Ontem houve um tiroteio na Ameixoeira. Certamente estarão a par da coisa, abstenho-me de a explicar. Duas famílias, caçadeiras, tiros e a PSP. Os directos televisivos não tardaram, as análises especulativas rapidamente se iniciaram e quando os factos foram chegando, as análises mantiveram a especulação utilizando a extrapolação, essencial ao preenchimento de 24 horas de informação repetida, mastigada, escarrada e com poucos minutos de verdadeira informação.
Dia Mundial do Teatro
Celebra-se hoje, 27 de Março, o Dia Mundial do Teatro, tradição iniciada em 1961 pelo Instituto Internacional do Teatro, que nesta ocasião convida uma figura a partilhar as suas reflexões sobre o tema do Teatro e uma Cultura de Paz. E que melhora forma de comemorar este dia indo ao Teatro.
A Mensagem deste ano é do encenador Russo Anatoli Vassiliev:
Ao sabor da brisa mediática
Até hoje, nas suas relações internacionais, jamais o BE havia tido um governo de um partido que coincidisse com a sua linha política. Timidamente e muito pontualmente, mostrou-se solidário com alguns governos que na América Latina avançavam com políticas progressistas. Nunca vimos este partido organizar actos contra o golpe na Venezuela, Equador ou Bolívia. Com Cuba jamais mostrou o mais pequeno gesto de empatia e não se sabe qual é a sua posição sobre o bloqueio contra a pátria de José Martí.
Aljubarrota reloaded
De súbito, como se o problema não fosse previsível e como se ninguém para ele tivesse alertado ao longo dos anos, os membros da casta opinante oficial da plutocracia imperante acordaram para triste realidade da banca comercial portuguesa se resumir hoje à Caixa Geral de Depósitos. Vai dai desencadeiam um movimento de ressurreição de um certo espírito anti-castelhano, apontando para a fronteira mal defendida e gritando pela unidade do povo em torno da defesa dos bancos dos Ulrichs do reino. “Vêem aí os espanhóis!”. Seria risível se não fossem ambas as realidades absolutamente trágicas.
O Homem na Jaula: racismo e capitalismo*
No Verão de 1906, o número de visitantes do Jardim Zoológico do Bronx triplicou. Segundo os registos oficiais do Zoo nova-iorquino, durante o mês de Setembro, eram mais de 40 mil os curiosos que, diariamente, pagavam bilhete para ver a jaula com os próprios olhos. Numa placa junto às grades, podia ler-se: «O Pigmeu Africano Ota Benga. Idade, 23 anos. Altura, 1,25m. Trazido do rio Kasai, Estado Livre do Congo, pelo Dr. Samuel P. Verner».
Quando a história de Ota Benga começa, a escravatura já tinha sido abolida nos EUA há 40 anos, mas o grande capital tinha herdeiros promissores. Foi William John McGee, presidente da prestigiada Associação Antropológica Americana, que solicitou à comunidade científica «a captura de africanos pigmeus» para exibição na Exposição Mundial de St. Louis de 1904. Os EUA eram então o epicentro mundial das teorias eugénicas sobre a «superioridade branca» que mais tarde inspirariam Hitler e a Expo de 1904 arrogava, orgulhosa, o «Império Americano» exibindo em jaulas dezenas de homens e mulheres de diferentes povos. Ota Benga era um deles.
Nas ruas sobra o espaço que não cabe no orçamento
Há poucos dias, conversava com um amigo sobre o Orçamento do Estado proposto pelo PS e aprovado, na generalidade, com os votos do PEV, do BE e do PCP.
Sentados na Praça do Município lisboeta e separados pelo já tradicional tabuleiro de xadrez, o debate discorria previsivelmente entre as duas balizas do governo de Costa. Por um lado, a travagem do rumo renitido por PSD e CDS-PP, com importantes, embora tímidos, sinais de inversão de marcha.
Não passarão.
O fascismo é um recurso do capitalismo, não é um elemento exterior ao sistema que dele se apodera quando menos se espera. É por isso com apreensão mas sem surpresa que muitos de nós vêem o ressurgimento de forças partidárias de extrema-direita explícita em vários países, dentro e fora da Europa. Perante as circunstâncias do contexto, diferentes na Europa face a vários países da América Latina onde o fascismo ganha garras, o capitalismo não hesita em libertar o seu velho cão raivoso. Foi assim nos anos 30 do século passado.
Resistência também é nome de mulher
A histórica luta das mulheres trabalhadoras pelos seus direitos teve episódios que não se podem apagar. Um deles é o do incêndio, em 1857, na fábrica de camisas Triangle, em Nova Iorque, em que centenas de operárias, sequestradas pelo patrão, acabaram carbonizadas. Em Portugal, o exemplo da tragédia que se abateu, em 1954, sobre Baleizão com o assassinato da assalariada rural Catarina Eufémia durante protestos por melhores condições de trabalho. A também comunista estava grávida e com um filho ao colo quando foi abatida pela GNR.
Mas o combate abnegado pela reivindicação mais do que justa de direitos iguais não foi palco apenas de tragédias. O sangue das mártires que caíram nesta luta regou a sementeira de conquistas e significou importantes avanços. O Dia Internacional da Mulher foi conquistado sob proposta da comunista alemã Clara Zetkin que o propôs na II Conferência da Internacional Socialista, em 1910, no contexto da luta pelo direito ao voto, à redução do horário de trabalho e ao aumento de salários. A proposta foi aprovada por unanimidade e, em 1911, o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora foi declarado com manifestações em todo o globo.