foi obra “do regime”?

O que se disse e escreveu nos dias seguintes aos acontecimentos da Praça Maidan, na Ucrânia, moldou de forma absolutamente evidente a percepção da esmagadora maioria das pessoas (dos “ocidentais”) sobre um assunto relativamente ao qual existem mais dúvidas do que certezas… mas quem verdadeiramente duvida que os “snipers” de Maidan estavam ao serviço do governo deposto?

O que se disse e escreveu nos dias seguintes aos acontecimentos do voo MH17 das linhas aéreas da Malásia, no Donbass, moldou de forma absolutamente evidente a percepção da esmagadora maioria das pessoas (dos “ocidentais”) sobre um assunto relativamente ao qual existem mais dúvidas do que certezas… mas quem verdadeiramente duvida que o avião foi abatido por combatentes “russos” (também conhecidos por “pró-russos”)?

São muitos os casos e exemplos, mas é quase sempre único o alinhamento “informativo”: com o status quo.

Questionar a informação oficial é quase sempre perigoso, pode arruinar reputações num mundo onde o comum dos mortais busca sobretudo aceitação e identificação com o outro. Seja como for é uma postura indispensável, sob pena de formarmos opiniões e tomarmos decisões baseadas em informação deturpada (quando não simplesmente falsa). Questionar a autoridade (incluindo mediática) de um sistema que se serve da propaganda como nenhum outro na história da Humanidade é absolutamente fundamental. Custe o que custar.

Alerta.