Em meu nome, não.

Era uma vez uma lei chamada Constituição. Todas as pessoas tinham que a cumprir. Se não cumprissem, começavam a receber cartas e a ficar sem o ordenado. Deixavam de poder ir a hospitais, à escola, etc. Mas sabiam que enquanto contribuíssem colectivamente havia mais casas, mais transportes, mais jardins e por isso protegiam essa lei, porque lhes dava garantias de todos poderem brincar, estudar, tratar as feridas, ler livros, enfim.
Mas um dia chegaram uns senhores com uma pandeireta e muito bem dispostos. Disseram «o que é isso, a Constituição»? Começaram a fazer muitas festas e com pessoas que falavam muitas línguas. Construíram uma casa muito grande e começaram a comprar as escolas, os hospitais, as bibliotecas, os jardins. Até a praia tinha o nome de um desses senhores.

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Mudam o rei espanhol para que nada mude

O ditador Francisco Franco preparou o jovem príncipe Juan Carlos para lhe suceder e garantir a manutenção do poder político e económico às classes dominantes. Quase sempre, as oligarquias sabem o que fazem. Os grandes grupos económicos e financeiros espanhóis foram os principais beneficiários da transição. Essa etapa histórica imposta por Madrid aos demais povos do Estado espanhol é, ainda hoje, elogiada pelos que criticam duramente os excessos da revolução portuguesa. Ali, placidamente, o ditador morreu na cama sem ser julgado e Juan Carlos assumiu as rédeas do Estado para alimentar com muitos cosméticos a nova realidade política. De facto, o poder económico manteve-se praticamente intacto e as instituições permaneceram sob controlo da órbita franquista: polícias, militares, juízes, professores, jornalistas, etc.

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A quem servem as “extremas”?

Depois das Eleições para o Parlamento Europeu foram várias as análises e reflexões. Como sempre, há uma linha de análise que se tenta impor como oficial ou que pelo menos é mais difundida. A verdade é que os números destas eleições em todos os países da União Europeia, trouxeram muitas novidades e fugiram bastante às balizas que permitem repetir que independentemente dos resultados quem ganhou foi o “projecto europeu”.

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Uma moção do povo

Desde que o PCP, pela voz do seu secretário-geral, anunciou que iria apresentar uma moção de censura ao governo, que não pararam as conjecturas sobre o real significado da mesma e sobre a sua “utilidade”. Nada de novo. O PS, em desespero de causa, e como é costume, vitimizou-se tomando as dores de alvo a abater pelo PCP, considerando a moção como um «frete ao governo», anunciando contudo que votaria «a favor». Se, por um lado, se trata de uma moção que pelas circunstâncias de o governo ter maioria no parlamento terá os mesmíssimos efeitos práticos que teve a moção do próprio PS, por outro, o PS entende, assume, mas não admite nem pode admitir, que aquilo que o PCP combate com esta moção de censura, é também aquilo que, em grande medida, o PS defende e já começou por pôr prática com os PEC’s, bem como com as políticas levadas a cabo pelos seus anteriores governos.

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