Autor: António Santos

O ABC da desinformação: Alienação, Boçalidade e Conspiração

Tom Pettitt, um académico da Universidade do Sul da Dinamarca, resume a dificuldade de controlar a informação na era das comunicações digitais com a teoria do Parênteses de Gutenberg, que defende que após uma excepção impressa, com a duração de quinhentos anos, no modo tradicional de partilha da informação, estamos a regredir para uma comunicação de natureza oral, narrativa, fluída e em rede, mais semelhante às histórias contadas à volta da fogueira que ao livro impresso.

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Um balde de água fria

A sociedade do espectáculo é um estado de ansiedade permanente que reduz simultaneamente o espectador a vítima, cúmplice e paciente. À medida que a crise estrutural do capitalismo recrudesce e a previdência social recua, uma fina camada de marketing vai tomando conta das nossas vidas, das nossas inquietudes e dos nossos princípios.

A nova moda de despejar baldes de água gelada pela cabeça abaixo é somente a última moda do tipo de activismo político domesticado que o capitalismo aprova, recomenda e reproduz. Para além da parolice songamonga do acto, que nos dispensa o verbo e a pena, é oportuno denunciar a chantagem moral com que nos querem contagiar e pôr a estupidez de quarentena.

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O Coelho e o tigre

Vamos falar baixinho, que Pedro Passos Coelho está de férias e avisou que as interrompe se isto der merda. Não é caso para tanto: Portugal perdeu numa década mais de meio milhão de jovens, cuja média salarial está cada vez mais longe da média nacional; o Tribunal de Contas divulgou que já perdemos 2,2 mil milhões com o BPN e o BES  pode ser ainda pior; Os portugueses estão cada vez mais pobres.

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Viver e crescer na Juventude Comunista

A vida está cheia de aniversários importantes que ninguém celebra: aprender a andar de bicicleta, o primeiro dia de escola, a última vez que abraças alguém de que gostas, o momento em que compreendes alguma coisa essencial sobre o mundo em que vives. Hoje, há precisamente 12 anos atrás, eu subia a velha escadaria do Centro de Trabalho do PCP na Amadora e tornava-me militante da Juventude Comunista Portuguesa.

Eu tinha 14 anos e os trabalhadores da SOREFAME estavam em luta. Eram operários altamentes especializados e com décadas de experiência a fabricar comboios, barragens e maquinaria pesada. Quando os patrões decidiram deslocalizar a produção, os trabalhadores disseram não. Eram o coração e o orgulho da Amadora operária, não se iam render. Então os capitalistas arquitectaram um plano para roubar a maquinaria durante a calada da noite.

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A Ocidente nada de novo

O termo Ocidente está hoje na boca de todos, dos fanáticos salafistas aos imperialistas norte-americanos, passando pela esquerda europeia e pelos burocratas de Bruxelas. Porém, é utilizado quase sempre numa acepção coloquial, como que para descrever alguma coisa tão visível e evidente que dispensa automaticamente perguntas e explicações. Contudo, o Ocidente não é de todo fácil de identificar e definir. O que haverá de mais ocidental que os Direitos Universais do Homem ou o Santo Ofício, os campos de concentração e a liberdade? Ao longo de períodos históricos tão irreconciliáveis como o Renascimento e a Idade Média, o Ocidente foi disperso pelo mundo, elogiado e vilipendiado. O seu significado parece ter-se transformado em tudo e dissolvido em nada.

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Israelitas cantam «Amanhã não há escola! Já não há lá mais crianças! Gaza é um cemitério!»

Depois de uma deputada israelita declarar que todas as mães israelitas devem ser assassinadas, depois dos seus académicos apelarem à violação das mulheres palestinianas, depois das fotografias de israelitas a assistir a bombardeamentos a comer pipocas como se estivessem no cinema, chega-nos um vídeo de cidadãos israelitas a cantar e a celebrar a morte das crianças de Gaza.

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Que festa é esta, pá?*

Olha, desculpa lá que me intrometa… mas não pude deixar de ouvir o que estavas a dizer.

É a tua primeira Festa? Pois, então é compreensível. Sabes que apreciar esta festa, tem muito que se lhe diga, a sua arte, o seu mistério. Mas olha, isto não é nada como o Super Bock Super Rock. Esta é a festa do Partido Comunista e do seu jornal, que dá o nome à festa: o periódico do mundo inteiro que mais tempo sobreviveu na clandestinidade. É qualquer coisa, hein?

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Isto é genocídio – Somos todos palestinos

Na Palestina, a cada três dias uma criança é assassinada por Israel. Nunca conheceremos os seus nomes, nunca ouviremos entrevistas com os seus pais, nunca veremos as suas caras. Porque um rocket palestiniano ser interceptado pelo escudo anti-misséis é mais relevante do que a vida de uma criança ser interceptada por uma bomba inteligente. Porque as lágrimas dos palestinianos valem menos que as de um israelita.

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