As canções folk norte-americanas funcionam como documentos históricos. Guardam a imensa e insubmissa capacidade de trazer até nós o seu contexto -guardam secas, mortes, deslocações, greves – mas também uma espécie de espaço afectivo colectivo, vivo – guardam obstinação, resistência, esperança.
Estas canções não dizem apenas do seu presente. Persistem nelas artefactos do passado e, em simultâneo, qualquer coisa ainda disponível no futuro; de voz em voz, terra em terra, são uma espécie de construção incessante de cartografia oral viva, aberta a todos os trabalhadores e apta a orientar-nos, ainda hoje, perante (e através) das complexidades do tempo, dos sistemas de organização social e da própria condição humana.
“Which side are you on?”: anatomia de uma canção em vésperas da Greve Geral

