OCDE: Que trabalhem os velhos

Acaba de ser divulgado o pomposamente chamado “Economic Survey Portugal 2026”, um relatório de análise económica da OCDE sobre Portugal. Claro que estes relatórios não se cingem nunca aos números e aos factos, deixando as interpretações para a liberdade de cada um; trazem antes consigo um bom conjunto de «explicações», considerações subjectivas e parciais, que visam influenciar as decisões de quem governa. E são essas explicações, claro, que constituem «notícia». Sendo a OCDE um organismo instrumental que visa alimentar e promover a economia de mercado dentro da UE, é fácil perceber a quem serve e que reais objectivos visa. Deste último «relatório», emana um apelo extraordinariamente contundente e bastante claro por tão desavergonhado: para melhorar a vida da população e da economia, que trabalhem os velhos.

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Não podem raptar Bolivar. Não podem capturar Chávez. Não podem matar a revolução.

Vejam como o imperialismo faz o que quer: um país arroga-se o direito de decidir que presidentes derrubar e sequestrar. Vejam a hipocrisia: a UE dos valores e do direito internacional, diz-nos que afinal até pode ser porque nem gostava de Maduro. Vejam o cinismo: todos os partidos sociais-democratas e liberais, do BE ao PS, que, durante anos, reproduziram a narrativa mentirosa do imperialismo sobre o malvado regime de Maduro, vêm agora carpir lágrimas de crocodilo pela morte do mítico “Direito Internacional”.

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O «doce pastel de nata»: quem o faz e quem o come

«Doce como um pastel de nata». Foi com esta metáfora gastronómica que a revista The Economist se referiu recentemente à economia portuguesa, atribuindo-lhe o «melhor desempenho em 2025 entre 36 países maioritariamente desenvolvidos». O artigo é um mundo de elogios em catadupa: uma «combinação de crescimento do PIB acima da média europeia», a «inflação perfeitamente controlada» e uma óptima «valorização do mercado accionista», entre os factores que mais se destacam no famoso «desempenho» que coloca Portugal no top 40 do «sucesso económico» mundial. Resumindo e concluindo: isto está óptimo, uma maravilha. Só não disseram é para quem.

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A burla da burca

Fotografia Renata Giraldi

É já antiga a tradição política em Portugal de nas épocas de discussão orçamental e outras reformas virem a plenário iniciativas legislativas de pouca relevância e que entretenham a opinião pública, os romanos chamavam-lhe pão e circo e o método atualizado produz efeitos similares, pois que numa semana de tão importantes e negativos desenvolvimentos para o país e os trabalhadores o mediatismo caiu na proibição do uso da burca.

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O custo da dignidade é o ódio dos oportunistas.

O que os mói e corrói não é apenas o facto de a CDU não ter estendido a passadeira vermelha ao PS para a CML, como fizeram os outros ditos de esquerda em bloco e livre.

O que os irrita, não é sectarismo, nem ortodoxia, nem mesmo o facto de o candidato da CDU ser, de longe, o único na corrida do trabalho, honestidade e competência, deixando os concorrentes a correr em sentido contrário ao da meta.

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Rota de Fuga

João Porfírio; Observador

João Porfírio; Observador

Lia-se no outro dia que se João Ferreira fosse de outro partido ganharia facilmente a disputa autárquica em Lisboa, é preciso, no entanto, compreender que se João Ferreira fosse de outro partido não seria o João Ferreira, seria outro qualquer. É precisamente nessa premissa, que reconhece involuntariamente a capacidade e competência de João Ferreira e dos candidatos da CDU, que se encontram as razões para o clima hostil em relação às candidaturas da CDU, com o seu recorrente silenciamento e ocultação mediática (podíamos falar do silenciamento de António Filipe, já agora), por um lado, e o pavor que essas mesmas candidaturas imprimem nos seus adversários, por outro.

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De Coimbra a Pyongyang: 50 anos de Brigada Víctor Jara

Brigada, com intenção. Víctor Jara, com admiração e saudade. Assim se apresenta uma das coisas mais bonitas que este país, em boa hora, pariu. Foi em 1975, no distrito de Coimbra, que surgiu — um ano após a Revolução de Abril — esta Brigada com intenção que, naqueles tempos, navegava cancioneiros portugueses e estrangeiros, explorando a expressão popular do nosso povo, as canções revolucionárias da América Latina ou ainda da Guerra Civil Espanhola e, entre comícios do MFA, do PCP ou nas conferências da Reforma Agrária, em muitos palcos pôs o seu luminoso pézinho. Foi nos tantos cantares do povo português que, como sabemos, mais se demoraram e demoram, na esteira de Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça, não lhes ficando atrás em grandeza. Pelo contrário. E meio século depois, cá estamos, tentando atravessar, eito fora, para o outro lado, subir o degrau que falta

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