Autor: Lúcia Gomes

De Moria a Lisboa: o Bloco de Esquerda, Marisa Matias e a grande mentira

Há coisas que nos passam pelos olhos que das duas uma:

Ou são mentiras deliberadas e quem as conta não se importa de as contar ou quem as escreve pensa que somos todos uma cambada de acéfalos.

Que o tema dos refugiados é um tema sobre o qual as personalidades gostam de discorrer, muitas vezes puxando o pé para a caridadezinha porque coitadinhos temos que os ajudar, já todos estamos mais do que habituados.

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América em chamas

Ahmaud Arbery, Breonna Taylor, Walter Scott, Tamir Rice, Philando Castile, Samuel Dubose, Terrence Crutcher, Trayvon Martin, Eric Garner, Oscar Grant, George Floyd. São negros, americanos, executados, abatidos como animais. As suas mortes percorreram o mundo. Assistimos aos olhos de uma pessoa, com quatro três homens em cima dele, a fazer força com os joelhos no tronco e nas pernas e a sufocá-lo com o joelho depois de o espancarem brutalmente dentro e fora do carro da polícia. Uma mulher que dormia e foi perfurada por dezenas de balas porque a polícia procurava um suspeito já detido e ainda acusou o seu companheiro por ter disparado contra um polícia que foi baleado por outro polícia. Ser negro nos EUA significa que não se pode falar quando a polícia chega. As mãos ficam no volante. Ninguém se pode mexer. A primeira coisa se te mandam atirar ao chão é atirares-te ao chão e ficares calado porque estão doze polícias com uma arma no ar e a qualquer gesto matam-te. Não te prendem. Ler mais

O SEF que tortura e mata, o SEF que viola a lei, o SEF que continua impune

São às dezenas as notícias sobre crimes cometidos por funcionários, inspectores e chefias do SEF. “Funcionários das Finanças, Segurança Social e SEF detidos por corrupção na legalização de imigrantes“, “Chefe do SEF suspeito de corrupção ficou suspenso de funções“, “Como um relatório ficou na gaveta e ministros, MP e SEF ignoraram alertas de corrupção“, “Corrupção no SEF em tribunal“, “Chefe do SEF de Albufeira indiciado por 17 crimes de corrupção passiva“, “Vistos Gold: 11 detidos por suspeitas de corrupçãoLer mais

Rita, põe-te em guarda

Ao ler as partes que a Blitz cita do lamento de Rita apenas se evidencia o que é óbvio (é mais do que óbvio) no meio do entretenimento português. Seria meio cultural se existisse uma política cultural, algum eixo, alguma estrutura de criação e fruição que garantisse este direito fundamental a todos. Mas não, é sempre a lógica da festa, do amigo, do amigão que arranja o concerto ao amigão, que conhece um tipo com que estudou na faculdade que é produtor e amigo do presidente da câmara, do namorado que tem uma banda e são muito amigos do tipo da rádio que já os passou (e que não costumar passar ninguém), que por sua vez janta todas as semanas com o gajo da discoteca que é amicissímo e até já namorou com a miúda do programa da televisão cujo namorado novo é das relações pessoais do gabinete da ministra já desde que ela era vereadora. Ler mais

A emergência de medidas de estado

O Presidente da República, mais do que a generalidade de todos nós, está com um comportamento estranho. Evidentemente, os que têm o privilégio de estar em casa a receber 100% da remuneração sem estarem doentes, não estarão imunes a alguma desordem psicológica que a pandemia está a provocar se continuarem a consumir notícias, informação e desinformação. Já o Marcelo, parece estar em estado pandémico ele próprio, com necessidade de garantir a securitização do país para que sua excelência possa circular. Ler mais

Morrer com dignidade

«Se eu soubesse que ia ser assim…», a frase por acabar ficou-me gravada na memória. O homem das mil vidas, aquele que tinha em si toda a vontade de viver (mais do que eu alguma vez vi em alguém), a pessoa que se recusava a aceitar o diagnóstico que lhe dizia ter poucos anos de vida quebrava. Em voz baixa, mas quebrava. Só o disse uma vez e nem acabou a frase. A discussão sobre a eutanásia dificilmente foge às nossas experiências pessoais, às nossas histórias. Na verdade, todos nós devemos ter acompanhado de perto alguém que morreu com cancro, alguém que esteve hospitalizado com alguma doença muito grave ou que morreu em consequência de ter ficado altamente incapacitado por um acidente, por exemplo. Eu sei que tive não um mas vários exemplos e todos de pessoas demasiado próximas. Por isso, quando me perguntam a minha posição sobre a eutanásia, inequivocamente respondo que sim, que entendo que devemos ter o direito a escolher morrer em determinados casos. Mas isto sou eu, a minha experiência, o que eu acho no meu caso. Ao perguntarem-me se o estado deve legislar nesse sentido, tenho as mais profundas reservas. Ler mais