Autor: Ricardo M Santos

Imbecis, manipuladores e sem vergonha

O Bloco de Esquerda, através do seu portal esquerda.net, divulgou uma carta de “autores e intelectuais” sírios e não só, intitulada “O Anti-imperialismo dos Imbecis”, que acusa jornalistas independentes de o serem. Imbecis e anti-imperialistas. O que parecia, finalmente, um exercício de autocrítica, é, afinal, um mergulho no lodo em que se move. Que a posição política internacional do BE varia de acordo com o vento, não é surpresa. Os líbios e sírios sentem-no na pele, todos os dias, desde há muitos anos. Ainda recentemente, no Parlamento Europeu, os eurodeputados bloquistas se abstiveram numa emenda, apresentada, entre outros, por Sandra Pereira, da CDU, que visava o levantamento das sanções à Síria. Marisa Matias e José Gusmão não têm posição sobre se um povo deve ou não viver sob sanções económicas.

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A direita que a esquerda chora

Algures no ano de 2015, a Juventude Popular, organização da juventude do CDS,  avançava com o cartaz que ilustra este artigo. A mensagem é clara e não é nova, tem décadas. A culpabilização do trabalhador desempregado e a estigmatização de que quem necessita de receber apoios sociais. A legenda não podia ser mais clara. A típica tirada dos “subsídios para quem não quer trabalhar”. A par disto, as declarações de Nuno Melo sobre refugiados, Assunção Cristas ou Paulo Portas sobre Bolsonaro. O que levará, então, várias pessoas ligadas à esquerda, a acharem que o fim do CDS é uma perda para a democracia, como o eurodeputado do Bloco, José Gusmão?

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A OMC, as vacinas e a Teoria Crítica

Os países da Europa, EUA, Canadá, Japão, Brasil, Suíça e Austrália estão a bloquear, na OMC, a libertação das patentes de medicamentos e vacinas para a Covid-19, pedida pela Índia, África do Sul e outros Estados. De acordo com o The New York Times, 67 países pobres poderão vacinar apenas uma em cada dez pessoas, se o paradigma não mudar. Apesar de haver centenas de vacinas em estudos, em África, ainda nenhuma chegou à fase de ensaios clínicos. Este era o ponto da situação no final de dezembro.

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Ecoegoísmo e a refinaria de Leça

Dias antes do Natal, os trabalhadores da refinaria da Galp, em Leça da Palmeira, souberam através de uma comunicação da administração da empresa à CMVM, que iriam ficar desempregados. Até hoje, dia 10 janeiro de 2021, ainda não foram contactados pela administração para iniciar qualquer processo negocial. Estamos a falar de cerca de 400 trabalhadores diretos da refinaria e mais 1.000 de trabalhadores subcontratados. Os tais 1.000 que não faziam falta aos quadros de trabalhadores da Galp quando foi privatizada, mas que estão lá, todos os dias, a colocar a refinaria a funcionar. O nível de baixeza, de indecência, de insensibilidade da administração da Galp, ao fazer o anúncio em plena pandemia, tem todos os contornos do pior que o sistema tem para nos oferecer.

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A culpa é do vizinho

Está estabelecida, numa parte da sociedade, a ideia de que questionar o que quer que seja feito pelo governo no combate à pandemia é ser, na melhor das hipóteses, parvo, na pior, um negacionista da Covid-19. Considerar que esta declaração de Estado de Emergência e o que foi decidido no Conselho de Ministros não foram as melhores opções é um crime de lesa-pátria. Considerar que estamos a caminhar para a normalização do que deveria ser excecional, com Estados de Emergência atrás de Estados de Emergência, e a limitação das liberdades individuais, de associação e reunião, não é o caminho certo, parece ser um ataque vil a tudo e mais alguma coisa.

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O novo anormal

Ao contrário do que nos têm enfiado pelos olhos dentro nos últimos meses, não há nada de normal nos tempos que estamos a viver. Isso não é de agora, é certo, mas a normalização de todas as medidas e mais algumas a pretexto da pandemia, por mais despropositadas que possam ser, são um risco que vem acentuar uma tendência securitária que vem fazendo o seu caminho, mais ou menos tranquilamente, desde os atentados de 11 de Setembro de 2001. Esta nova normalidade de distanciamento físico, que agrava o distanciamento social, de constrangimentos à livre organização e reunião, não pode ser vista apenas à luz da pandemia. Há mais aqui com o que nos preocuparmos.

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A gripe de São José

No passado sábado, no diário da Sonae, Público, São José Almeida, redatora-principal, decidiu gastar 4.072 carateres com o PCP, algo que costuma fazer apenas na altura dos Congresso do Partido, quando, talvez mais por vergonha do que por decência, o jornal se vê obrigado a fazer uma abertura de página com o evento. São José Almeida saca da pena e dispara em todas as direções: Critica o decreto que permitiu as celebrações do 1.º de Maio; omite o motivo que levou os festivais a não se realizarem; mente ao dizer que o PCP afirmou que estariam 100.000 pessoas por dia na Festa; está preocupada com os custos eleitorais do PCP e assume uma questão que é lapidar: se houver um aumento de casos, a opinião pública atribuirá essa responsabilidade ao PCP. E isso, para São José, é um dado adquirido mesmo que não seja verdade, e não lhe passa pela cabeça, enquanto jornalista, desmontar essa perceção pública. Vamos passar à frente as considerações que faz sobre Álvaro Cunhal, porque o legado do antigo Secretário-Geral do PCP o dispensa.

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Ele está no meio de nós

Quando Gabriel Garcia Marquez decidiu sentenciar o destino de Santiago Nasar, logo na primeira frase da Crónica de Uma Morte Anunciada, em 1981, estaria longe de pensar que aquele relato jornalístico da sorte que os irmãos Pedro e Pablo destinaram ao defunto é um espelho dos dias que vivemos. Naquela vila, de uma forma ou de outra, todos sabiam que Santiago Nasar estava já morto antes de o estar fisicamente, mas ninguém foi capaz de impedir as facadas que o levaram para o reino dos céus, mesmo tendo os irmãos de Angela feito tudo para que alguém os travasse, anunciando o seu propósito. Ninguém os levou muito a sério.

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