Todos os artigos: Nacional

São horas, senhor

Já muito se escreveu e falou sobre o mais recente videoclip dos Mão Morta. Chocante, para alguns, violento, para outros, a verdade é que aqueles (quase) 4 minutos espelham bem a realidade de um país. A música, arrastada e hipnotizante, e o duro conteúdo das palavras grunhidas pelo Adolfo Luxúria Canibal, fazem um par perfeito com as imagens que vamos vendo lá atrás. É o BPN, é o Sócrates e o Passos, é a Igreja e a Troika, enfim, é tudo aquilo que nos tem empurrado para o buraco. E é sobretudo uma arma carregada que dispara e mata. Com precisão.

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Procura-se Miguel Fernando Cassola de Miranda Relvas

Fugiu de casa de seus pais, Miguel Fernando Cassola de Miranda Relvas. No dia do seu desaparecimento, o indivíduo de 52 anos vestia calções de banho com motivos florais, chinelos de enfiar o dedo verde-alface e uma t-shirt do Pique, a mascote do Mundial de Futebol de 86, no México. A Polícia Judiciária dá conta da extrema perigosidade que este indivíduo apresenta para os transeuntes das ruas do país. Quando avistado, a primeira coisa a fazer é tapar imediatamente os ouvidos, visto que além de ser popularmente conhecido como alguém de falinhas mansas, este elemento bale quando tenta cantar. As autoridades nacionais irão distribuir, gratuitamente, tampões de silicone para os ouvidos até que se descubra o paradeiro deste desaparecido.

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A Teimosia do PCP

Faz hoje anos que Álvaro Cunhal morreu. E faz também anos que muitos prenunciaram (pela 9858748ª vez) a morte do partido que, curiosamente, mais tem crescido nos últimos tempos. E isso, parecendo que não, para muitos constitui um problema. O PCP esteve muitas vezes “para morrer”. Teimosamente, nunca deu essa enorme satisfação à direita portuguesa (PS incluído), muito menos àqueles que no recato de um fascismo mais ou menos contido, anseiam pelo fim do partido político que resiste e luta coerentemente, luta após luta, ano após ano, ao lado do povo e dos trabalhadores portugueses.

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Novos meios de enformação

Quando, em 1999, a caminho dos 18 anos, entrei pela primeira vez na redacção de um jornal, apaixonei-me. Como quando fui a Londres, apaixonei.me. Apaixonei-me, eu, um gajo manifestamente contra o amor. Havia qualquer coisa naquele sexto andar que me prendeu de uma forma indescritível. Entrei e ninguém me ligou nenhuma. Normal, presumo. O barulho dos teclados que se misturava com os dos telefones, a procura das fontes e as pessoas que subiam e desciam até ao sétimo andar, onde estava então a paginação.

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Amor é Comunismo

Amor é comunismo (Já está. Agora vá, faz lá esse sorriso cínico. Pronto. Já passou? Então respira fundo, deixa-te de merdas e lê-me lá até ao fim, se faz favor).
Quando em 2006 Chávez foi reeleito, o parque de Miraflores trocou o verde tropical pelo vermelho sanguíneo. Era a imensa multidão dos pobres de Caracas, pobres de uma pobreza antiga, que tinha vindo ouvir o Presidente, o seu Presidente. E por segundos, quando Chávez falou, a praça pareceu tomada de um silêncio imperscrutável – misterioso. Como se quinhentos anos de servidão tivessem por fim findado ou um velho encantamento se levantasse ao som das suas palavras: “Que ninguém tenha medo do socialismo, porque o socialismo é fundamentalmente humano: socialismo é amor, é solidariedade (…) e o meu coração declara-vos o meu amor infinito”. Não é difícil sentir a franqueza de Chávez, mas mais que genuíno, recuperava uma ideia problemática e inexplicavelmente esquecida pela esquerda: a ideia de que o comunismo é o nome político do amor.

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Procura-se Álvaro dos Santos Pereira

Fugiu de casa de seus pais, Álvaro dos Santos Pereira, também conhecido desde a infância como “Alvarinho”. No dia do seu desaparecimento, o indivíduo de 42 anos, vestia um anorak grená, boina azul com a marca “Olá” estampada e ao pescoço transportava um tabuleiro com duas dúzias de pasteis de nata. As forças de segurança dão conta de que o indivíduo aparenta sofrer de perturbações mentais. Vários testemunhos afirmam que foi visto por mais do que uma vez a falar sozinho na rua, em restaurantes, em cafés, em concertos e em salas de cinema, com amigos imaginários a quem trata por “mercados”.

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Procura-se Vítor Louçã Rabaça Gaspar

Fugiu de casa de seus pais, Vítor Louçã Rabaça Gaspar. No dia do seu desaparecimento, o indivíduo de 53 anos, vestia um fato escuro, coçado nos cotovelos, gravata laranja desbotada e sapatos pretos de berloques impecavelmente engraxados. Segundo as declarações recolhidas pela Polícia Judiciária, esta fuga poderá ter-se dado por motivos passionais. Vítor Louçã Rabaça Gaspar terá abandonado a sua relação polígama com os membros do XIX Governo Constitucional de Portugal, para se juntar, numa relação bígama, a duas senhoras de meia-idade, uma alemã e outra francesa, que lhe terão prometido um emprego mais estável e mais bem remunerado do que o seu anterior. Este emprego teria ainda o bónus de ser livre de impostos e oferece a possibilidade de uma relevante reforma antecipada ao final de apenas 3 anos.

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O que os estorva mesmo é a democracia

Já não deve constituir surpresa para ninguém o facto de PSD e CDS demonstrarem enorme interesse em derrubar, de uma vez por todas, quaisquer obstáculos que se entreponham à sua missão ideológica. Atendendo às reincidências no cadastro da sua acção governativa, já não se pode nem se deve falar de «incompatibilidade» da política deste governo com a Constituição. Mais do que isso, trata-se antes de perigosa e muito grave «incompatibilidade» de PSD e CDS com a própria democracia. Estes partidos, não apenas pela prática política mas também pelo discurso cada vez mais reaccionário dos seus principais responsáveis, vão deixando cair essa máscara fictícia de partidos pertencentes a um «centro moderado», a um «centrão» ou «bloco central», ainda que tal falsa ideia vingue (por enquanto) entre a maioria da população. Começa a ser risível, embora preocupante, que haja ainda quem tenha o despudor de falar pejorativamente em “radicalismos” em referência ao PCP – partido defensor acérrimo dos preceitos constitucionais, lutador incansável pelo cumprimento da Lei Fundamental -, quando aquilo que vemos é que os verdadeiros radicais, aqueles que ameaçam a democracia, os que procuram incumprir (repetidamente) as leis do país, mesmo as fundamentais, esses, são os que já se encontram instalados no poder em Portugal.

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