Eu não sou racista, mas….

“A sério… eu até tenho um amigo preto/cigano/chinês/de leste/homosexual/trans (riscar o que interessa), mas…”

Foi nos Estados Unidos mas podia ter sido na Amadora

Cresci num bairro operário da Amadora. O meu vizinho do lado era padeiro, o de baixo era mecânico e o do outro lado era carpinteiro. Nunca tive problemas com as autoridades. Quando era miúdo e passava pela rua que dava para a pastelaria Elvina, na Amadora, havia uma frase na parede que me intrigava: “Se a polícia nos protege, quem é nos protege da polícia? Mas aquilo não dizia nada à minha existência diária. Remetia-me antes para as realidades ficcionadas que vivia quando ficava a ler na marquise da minha avó. A repressão era algo que só existia nos livros do Zola ou do Emilio Salgari. Ler mais

Eu quero falar com o meu pai

Nos piores momentos, o meu pai, de 89 anos, ficava tão confuso que achava que estava no forte de Peniche. Eu tentava explicar-lhe que não estava preso, mas era em vão. Ele temia que quando as visitas terminassem houvesse outro interrogatório. Quando as funcionárias do lar passavam, suspeitava que a PIDE-DGS nos estivesse a escutar e eu, a chorar, garantia-lhe que não, papá, que já estás livre, porra, que fizeste o 25 de Abril. Ler mais

Ficar em casa mata o amor.

O primeiro de maio é um dia de esperança. Claro que vem de longa história marcada pelo sangue dos mártires anarquistas de Chicago, claro que a bandeira vermelha que depois se levantou nas mãos dos operários de todos o mundo representa também o sangue que estes têm sempre de derramar quando lutam, claro que não há história de vitória sem que milhares tenham tombado na soma de derrotas que, por vezes, a compõem.

O primeiro de maio é um dia de luta, não é um dia de protesto. Não é um dia de festa. Mas é de esperança e confiança no futuro. Não é uma celebração como quem assinala que passou mais um ano desde Haymarket, nem um desfile de memorabilia e nostalgia pelos gloriosos anos de avanço operário no sistema socialista mundial. É um dia em que os trabalhadores de todo o mundo assinalam o mundo que pretendem construir. Ler mais

Avante ou não Avante: eis a questão.

Eu e o Daniel Oliveira achamos coisas. Há algumas diferenças entre as coisas que achamos e uma das principais é que eu não sou pago para achar. Ora, isto não me obriga 1. a gerir a minha imagem com base no que acho; 2. a achar coisas à força mesmo quando não acho coisa nenhuma. Vem isto a propósito do texto que o Daniel Oliveira dedicou à Festa do Avante!, que é evento que se realiza todos os anos desde há longa data, mas que na actual conjuntura poderá não ser realizado ou realizar-se com alterações profundas de programação, logística e participação. Estou certo de que Daniel Oliveira sabe tanto ou menos do que eu sobre a Festa do Avante! 2020.

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O SEF que tortura e mata, o SEF que viola a lei, o SEF que continua impune

São às dezenas as notícias sobre crimes cometidos por funcionários, inspectores e chefias do SEF. “Funcionários das Finanças, Segurança Social e SEF detidos por corrupção na legalização de imigrantes“, “Chefe do SEF suspeito de corrupção ficou suspenso de funções“, “Como um relatório ficou na gaveta e ministros, MP e SEF ignoraram alertas de corrupção“, “Corrupção no SEF em tribunal“, “Chefe do SEF de Albufeira indiciado por 17 crimes de corrupção passiva“, “Vistos Gold: 11 detidos por suspeitas de corrupçãoLer mais

75 anos da vitória sobre o nazi-fascismo. Obrigado!

A 2 de Maio de 1945, culminando o imparável avanço do Exército Vermelho, a bandeira da União Soviética foi hasteada no Reichstag em Berlim e poucos dias depois a Alemanha nazi assinava a sua capitulação incondicional. O dia 9 de Maio de 1945, passou a ser conhecido como o «Dia da Vitória», porque simboliza a vitória sobre o nazi-fascismo e o seu sinistro projecto de exploração e opressão dos povos. Ler mais