Autor: Bruno Carvalho

A polémica já não é sobre a Festa do “Avante!”

Jornais, rádios e televisões distanciaram-se tanto da realidade daquilo a que se chama cidadão comum que praticamente já ninguém lhes dá qualquer credibilidade. No fundo, esta armadilha mediática em que vivemos é identificada com o sistema político, económico, social e cultural em que vivemos. O mesmo que mantém os trabalhadores na miséria. Os milionários que financiam o Chega fazem parte da mesma elite que financia o PS, o PSD e o CDS-PP e que sabem a importância de terem alguém que instrumentalize o descontentamento social de forma a que não caia nas mãos dos comunistas. Foi assim nos anos 20 e 30, é assim agora.

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#FreeSimonTrinidad

Simón Trinidad faz hoje 70 anos e apodrece há 16 anos numa prisão nos Estados Unidos. Em meados dos anos 80, quando só era conhecido como Ricardo Palmera, geria o Banco del Comercio na pacata Valledupar. Activista de esquerda e candidato da Unión Patriótica, debate-se com o ódio da oligarquia e do Estado colombiano que assassinam os seus camaradas.

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Para que nos deixem ver as estrelas

Enquanto ele limpava religiosamente a arma com uma escova de dentes, eu pensava para mim que é a perspectiva revolucionária que devolve a cada comunista o entusiasmo de cumprir cada tarefa independentemente da sua natureza e da distância histórica da ruptura com o capitalismo. Outros, ao nosso lado, jogavam xadrez entre a folhagem verde que durante tantas décadas os protegeu do exército colombiano. O facto é que o entusiasmo, combustível da militância dedicada, fez parte daquele barco com um rumo bem definido que catapultou os povos da Rússia para o assalto aos céus mesmo que, pouco tempo antes dos acontecimentos de Fevereiro de 1917, que foram a ante-sala da tomada do poder pelos bolcheviques, Lénine deixasse no ar que podia não chegar a ver a revolução socialista em vida.

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Foi nos Estados Unidos mas podia ter sido na Amadora

Cresci num bairro operário da Amadora. O meu vizinho do lado era padeiro, o de baixo era mecânico e o do outro lado era carpinteiro. Nunca tive problemas com as autoridades. Quando era miúdo e passava pela rua que dava para a pastelaria Elvina, na Amadora, havia uma frase na parede que me intrigava: “Se a polícia nos protege, quem é nos protege da polícia? Mas aquilo não dizia nada à minha existência diária. Remetia-me antes para as realidades ficcionadas que vivia quando ficava a ler na marquise da minha avó. A repressão era algo que só existia nos livros do Zola ou do Emilio Salgari. Ler mais

Aos jornalistas que não são cães-polícia

Gosto de escrever histórias de piratas, ladrões, bêbedos e revolucionários. Como as canções de Fabrizio de André. A minha primeira reportagem foi um fiasco. Queria fazer um trabalho sobre o jardineiro senegalês que matou o presidente da Junta de Freguesia da Pena com uma maceta. Falei com ele uma vez ao telefone e tentei que mo deixassem entrevistar na prisão. Não deixaram. Para todos os efeitos, a primeira reportagem que escrevi na vida, ainda estudante, foi sobre uma operação policial espanhola contra vários jovens independentistas galegos acusados de terrorismo. Quando estagiei na Agência Lusa, a primeira notícia foi sobre um ataque do Movimento para a Emancipação do Delta do Níger. Ler mais

Uma bala é uma bala

Eu tinha acabado de chegar à rádio quando a emissão foi interrompida por uma mensagem urgente de Hugo Chávez ao país. Os acontecimentos sucediam-se em catadupa e a sensação era de que a história não era apenas uma disciplina mas algo que caminhava em cima dos ombros daquela gente. Nos bairros chiques da parte oriental de Caracas, os ricos sabiam pela primeira vez o que era ter insónias e insinuavam que as empregadas domésticas eram agentes chavistas. Ler mais

Bisnetos de Outubro e filhos de Abril

A revolução pode ser uma maratona mas também pode ser uma prova de velocidade. Se lutarmos por ela com a certeza de que vai ser uma prova de fundo, ficará arrumada numa gaveta chamada utopia. Se acharmos que lá chegamos com o velocímetro no máximo, podemos não ter forças para cruzar uma meta que não sabemos onde está. Como cantou Taiguara, o mais perseguido dos cantores brasileiros, “quem só espera não alcança e quem não sabe esperar erra feito criança”. Ler mais

Andar para a frente é com a luta

É uma evidência, e não uma análise, que a CDU teve o seu pior resultado de sempre em eleições legislativas, depois dos piores resultados de sempre em presidenciais, em autárquicas e em europeias. Estes processos não podem, pois, ser vistos separadamente porque se dão de forma consecutiva e num espaço de quatro anos que representou um quadro substancialmente diferente daquele que houve até hoje no nosso país depois do período revolucionário. Mas esta é uma tarefa que não cabe certamente aos comentadores televisivos ou outros. Ler mais