A peça da Antena1 comovia. Invulgarmente longa para um noticiário de rádio começava por contextualizar a intervenção pública de Dudamel. Referia a sua página no facebook pintada a negro, tendo como imagem de capa um rectângulo preto sobre o qual se podia (e pode) ler o nome do jovem músico assassinado: Armando Cañizales Carrillo. A voz da jornalista alternou com a voz do próprio Dudamel, extraída de uma declaração pública divulgada dias antes da morte de Armando Cañizales. Em fundo música, creio que interpretada por uma orquestra do projecto “El sistema” no contexto do qual Dudamel e Cañizales se haviam encontrado. Como conclusão a ideia da inutilidade e da injustiça do crime, o assassinato de um jovem músico durante uma manifestação pacífica contra Maduro e o governo do PSUV.
Seja abençoada a violência policial e louvados os agressores
Para mim seria líquido que ver uma pessoa a ser asfixiada até à inconsciência mereceria o repúdio generalizado de toda a gente. Essa mesma gente que – isto a propósito da data – é maioritariamente crente em valores de bondade e amor ao próximo que professa a religião católica.
É “só” mais um caso da violência policial que não existe
É uma repartição pública, no Montijo.
Um cidadão dirige-se à repartição e uma pessoa que diz ser agente à paisana – sem comprovar se o é e o que está ali a fazer – diz que a pessoa não pode filmar. É verdade, não pode filmar. E no vídeo ele diz que vai parar de filmar e desligar o telefone.
Maio130: A História do 1º de Maio
Vídeo feito para o espectáculo “Maio 130”, apresentado na Festa do Avante (Café-Concerto de Lisboa) a 4 de Setembro de 2016.
A escolha de Hobson
O capitalismo reduz a democracia a um debate entre Macron e Le Pen, entre Merkel e Le Pen, entre Macron e Schäuble, entre um corte salarial ou o desemprego, entre levar um murro no estômago ou um pontapé na cara, entre o neo-liberalismo e o fascismo.
O «crime» de Clemente Alves
Segundo quase todos os jornais, Clemente Alves, vereador da CDU na Câmara Municipal de Cascais, cometeu hoje um crime, casuisticamente inserido na secção noticiosa homónima e de cujo auto constam: «manifestação ilegal», «partir para a agressão» contra um agente e «impedir o trabalho das máquinas». Há, à partida, um problema óbvio nestas notícias: em Portugal não há manifestações ilegais (não é uma questão de opinião). Outra questão se impõe: se os jornalistas que escreveram estas peças (quase todas iguais porque roubadas umas às outras) não estavam lá, como é que souberam o que aconteceu?
A pós-verdade da Venezuela
Quando se vive – isto é, quando se forma opinião – sobretudo a partir de artigos do Observador, do Expresso ou do Público – quando não apenas dos títulos – é-se “apanhado” muito facilmente naquilo a que tecnicamente se chama “fazer figura de parvo”. É o que muito tem acontecido a quem, por estes dias, tem levantado especiais brados pelo “caos” na Venezuela e se enche dos sentimentos de “pena” e “piedosa comoção” pelo povo do país. É aquele travozinho burguês, chique, enjoativo, quando não de nojo, que tão bem conhecemos, de gente que “acha mal” que a oligarquia corrupta da Venezuela não possa voltar ao seu glorioso passado de muito “progresso” e “prosperidade”, na sempre eterna “esperança” de um belo dia do horizonte “criar muitos empregos” para aqueles “pobrezinhos descalços”.
Follow the money – o que ganha um Estado-Proxeneta?

Les Démoiselles d'Avignon, Picasso
Retomemos o assunto.
Porque é que um Estado quer regulamentar a prostituição?
Esta questão deve ser colocada em todos os países onde:
1 – A prostituição é encarada pelo Estado como profissão e por ele é regulada;
2 – A prostituição não é crime, apenas o lenocínio, e a sua regulamentação está em cima da mesa, como é o caso de Portugal.